STJ — 2734542
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Ementa
DIREITO PENAL E PROCESSUAL PENAL. AGRAVO REGIMENTAL. TRÁFICO DE
DROGAS. DESCLASSIFICAÇÃO PARA POSSE DE DROGAS PARA CONSUMO PRÓPRIO.
APREENSÃO DE QUANTIDADE ÍNFIMA. POSSIBILIDADE. REVALORAÇÃO DE PROVAS
INCONTROVERSAS. PRECEDENTES. RECURSO PROVIDO.
I. CASO EM EXAME
1. Recurso especial interposto contra acórdão que manteve a
condenação dos recorrentes pelo crime de tráfico de drogas (art. 33,
caput, da Lei nº 11.343/2006). A defesa pleiteia a desclassificação
da conduta para o crime de posse de drogas para consumo próprio
(art. 28 da Lei nº 11.343/2006), alegando insuficiência de provas
para configurar o tráfico.
II. QUESTÃO EM DISCUSSÃO
2. Há uma questão em discussão: (i) definir se a conduta dos
recorrentes se amolda ao crime de tráfico de drogas (art. 33) ou ao
crime de posse para consumo próprio (art. 28), à luz da quantidade
de entorpecentes apreendidos e das circunstâncias do caso.
III. RAZÕES DE DECIDIR
3. A questão envolve apenas a revaloração de fatos incontroversos,
não demandando o revolvimento fático-probatório. A controvérsia
reside na subsunção dos fatos já provados ao tipo penal aplicável.
4. A jurisprudência consolidada do Superior Tribunal de Justiça
(STJ) permite a desclassificação para o crime de posse para consumo
próprio quando a análise se limita à revaloração de fatos
incontroversos, como no caso em tela.
5. A quantidade de droga apreendida - 0,68g de cocaína e 1,25g de
maconha - é insuficiente para configurar a traficância,
especialmente à luz da jurisprudência desta Corte e do princípio do
in dubio pro reo.
6. O art. 28, §2º, da Lei nº 11.343/2006 estabelece parâmetros para
diferenciar o tráfico do uso pessoal, considerando a natureza e
quantidade da droga, o local da apreensão e as condições pessoais do
agente. Não havendo outros elementos indicativos de traficância,
prevalece a presunção de posse para consumo próprio.
IV. AGRAVO CONHECIDO PARA DAR PROVIMENTO AO RECURSO ESPECIAL.
Dispositivo transcrito
Vistos e relatados estes autos em que são partes as acima
indicadas, acordam os Ministros da Turma, por unanimidade, conhecer
do agravo para dar provimento ao recurso especial, nos termos do
voto da Sra. Ministra Relatora.
Os Srs. Ministros Ribeiro Dantas e Messod Azulay Neto votaram com a
Sra. Ministra Relatora.
Presidiu o julgamento o Sr. Ministro Messod Azulay Neto.
Ausentes, justificadamente, os Srs. Ministros Reynaldo Soares da
Fonseca e Joel Ilan Paciornik.