STJ — 2037158
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Ementa
PROCESSUAL PENAL E PENAL. AGRAVO REGIMENTAL RECURSO ESPECIAL.
HOMICÍDIO QUALIFICADO. RECONHECIMENTO PESSOAL POR FOTOGRAFIA.
NULIDADE. NÃO OCORRÊNCIA. DESNECESSIDADE. OUTROS ELEMENTOS DE PROVA.
PRONÚNCIA. POSSIBILIDADE. INDICÍOS DE AUTORIA E MATERIALIDADE.
AFASTAMENTO DAS QUALIFICADORES. INVIABILIDADE. REEXAME FÁTICO
PROBATÓRIO. SÚMULA 7/STJ. AGRAVO REGIMENTAL DESPROVIDO.
1. Ambas as Turmas que compõem a Terceira Seção deste Superior
Tribunal de Justiça alinharam-se na compreensão de que o
reconhecimento de pessoa, seja presencial ou por fotografia,
realizado durante o inquérito policial, só é válido para a
identificação do réu e a fixação da autoria quando seguiu as
formalidades do art. 226 do CPP e foi corroborado por outras provas
na fase judicial, sob o contraditório e ampla defesa.
2. Quanto à tese defensiva, em verdade, existe nos autos registro de
que a esposa da vítima foi capaz de realizar a identificação do
recorrente, pessoa que era conhecida da família da vítima. Na mesma
linha, o informante (irmão da vítima) atestou que se tratava de
"famílias vizinhas de porta". Diante disso, não houve a necessidade
de se realizar o reconhecimento pessoal por fotografia, o que afasta
tanto a demanda pela observância dos regramentos do art. 226 do CPP
como o argumento defensivo de que se trata de pronúncia fulcrada
unicamente em testemunhos indiretos.
3. As instâncias ordinárias avaliaram os indícios de autoria com
base em um conjunto de provas que permitiram um juízo de
probabilidade de autoria, conforme jurisprudência consolidada. Neste
contexto, eventual dúvida acerca da robustez dos elementos de prova
resolve-se em favor da sociedade, de acordo com o princípio do "in
dubio pro societate" (REsp 1.729.033/MG, Rel. Ministro ANTONIO
SALDANHA PALHEIRO, SEXTA TURMA, julgado em 17/12/2019, DJe
3/3/2020).
4. No tocante aos crimes de corrupção de menores, associação
criminosa e ao afastamento das qualificadoras, a inversão do julgado
demandaria o reexame do conjunto fático-probatório dos autos,
providência inviável nesta instância especial, nos termos da Súmula
7/STJ.
5. Agravo regimental desprovido.
Dispositivo transcrito
Vistos e relatados estes autos em que são partes as acima
indicadas, acordam os Ministros da QUINTA TURMA do Superior Tribunal
de Justiça, em sessão virtual de 21/11/2023 a 27/11/2023, por
unanimidade, negar provimento ao recurso, nos termos do voto do Sr.
Ministro Relator.
Os Srs. Ministros Reynaldo Soares da Fonseca, Joel Ilan Paciornik e
Messod Azulay Neto votaram com o Sr. Ministro Relator.
Não participou do julgamento o Sr. Ministro João Batista Moreira
(Desembargador convocado do TRF1).
Presidiu o julgamento o Sr. Ministro Messod Azulay Neto.
Referências legislativas identificadas
Outras decisões e processos do mesmo assunto
Relacionados por códigos TPU ou citações LexML coincidentes, não por resultado presumido.
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