Inteiro teor do voto não fornecido no registro original; ementa e dispositivo são preservados integralmente abaixo.
Assunto e questão jurídica conforme a ementa oficial
ADMINISTRATIVO E PROCESSUAL CIVIL. AGRAVO INTERNO NO RECURSO ESPECIAL. SERVIDOR. ALEGADA VIOLAÇÃO AOS ARTS. 489 E 1.022 DO CPC/2015. INEXISTÊNCIA DE VÍCIOS, NO ACÓRDÃO RECORRIDO. ACÓRDÃO RECORRIDO RECONHECEU QUE O BENEFÍCIO PREVIDENCIÁRIO FORA RECEBIDO DE BOA-FÉ PELA SERVIDORA. RESTITUIÇÃO. IMPOSSIBILIDADE, NO CASO CONCRETO. AGRAVO INTERNO IMPROVIDO. I. Agravo interno aviado contra decisão que julgara Recurso Especial interposto contra acórdão publicado na vigência do CPC/2015. II. Na origem, trata-se de demanda proposta pela parte ora recorrida, com o objetivo de "a) declarar a impossibilidade dos réus em promoverem atos de cobrança, reconhe…
Ementa
ADMINISTRATIVO E PROCESSUAL CIVIL. AGRAVO INTERNO NO RECURSO
ESPECIAL. SERVIDOR. ALEGADA VIOLAÇÃO AOS ARTS. 489 E 1.022 DO
CPC/2015. INEXISTÊNCIA DE VÍCIOS, NO ACÓRDÃO RECORRIDO. ACÓRDÃO
RECORRIDO RECONHECEU QUE O BENEFÍCIO PREVIDENCIÁRIO FORA RECEBIDO DE
BOA-FÉ PELA SERVIDORA. RESTITUIÇÃO. IMPOSSIBILIDADE, NO CASO
CONCRETO. AGRAVO INTERNO IMPROVIDO.
I. Agravo interno aviado contra decisão que julgara Recurso Especial
interposto contra acórdão publicado na vigência do CPC/2015.
II. Na origem, trata-se de demanda proposta pela parte ora
recorrida, com o objetivo de "a) declarar a impossibilidade dos réus
em promoverem atos de cobrança, reconhecendo-se o percebimento dos
valores de boa-fé por parte da autora; b) Sucessivamente, anular os
procedimentos de cobrança, tendo em vista a ausência de memória de
cálculo para demonstrar a juridicidade do valor, bem como o
reconhecimento da prescrição quinquenal para os valores anteriores
aos cinco anos da notificação validamente expedida. 3) A condenação
dos réus ao pagamento de indenização a título de danos morais à
autora, nos termos do item 'V', na quantia de R$1.000.000,00 (um
milhão de reais)". Julgada parcialmente procedente a demanda, "para
declarar a impossibilidade de a parte ré promover atos de cobrança,
reconhecer o percebimento dos valores de boa-fé por parte da autora
e anular os procedimentos de cobrança, mas improcedente o pedido de
condenação no pagamento de dano moral", recorreu a parte ré, tendo
sido parcialmente reformada a sentença, pelo Tribunal local, "para
reduzir os honorários advocatícios". Daí a interposição do presente
Recurso Especial.
III. Não há falar, na hipótese, em violação ao art.1.022 do
CPC/2015, porquanto a prestação jurisdicional foi dada na medida da
pretensão deduzida, de vez que os votos condutores do acórdão
recorrido e do acórdão proferido em sede de Embargos de Declaração
apreciaram fundamentadamente, de modo coerente e completo, as
questões necessárias à solução da controvérsia, dando-lhes, contudo,
solução jurídica diversa da pretendida.
IV. Na forma da jurisprudência do STJ, não se pode confundir decisão
contrária ao interesse da parte com ausência de fundamentação ou
negativa de prestação jurisdicional. Nesse sentido: STJ, EDcl no
REsp 1.816.457/SP, Rel. Ministro HERMAN BENJAMIN, SEGUNDA TURMA, DJe
de 18/05/2020; AREsp 1.362.670/MG, Rel. Ministro MAURO CAMPBELL
MARQUES, SEGUNDA TURMA, DJe de 31/10/2018; REsp 801.101/MG, Rel.
Ministra DENISE ARRUDA, PRIMEIRA TURMA, DJe de 23/04/2008.
V. Quanto a restituição ao erário de valor recebido de boa-fé por
servidor, a questão em comento não se amolda à matéria referente ao
Tema 531/STJ ("Quando a Administração Pública interpreta
erroneamente uma lei, resultando em pagamento indevido ao servidor,
cria-se uma falsa expectativa de que os valores recebidos são legais
e definitivos, impedindo, assim, que ocorra desconto dos mesmos,
ante a boa-fé do servidor público"), tampouco ao Tema 1.009/STJ
("Os pagamentos indevidos aos servidores públicos decorrentes de
erro administrativo (operacional ou de cálculo), não embasado em
interpretação errônea ou equivocada da lei pela Administração, estão
sujeitos à devolução, ressalvadas as hipóteses em que o servidor,
diante do caso concreto, comprova sua boa-fé objetiva, sobretudo com
demonstração de que não lhe era possível constatar o pagamento
indevido"), vez que, como afirmado pelo próprio agravante "a
distribuição da presente ação (20/09/2018) é anterior à publicação
do acórdão paradigma (19/05/2021), não se aplicando ao caso
concreto, portanto, o precedente vinculante". Demais disso, o
Tribunal de origem reconheceu, à luz do acervo fático da causa, que
houver erro da Administração e que a servidora recebera o benefício
previdenciário de boa-fé.
VI. Agravo interno improvido.
Dispositivo transcrito
Vistos e relatados estes autos em que são partes as acima
indicadas, acordam os Ministros da SEGUNDA TURMA do Superior
Tribunal de Justiça, em sessão virtual de 22/08/2023 a 28/08/2023,
por unanimidade, negar provimento ao recurso, nos termos do voto da
Sra. Ministra Relatora.
Os Srs. Ministros Francisco Falcão, Herman Benjamin e Mauro Campbell
Marques votaram com a Sra. Ministra Relatora.
Presidiu o julgamento o Sr. Ministro Mauro Campbell Marques.
Jurisprudência citada no registro do STJ
(SERVIDOR PÚBLICO - PAGAMENTO INDEVIDO - ERRO OPERACIONAL DA
ADMINISTRAÇÃO - PERCEPÇÃO DE BOA-FÉ - RESTITUIÇÃO)
STJ - <<MS 19260>>-DF, <<AgInt no REsp 1606811>>-PR,
<<RMS 47797>>-GO, <<AgRg no REsp 1560973>>-RN,
<<AgRg no AREsp 766220>>-DF, <<AgRg no AREsp 558587>>-SE,
<<AgRg no AREsp 422607>>-DF, <<AgInt no REsp 1598380>>-MG
Recortes literais da ementa, dispositivo e referências do STJ. Não substituem o voto ou inteiro teor ausente, nem constituem tese autoral.