STJ — 2168268
Proveniência: STJ — acórdãos públicos. SHA-256 da fonte preservada: 28740c83e8937b6574e0093f9ced635d6877c8dd0a377e4d395f11b4d118d489
Registro público original completo (JSON)
Inteiro teor do voto não fornecido no registro original; ementa e dispositivo são preservados integralmente abaixo.
Assunto e questão jurídica conforme a ementa oficial
RECURSO ESPECIAL. DIREITO CIVIL. AGRAVO DE INSTRUMENTO EM CUMPRIMENTO DE SENTENÇA. FALECIMENTO DO DEVEDOR ORIGINÁRIO. SUCESSÃO NOS LIMITES DA HERANÇA. VALOR REAL DOS DIREITOS CREDITÓRIOS HERDADOS.
Fundamentos transcritos da ementa — itens numerados pelo STJ
- A controvérsia dos autos resume-se em definir se o valor nominal de uma nota promissória, registrado em uma escritura pública de inventário e partilha, deve ser obrigatoriamente utilizado para calcular o valor do patrimônio transferido por herança e, consequentemente, estabelecer o alcance das obrigações sucessórias.
- Após concluída a partilha, cada herdeiro responde proporcionalmente à parte herdada que lhe coube até o limite do acréscimo patrimonial dela decorrente. Precedentes.
- A determinação das forças da herança, em sua extensão objetiva, deve por em relevo o sentido econômico do acréscimo patrimonial, devendo seu real valor ser mensurado conforme a natureza do bem jurídico herdado.
- A nota promissória, enquanto título de crédito cambial, é bem móvel que materializa direito literal, autônomo e abstrato, destinado a facilitar a circulação econômica de crédito, reduzindo seus riscos jurídicos e econômicos ao afastar a possibilidade de oposição de exceções pessoais contra endossatários.
- A avaliação econômica para determinar o real valor de mercado dos títulos e do próprio crédito deve levar em consideração aspectos relacionados aos riscos de crédito (inadimplência e mora), além do tempo de antecipação da disponibilidade financeira e da chance de recuperação dos créditos em mora, motivo pelo qual o valor nominal constante de escritura pública, por si só, não é suficiente para quantificar o valor do bem herdado.
- Essa quantificação do valor real do título, ainda que não seja simples, especialmente para aqueles vencidos e não pagos, é imprescindível e deve anteceder à eventual penhora de valores pessoais dos herdeiros, concretizando a limitação de sua responsabilidade pessoal.
- No caso dos autos, entretanto, o emissor da nota promissória herdada encontra-se submetido a processo falimentar, de modo que a eventual satisfação do título deverá se dar no âmbito daquele juízo universal, obedecidas as regras concursais, fazendo jus o credor do autor da herança ao recebimento de rateios com prioridade sobre os herdeiros.
- Recurso especial conhecido e parcialmente provido.
Trechos literais, sem inferência de tese ou aplicação automática ao caso de terceiros.
Ementa
RECURSO ESPECIAL. DIREITO CIVIL. AGRAVO DE INSTRUMENTO EM
CUMPRIMENTO DE SENTENÇA. FALECIMENTO DO DEVEDOR ORIGINÁRIO. SUCESSÃO
NOS LIMITES DA HERANÇA. VALOR REAL DOS DIREITOS CREDITÓRIOS
HERDADOS.
1. A controvérsia dos autos resume-se em definir se o valor nominal
de uma nota promissória, registrado em uma escritura pública de
inventário e partilha, deve ser obrigatoriamente utilizado para
calcular o valor do patrimônio transferido por herança e,
consequentemente, estabelecer o alcance das obrigações sucessórias.
2. Após concluída a partilha, cada herdeiro responde
proporcionalmente à parte herdada que lhe coube até o limite do
acréscimo patrimonial dela decorrente. Precedentes.
3. A determinação das forças da herança, em sua extensão objetiva,
deve por em relevo o sentido econômico do acréscimo patrimonial,
devendo seu real valor ser mensurado conforme a natureza do bem
jurídico herdado.
4. A nota promissória, enquanto título de crédito cambial, é bem
móvel que materializa direito literal, autônomo e abstrato,
destinado a facilitar a circulação econômica de crédito, reduzindo
seus riscos jurídicos e econômicos ao afastar a possibilidade de
oposição de exceções pessoais contra endossatários.
5. A avaliação econômica para determinar o real valor de mercado dos
títulos e do próprio crédito deve levar em consideração aspectos
relacionados aos riscos de crédito (inadimplência e mora), além do
tempo de antecipação da disponibilidade financeira e da chance de
recuperação dos créditos em mora, motivo pelo qual o valor nominal
constante de escritura pública, por si só, não é suficiente para
quantificar o valor do bem herdado.
6. Essa quantificação do valor real do título, ainda que não seja
simples, especialmente para aqueles vencidos e não pagos, é
imprescindível e deve anteceder à eventual penhora de valores
pessoais dos herdeiros, concretizando a limitação de sua
responsabilidade pessoal.
7. No caso dos autos, entretanto, o emissor da nota promissória
herdada encontra-se submetido a processo falimentar, de modo que a
eventual satisfação do título deverá se dar no âmbito daquele juízo
universal, obedecidas as regras concursais, fazendo jus o credor do
autor da herança ao recebimento de rateios com prioridade sobre os
herdeiros.
8. Recurso especial conhecido e parcialmente provido.
Dispositivo transcrito
Vistos e relatados estes autos em que são partes as acima
indicadas, acordam os Ministros da TERCEIRA TURMA, por unanimidade,
conhecer do recurso especial e lhe dar parcial provimento, nos
termos do voto do Sr. Ministro Relator.
Os Srs. Ministros Nancy Andrighi, Humberto Martins e Moura Ribeiro
votaram com o Sr. Ministro Relator.
Presidiu o julgamento o Sr. Ministro Humberto Martins.
Recortes literais da ementa, dispositivo e referências do STJ. Não substituem o voto ou inteiro teor ausente, nem constituem tese autoral.