STJ — 2107908
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Ementa
PENAL. AGRAVO REGIMENTAL NO RECURSO ESPECIAL. ESTELIONATO.
PENA-BASE. NEGATIVAÇÃO DA VETORIAL CIRCUNSTÂNCIAS DO CRIME. MODUS
OPERANDI DO DELITO. CIRCUNSTÂNCIAS QUE EXTRAPOLAM A NORMALIDADE
TÍPICA. INEXISTÊNCIA DE BIS IN IDEM. MANUTENÇÃO DA DECISÃO AGRAVADA.
AGRAVO REGIMENTAL DESPROVIDO.
1. Ao contrário do aduzido pela defesa, a negativação da vetorial
circunstâncias do crime não decorreu simplesmente da utilização de
ardil para a prática do crime, o que seria inerente ao tipo penal de
estelionato.
2. Diversamente, consoante restou consignado pelas instâncias
ordinárias, houve, de fato, a adoção de modus operandi que superou a
normalidade típica, visto que o ardil, no caso concreto, foi de
difícil detecção, envolvendo a exaustiva falsificação documental e a
inserção de vínculos inexistentes no sistema. Além disso, a
sentença afirmou que o recorrente foi o principal responsável pela
fraude, tendo ele a atribuição de inserção extemporânea dos vínculos
nos sistemas da autarquia previdenciária.
3. Ainda, não tem razão a defesa ao afirmar que o agravamento da
basilar deu-se em razão de o crime ter sido cometido contra o
Instituto Nacional do Seguro Social - INSS, o que já teria
justificado a incidência da causa de aumento do § 3º do art. 171 do
Código Penal - CP. Isso porque, como já referido, a maior
censurabilidade da conduta deveu-se ao modus operandi do crime e à
função exercida pelo réu, e não à qualidade da vítima.
4. Destarte, não há ilegalidade a ser reparada na dosimetria da
pena, porquanto a negativação da vetorial circunstâncias do delito
não se reduziu a elementos ínsitos ao crime de estelionato
previdenciário.
5. Agravo regimental desprovido.
Dispositivo transcrito
Vistos e relatados estes autos em que são partes as acima
indicadas, acordam os Ministros da QUINTA TURMA do Superior Tribunal
de Justiça, em sessão virtual de 04/06/2024 a 10/06/2024, por
unanimidade, negar provimento ao recurso, nos termos do voto do Sr.
Ministro Relator.
Os Srs. Ministros Reynaldo Soares da Fonseca, Ribeiro Dantas, Messod
Azulay Neto e Daniela Teixeira votaram com o Sr. Ministro Relator.
Presidiu o julgamento o Sr. Ministro Messod Azulay Neto.