STJ — 838651
Proveniência: STJ — acórdãos públicos. SHA-256 da fonte preservada: f25ef899e34ff01a2cc0f5af746ab48e8062ecf25425c481067f86c6e71020d5
Registro público original completo (JSON)
Quadro documental do acórdão — seções literais do STJ
Transcrição dos títulos e fundamentos expressamente delimitados na ementa oficial, sem síntese ou tese criada por IA.
I. CASO EM EXAME
1. Habeas corpus impetrado como substitutivo de recurso especial,
visando à revisão da dosimetria da pena aplicada por crime de roubo
majorado. A defesa alegou ilegalidade no reconhecimento dos maus
antecedentes e questionou a ausência de reconhecimento da atenuante
da confissão, por ter sido parcial.
II. QUESTÃO EM DISCUSSÃO
2. Há duas questões centrais em discussão: (i) a validade do
reconhecimento de maus antecedentes com base em condenações
anteriores alcançadas pelo período depurador de 5 anos previsto no
art. 64, I, do Código Penal; (ii) a possibilidade de reconhecimento
da atenuante da confissão, ainda que parcial.
III. RAZÕES DE DECIDIR
3. A jurisprudência do Superior Tribunal de Justiça é consolidada no
sentido de que condenações anteriores, mesmo alcançadas pelo
período depurador de 5 anos, podem ser utilizadas para caracterizar
maus antecedentes, conforme estabelecido no RE n. 593.818 (Tema 150
da Repercussão Geral do STF).
4. A aplicação do direito ao esquecimento em relação aos
antecedentes criminais somente é viável após o transcurso de 10 anos
entre a extinção da pena anterior e o novo delito, o que não se
verifica no presente caso, uma vez que não houve o decurso desse
prazo entre as condenações pregressas e o novo crime.
5. Quanto à confissão parcial, a jurisprudência pacífica desta
Corte, respaldada pela Súmula 545/STJ, admite sua compensação com a
agravante da reincidência, sendo irrelevante a extensão ou a
qualificação da confissão para esse fim.
6. Assim, impõe-se o redimensionamento da pena para compensar a
confissão com a reincidência, mantendo a pena-base fixada com o
aumento de 1/3 pela majorante do emprego de arma de fogo.
IV. Habeas corpus não conhecido. Ordem concedida de ofício para
redimensionar a pena do paciente para 6 anos, 2 meses e 2 dias de
reclusão e 15 dias-multa, em razão do reconhecimento da atenuante da
confissão, mantendo-se os demais termos da condenação.
Inteiro teor do voto não fornecido no registro original; ementa e dispositivo são preservados integralmente abaixo.
Ementa
PROCESSUAL PENAL. HABEAS CORPUS SUBSTITUTIVO DE RECURSO PRÓPRIO.
ROUBO MAJORADO. DOSIMETRIA. MAUS ANTECEDENTES. INAPLICABILIDADE DO
DIREITO AO ESQUECIMENTO. RECONHECIMENTO DA ATENUANTE DA CONFISSÃO
AINDA QUE PARCIAL. COMPENSAÇÃO COM A REINCIDÊNCIA. REDIMENSIONAMENTO
DA PENA. HABEAS CORPUS NÃO CONHECIDO. ORDEM CONCEDIDA DE OFÍCIO.
I. CASO EM EXAME
1. Habeas corpus impetrado como substitutivo de recurso especial,
visando à revisão da dosimetria da pena aplicada por crime de roubo
majorado. A defesa alegou ilegalidade no reconhecimento dos maus
antecedentes e questionou a ausência de reconhecimento da atenuante
da confissão, por ter sido parcial.
II. QUESTÃO EM DISCUSSÃO
2. Há duas questões centrais em discussão: (i) a validade do
reconhecimento de maus antecedentes com base em condenações
anteriores alcançadas pelo período depurador de 5 anos previsto no
art. 64, I, do Código Penal; (ii) a possibilidade de reconhecimento
da atenuante da confissão, ainda que parcial.
III. RAZÕES DE DECIDIR
3. A jurisprudência do Superior Tribunal de Justiça é consolidada no
sentido de que condenações anteriores, mesmo alcançadas pelo
período depurador de 5 anos, podem ser utilizadas para caracterizar
maus antecedentes, conforme estabelecido no RE n. 593.818 (Tema 150
da Repercussão Geral do STF).
4. A aplicação do direito ao esquecimento em relação aos
antecedentes criminais somente é viável após o transcurso de 10 anos
entre a extinção da pena anterior e o novo delito, o que não se
verifica no presente caso, uma vez que não houve o decurso desse
prazo entre as condenações pregressas e o novo crime.
5. Quanto à confissão parcial, a jurisprudência pacífica desta
Corte, respaldada pela Súmula 545/STJ, admite sua compensação com a
agravante da reincidência, sendo irrelevante a extensão ou a
qualificação da confissão para esse fim.
6. Assim, impõe-se o redimensionamento da pena para compensar a
confissão com a reincidência, mantendo a pena-base fixada com o
aumento de 1/3 pela majorante do emprego de arma de fogo.
IV. Habeas corpus não conhecido. Ordem concedida de ofício para
redimensionar a pena do paciente para 6 anos, 2 meses e 2 dias de
reclusão e 15 dias-multa, em razão do reconhecimento da atenuante da
confissão, mantendo-se os demais termos da condenação.
Dispositivo transcrito
Vistos e relatados estes autos em que são partes as acima
indicadas, acordam os Ministros da Turma, por unanimidade, não
conhecer do pedido e conceder "Habeas Corpus" de ofício, nos termos
do voto da Sra. Ministra Relatora.
Os Srs. Ministros Reynaldo Soares da Fonseca, Ribeiro Dantas, Joel
Ilan Paciornik e Messod Azulay Neto votaram com a Sra. Ministra
Relatora.
Presidiu o julgamento o Sr. Ministro Messod Azulay Neto.
Recortes literais da ementa, dispositivo e referências do STJ. Não substituem o voto ou inteiro teor ausente, nem constituem tese autoral.