STJ — 839506
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Ementa
AGRAVO REGIMENTAL NO HABEAS CORPUS. EXECUÇÃO PENAL. PRECLUSÃO
LÓGICA. SUPRESSÃO DE INSTÂNCIA. PROGRESSÃO DE REGIME. NOVA
CONDENAÇÃO. EFEITOS DA REINCIDÊNCIA ESPECÍFICA SOBRE TODAS AS PENAS
EM EXECUÇÃO. CONSTRANGIMENTO ILEGAL NÃO EVIDENCIADO. AGRAVO
REGIMENTAL DESPROVIDO.
1. A parte que se considerar agravada por decisão de relator, à
exceção do indeferimento de liminar em procedimento de habeas corpus
e recurso ordinário em habeas corpus, poderá requerer a
apresentação do feito em mesa relativo à matéria penal em geral,
para que a Corte Especial, a Seção ou a Turma sobre ela se
pronuncie, confirmando-a ou reformando-a.
2. Inicialmente, constata-se que a preclusão lógica aventada não foi
apreciada pelo Tribunal de Justiça de origem. Assim, não debatida a
questão pela Corte de origem, é firme o entendimento de que "fica
obstada sua análise a priori pelo Superior Tribunal de Justiça, sob
pena de indevida supressão de instância" (RHC n. 126.604/MT, rel.
Min. Antonio Saldanha Palheiro, Sexta Turma, julgado em 7/12/2020,
DJe 16/12/2020).
3. No caso, a controvérsia reside, como se vê, em definir se o Juízo
da execução pode ou não estender os efeitos da reincidência
específica, reconhecida ulteriormente em nova ação penal, sobre
todas as penas em execução.
4. Assim, verifica-se que se trata de réu reincidente por crime
hediondo ou equiparado, sendo, portanto, reincidente específico.
5. No caso, o entendimento do Tribunal de origem está em consonância
com a jurisprudência do STJ, uma vez que a condição de reincidente
é de caráter pessoal do condenado, e não específico de cada
condenação, de modo que, unificadas as sanções, a reincidência deve
incidir sobre a totalidade das penas.
6. Agravo regimental desprovido.
Dispositivo transcrito
Vistos e relatados estes autos em que são partes as acima
indicadas, acordam os Ministros da SEXTA TURMA do Superior Tribunal
de Justiça, em sessão virtual de 09/04/2024 a 15/04/2024, por
unanimidade, negar provimento ao recurso, nos termos do voto do Sr.
Ministro Relator.
Os Srs. Ministros Sebastião Reis Júnior, Rogerio Schietti Cruz e
Antonio Saldanha Palheiro votaram com o Sr. Ministro Relator.
Presidiu o julgamento o Sr. Ministro Sebastião Reis Júnior.