Inteiro teor do voto não fornecido no registro original; ementa e dispositivo são preservados integralmente abaixo.
Assunto e questão jurídica conforme a ementa oficial
PROCESSUAL CIVIL. ADMINISTRATIVO. IMPROBIDADE ADMINISTRATIVA. DESPROVIMENTO DO AGRAVO INTERNO. MANUTENÇÃO DA DECISÃO RECORRIDA. I - Na origem, trata-se de ação civil pública por ato de improbidade administrativa ajuizada pelo Ministério Público Federal. Sustenta-se que os acusados, enquanto prefeito do município de Jundiá/AL, auxiliado pelo então procurador municipal, firmou com a empresa ré, mediante dispensa de licitação, contrato para a realização de shows artísticos no evento intitulado "IX Jundiá Fest 2010", cujas despesas foram, em maior parte, custeadas com verbas federais repassadas pelo Ministério do Turismo em razão do Convênio. II…
Ementa
PROCESSUAL CIVIL. ADMINISTRATIVO. IMPROBIDADE ADMINISTRATIVA.
DESPROVIMENTO DO AGRAVO INTERNO. MANUTENÇÃO DA DECISÃO RECORRIDA.
I - Na origem, trata-se de ação civil pública por ato de improbidade
administrativa ajuizada pelo Ministério Público Federal.
Sustenta-se que os acusados, enquanto prefeito do município de
Jundiá/AL, auxiliado pelo então procurador municipal, firmou com a
empresa ré, mediante dispensa de licitação, contrato para a
realização de shows artísticos no evento intitulado "IX Jundiá Fest
2010", cujas despesas foram, em maior parte, custeadas com verbas
federais repassadas pelo Ministério do Turismo em razão do Convênio.
II - Proferida sentença (fls. 1.055-1.080), a demanda foi julgada
improcedente ante a ausência de dolo, violação dos princípios da
administração pública e efetivo prejuízo ao erário. Interposto
recurso de apelação pelo Ministério Público Federal, por unanimidade
de votos, a Segunda Turma do TRF da 5ª Região negou provimento ao
recurso.
III - Verifica-se, no entanto, que a prestação jurisdicional foi
dada na medida da pretensão deduzida, uma vez que o acórdão
recorrido e o seu respectivo aclaratório apreciaram
fundamentadamente, de modo coerente e suficiente, as questões
necessárias à solução da controvérsia, dando-lhes, contudo, solução
jurídica diversa da pretendida.
IV - Na forma da jurisprudência do STJ, não se pode confundir
decisão contrária ao interesse da parte com ausência de
fundamentação ou negativa de prestação jurisdicional. Nesse sentido:
AgInt no AREsp n. 1.599.544/ES, relatora Ministra Assusete
Magalhães, Segunda Turma, julgado em 16/10/2023, DJe de 19/10/2023;
AgInt no REsp n. 1.974.401/MG, relator Ministro Francisco Falcão,
Segunda Turma, julgado em 21/8/2023, DJe de 23/8/2023; EDcl no REsp
1.816.457/SP, relator Ministro Herman Benjamin, Segunda Turma, DJe
de 18/5/2020.
V - Ademais, conforme entendimento pacífico desta Corte, "o julgador
não está obrigado a responder a todas as questões suscitadas pelas
partes, quando já tenha encontrado motivo suficiente para proferir a
decisão". A prescrição trazida pelo art. 489 do CPC/2015 confirma a
jurisprudência já sedimentada pelo Colendo Superior Tribunal de
Justiça, "sendo dever do julgador apenas enfrentar as questões
capazes de infirmar a conclusão adotada na decisão recorrida". (EDcl
no MS 21.315/DF, relatora Ministra Diva Malerbi (Desembargadora
convocada TRF 3ª Região), Primeira Seção, julgado em 8/6/2016, DJe
15/6/2016.)
VI - Destarte, inexistindo omissão, contradição, obscuridade ou erro
material e tendo o Tribunal a quo apreciado a controvérsia
fundamentadamente, dando-lhe, porém, solução diversa da pretendida
pelo recorrente, não se constata a mencionada ofensa ao art. 1.022
do CPC.
VII - Em seguida, no que tange à ofensa ao art. 11 da LIA, argumenta
o recorrente que a contratação direta da empresa ré, ora recorrida,
foi realizada fora das hipóteses legais, visto que "a carta de
exclusividade apresentada (...) destinava-se, em verdade, unicamente
àquele evento", sendo, portanto, evidenciado o dolo genérico,
suficiente à condenação.
VIII - No entanto, sem razão, em detida análise dos autos,
verifica-se do acórdão recorrido que, à luz da legislação vigente,
não ficou demonstrado cabalmente que os recorridos agiram com o dolo
necessário à configuração do ato ímprobo. É dizer que ausente está
o necessário elemento anímico da conduta ímproba, sem o qual não é
possível a caracterização da tipicidade subjetiva da ilicitude
guerreada pela Lei n. 8.429/92. Para além da ausência dos elementos
indicativos do dolo, sobressalta também que não há comprovação da
ocorrência de efetivo prejuízo ao erário, sobretudo, quando
comprovado documentalmente e por testemunhas que o evento
efetivamente ocorreu.
IX - Nessa perspectiva, concluir de modo diverso acerca da
existência ou não de dolo na conduta dos recorridos demandaria o
necessário reexame do conjunto fático-probatório dos autos, o que é
vedado em recurso especial.
X - Em outras palavras, o enfrentamento das alegações atinentes à
caracterização da conduta ímproba, sob a perspectiva objetiva - de
existência ou não de prejuízo ao erário ou de violação ou não de
princípios regentes da administração pública - e subjetiva -
consubstanciada pela existência ou não de elemento anímico, demanda
inconteste revolvimento fático-probatório, tratando-se de
providência vedada nesta instância superior, consoante enunciado da
Súmula n. 7 do STJ. O raciocínio jurídico ora perfilhado não
discrepa do adotado por este Corte: AgInt no AREsp n. 2.117.559/PR,
relator Ministro Herman Benjamin, Segunda Turma, julgado em
16/10/2023, DJe de 18/12/2023; AgInt no AREsp n. 1.788.517/SP,
relator Ministro Herman Benjamin, Segunda Turma, julgado em
9/11/2021, DJe de 26/9/2022.
XI - Destarte, sobejou, diante do conjunto probatório amealhado aos
autos e assim reconhecido pela decisão impugnada, a inexistência não
só de prejuízo ao erário ou de violação dos princípios regentes da
administração pública, mas também a ausência do elemento anímico,
necessários à configuração do ato ímprobo, pelo que, ante o óbice
imposto pela Súmula n. 7 desta Corte Superior, não há como revisar
tais conclusões da instância ordinária.
XII - Agravo interno improvido.
Dispositivo transcrito
Vistos e relatados estes autos em que são partes as acima
indicadas, acordam os Ministros da SEGUNDA TURMA do Superior
Tribunal de Justiça, em sessão virtual de 22/10/2024 a 28/10/2024,
por unanimidade, negar provimento ao recurso, nos termos do voto do
Sr. Ministro Relator.
Os Srs. Ministros Maria Thereza de Assis Moura, Teodoro Silva Santos
e Afrânio Vilela votaram com o Sr. Ministro Relator.
Presidiu o julgamento o Sr. Ministro Afrânio Vilela.
Recortes literais da ementa, dispositivo e referências do STJ. Não substituem o voto ou inteiro teor ausente, nem constituem tese autoral.