Inteiro teor do voto não fornecido no registro original; ementa e dispositivo são preservados integralmente abaixo.
AGRAVO REGIMENTAL NO HABEAS CORPUS. EXECUÇÃO PENAL. IMPUGNAÇÃO MINISTERIAL ESTADUAL. PROGRESSÃO AO REGIME SEMIABERTO. EXAME CRIMINOLÓGICO OBRIGATÓRIO. NOVA REDAÇÃO DADA PELA LEI Nº 14.843/2024. ILEGALIDADE. NORMA DE EXECUÇÃO PENAL DE CARÁTER MATERIAL PENAL. FATOS ANTERIORES À LEI. VIOLAÇÃO DO PRINCÍPIO DA IRRETROATIVIDADE DA LEI PENAL MAIS GRAVOSA. AUSÊNCIA DE FALTAS GRAVES. FUNDAMENTOS ABSTRATOS UTILIZADOS PELA CORTE DE ORIGEM. RECURSO IMPROVIDO. 1- A exigência de realização de exame criminológico para toda e qualquer progressão de regime, nos termos da Lei n. 14/843/2024, constitui novatio legis in pejus, pois incrementa requisito, tornando…
Ementa
AGRAVO REGIMENTAL NO HABEAS CORPUS. EXECUÇÃO PENAL. IMPUGNAÇÃO
MINISTERIAL ESTADUAL. PROGRESSÃO AO REGIME SEMIABERTO. EXAME
CRIMINOLÓGICO OBRIGATÓRIO. NOVA REDAÇÃO DADA PELA LEI Nº
14.843/2024. ILEGALIDADE. NORMA DE EXECUÇÃO PENAL DE CARÁTER
MATERIAL PENAL. FATOS ANTERIORES À LEI. VIOLAÇÃO DO PRINCÍPIO DA
IRRETROATIVIDADE DA LEI PENAL MAIS GRAVOSA. AUSÊNCIA DE FALTAS
GRAVES. FUNDAMENTOS ABSTRATOS UTILIZADOS PELA CORTE DE ORIGEM.
RECURSO IMPROVIDO.
1- A exigência de realização de exame criminológico para toda e
qualquer progressão de regime, nos termos da Lei n. 14/843/2024,
constitui novatio legis in pejus, pois incrementa requisito,
tornando mais difícil alcançar regimes prisionais menos gravosos à
liberdade.2. A retroatividade dessa norma se mostra
inconstitucional, diante do art. 5º, XL, da Constituição Federal, e
ilegal, nos termos do art. 2º do Código Penal.3. No caso, todas as
condenações do paciente são anteriores à Lei n. 14.843/2024, não
sendo aplicável a disposição legal em comento de forma retroativa.4.
Recurso em habeas corpus provido para afastar a aplicação do § 1º
do art. 112 da Lei de Execução Penal, com redação dada pela Lei n.
14.843/2024, determinando o retorno dos autos ao Juízo da execução
para que prossiga na análise do pedido de progressão de regime (RHC
n. 200.670/GO, relator Ministro SEBASTIÃO REIS JÚNIOR, Sexta Turma,
julgado em 20/8/2024, DJe de 23/8/2024).
2- No caso, segundo o juiz da execução penal, o recorrente já vinha
cumprindo pena por fatos anteriores à referida modificação
legislativa. Portanto, não é possível incidir lei posterior, de
caráter material, para prejudicá-lo. Com isso, o caso deve ser
examinado nos moldes da legislação e jurisprudência prévias à Lei n.
14.843/2024.
3-[...] 3. Sem razão o regimental, pois a decisão recorrida está de
acordo com o entendimento jurisprudencial desta Corte Superior, uma
vez que a gravidade abstrata, a longa pena a cumprir e a
reincidência não constituem fundamentos idôneos a justificar a
necessidade de realização de exame criminológico. Precedentes. 4.
Agravo regimental improvido. (AgRg no HC 696.604/ES, Rel. Ministro
SEBASTIÃO REIS JÚNIOR, SEXTA TURMA, julgado em 19/10/2021, D Je
22/10/2021).
4- No caso, o Magistrado singular, na ocasião em que concedera a
progressão ao regime semiaberto, relatou que o ora recorrente não
possui faltas disciplinares. O próprio Tribunal coator registrou que
a Secretaria de Administração Penitenciária atestou "bom"
comportamento carcerário (14.6.2024, fls. 14) e não há registro
faltas disciplinares. Além disso, o Tribunal não utilizou
fundamentos concretos, relacionados ao cumprimento da pena corporal,
para justificar a realização do exame criminológico, destacando
apenas elementos abstratos, ao mencionar a gravidade dos delitos
praticados pelo executado e a sua reincidência, elementos que não
podem ser mais avaliados na fase de execução, porquanto já sopesados
pelo legislador, ao tipificar o crime e sua pena, e pelo julgador,
ao fixar o quantum da reprimenda. Assim, não foi relatado, de forma
concreta, em nenhum momento, o comportamento do executado na
execução penal e suas eventuais faltas disciplinares, ou seja, não
foram tecidos fundamentos concretos a justificar a realização do
exame criminológico, devendo ser retomada a decisão do Juízo, de
deferimento da progressão ao regime semiaberto.
5- Agravo Regimental não provido.
Dispositivo transcrito
Vistos e relatados estes autos em que são partes as acima
indicadas, acordam os Ministros da QUINTA TURMA, por unanimidade,
negar provimento ao recurso, nos termos do voto do Sr. Ministro
Relator.
Os Srs. Ministros Ribeiro Dantas, Joel Ilan Paciornik, Messod Azulay
Neto e Daniela Teixeira votaram com o Sr. Ministro Relator.
Presidiu o julgamento o Sr. Ministro Messod Azulay Neto.
Recortes literais da ementa, dispositivo e referências do STJ. Não substituem o voto ou inteiro teor ausente, nem constituem tese autoral.
Comentário de Rafael Toledo
Análise autoral de leitura documental, separada do teor oficial.
Neste registro, o processo 943774 no STJ está identificado por “AGRAVO REGIMENTAL NO HABEAS CORPUS”. Esse é o dado documental disponível para orientar a leitura. O campo de assunto não está informado nesta representação, de modo que não o completo por aproximação com outros processos.
O órgão indicado é “QUINTA TURMA”. Esse vínculo permite localizar a unidade registrada e acompanhar seus atos. A identificação do órgão não informa, por si, o conteúdo de uma decisão ou o acolhimento de um pedido.
Neste acórdão, a análise deve relacionar a ementa ao dispositivo preservado. A ementa apresenta a questão e a fundamentação resumida; o dispositivo registra a deliberação textual. Uma expressão retirada de um deles não substitui a leitura conjunta do documento.
O registro disponível não contém o inteiro teor do voto. Por isso, este comentário se limita à organização da fonte publicada; argumentos, fatos ou ressalvas ausentes não são reconstruídos como se fossem afirmações do tribunal.
Fonte oficial que sustenta este comentário
Identidade e proveniência do comentário
Autoria: Rafael Toledo. Versão: 2026-10-22.1. SHA-256 da fonte:
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