STJ — 728569
Proveniência: STJ — acórdãos públicos. SHA-256 da fonte preservada: 7614307ce62003b6f3bee4742cd6b6b85ada914a7c10ba1772acee0dec0e666d
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Ementa
PROCESSO PENAL. AGRAVO REGIMENTAL NO HABEAS CORPUS. ROUBO
CIRCUNSTANCIADO. DOSIMETRIA. PENA-BASE. CULPABILIDADE. CRIME
PRATICADO ENQUANTO O RÉU CUMPRIA PENA NO REGIME ABERTO POR OUTRO
DELITO. MAIOR REPROVABILIDADE DA CONDUTA. AUSÊNCIA DE ILEGALIDADE.
ANTECEDENTES. POSSIBILIDADE DE CONFIGURAÇÃO DE MAUS ANTECEDENTES
QUANDO A CONDENAÇÃO DEFINITIVA PELO CRIME ANTERIOR OCORRER APÓS O
COMETIMENTO DO CRIME EM QUESTÃO. REVISÃO DO ENTENDIMENTO DE QUE AS
INFORMAÇÕES NECESSÁRIAS À NEGATIVAÇÃO DOS ANTECEDENTES JÁ CONSTAVAM
DOS AUTOS JUDICIAIS QUANDO DA SENTENÇA. IMPOSSIBILIDADE NA VIA
ELEITA. TERCEIRA FASE DA DOSIMETRIA. CONCURSO DE AGENTES E EMPREGO
DE ARMA DE FOGO. APLICAÇÃO CUMULATIVA DAS CAUSAS DE AUMENTO.
EXISTÊNCIA DE FUNDAMENTAÇÃO CONCRETA. AGRAVO REGIMENTAL DESPROVIDO.
1. Na esteira da orientação jurisprudencial desta Corte, por se
tratar de questão afeta a certa discricionariedade do magistrado, a
dosimetria da pena é passível de revisão em habeas corpus apenas em
hipóteses excepcionais, quando ficar evidenciada flagrante
ilegalidade, constatada de plano, sem a necessidade de maior
aprofundamento no acervo fático-probatório.
2. Na espécie, o Tribunal de origem estabeleceu a reprimenda básica
acima do mínimo legal, considerando desfavorável a circunstância
judicial relativa à culpabilidade, tendo em vista que o paciente
praticou o crime de roubo circunstanciado durante o período de
cumprimento de pena em regime aberto imposta em outro processo. Tal
fundamentação se mostra adequada para a exasperação da pena-base,
pois anuncia o maior grau de reprovabilidade da conduta do acusado,
bem como o menosprezo especial ao bem jurídico violado. Precedentes.
3. Os antecedentes foram corretamente desabonados pelo Tribunal
local pela prática de crime anterior, proceder correto para a
negativação da referida circunstância judicial. Assim, a negativação
dos antecedentes não foi implementada de forma ilegal pelo Tribunal
local, uma vez que, em que pese a condenação utilizada para tanto
tenha transitado posteriormente ao fato criminoso ora imputado ao
agravante, referia-se a conduta praticada em momento anterior. E,
"segundo a orientação desta Corte Superior, a condenação definitiva
por fato anterior ao crime descrito na denúncia, com trânsito em
julgado posterior à data do ilícito de que ora se cuida, embora não
configure a agravante da reincidência, pode caracterizar maus
antecedentes e ensejar o acréscimo da pena-base" (AgRg no HC n.
607.497/SC, relator Ministro ROGÉRIO SCHIETTI CRUZ, SEXTA TURMA,
julgado em 22/9/2020, DJe 30/9/2020).
4. Ademais, para ser revisada a conclusão do acórdão impugnado de
que já existia nos autos digitais a certidão que permitia a
negativação dos antecedentes, exige-se a imersão no conjunto
fático-probatório aos autos, medida sabidamente interditada na via
do habeas corpus.
5. Nos termos da orientação desta Casa, presentes duas causas de
aumento, possível a aplicação das majorantes de forma cumulada na
terceira etapa do cálculo da reprimenda. O art. 68, parágrafo único,
do Código Penal não obriga que o magistrado aplique apenas uma causa
de aumento quando estiver diante de concurso de majorantes.
6. Assim, "tendo sido o crime de roubo praticado com o efetivo
emprego de arma de fogo e ainda mediante concurso de cinco agentes,
correta foi a incidência separada e cumulativa das duas causas de
aumento" (AgRg no HC n. 512.001/SP, relator Ministro NEFI CORDEIRO,
SEXTA TURMA, julgado em 15/8/2019, DJe 29/8/2019).
7. No presente caso, constata-se que não ocorreu a cumulação
injustificada das causas de aumento do delito de roubo
circunstanciado, pois a jurisdição ordinária consignou a necessidade
de aplicação de ambas as majorantes pelas peculiaridades do crime,
que foi praticado por 4 indivíduos e grave ameaça com emprego de
arma de fogo. Existência de fundamentação concreta para a aplicação
cumulativa das causas de aumento em 1/3 e 2/3.
8. Agravo regimental desprovido.
Dispositivo transcrito
Vistos, relatados e discutidos os autos em que são partes as acima
indicadas, acordam os Ministros da Sexta Turma do Superior Tribunal
de Justiça, por unanimidade, negar provimento ao agravo regimental
nos termos do voto do Sr. Ministro Relator. Os Srs. Ministros Olindo
Menezes (Desembargador Convocado do TRF 1ª Região), Laurita Vaz,
Sebastião Reis Júnior e Rogerio Schietti Cruz votaram com o Sr.
Ministro Relator.