STJ — 777808
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Ementa
DIREITO PENAL E PROCESSUAL PENAL. AGRAVO REGIMENTAL. HABEAS CORPUS.
ROUBO MAJORADO. DOSIMETRIA. PENA-BASE. MAUS ANTECEDENTES. DIREITO AO
ESQUECIMENTO. IMPOSSIBILIDADE DE APLICAÇÃO. HABEAS CORPUS NÃO
CONHECIDO. DECISÃO MANTIDA. AGRAVO REGIMENTAL DESPROVIDO.
I. CASO EM EXAME
1. Agravo regimental interposto contra decisão que não conheceu de
habeas corpus impetrado em favor de réu condenado pelo Tribunal de
Justiça do Estado de Santa Catarina, como incurso no art. 157, § 2º,
I, II e V, do Código Penal. A parte agravante pleiteia o
afastamento da valoração negativa dos antecedentes criminais na
dosimetria da pena, argumentando que o crime anterior, utilizado
como antecedente, ocorreu em 2003, enquanto o fato apurado no
processo atual data de 2016.
II. QUESTÃO EM DISCUSSÃO
2. Há duas questões em discussão: (i) definir se a valoração dos
antecedentes criminais, referente a uma condenação de 2003, é válida
para o agravamento da pena; (ii) estabelecer se o direito ao
esquecimento pode ser aplicado no caso concreto para afastar os maus
antecedentes.
III. RAZÕES DE DECIDIR
3. O habeas corpus não é admitido como substituto de recurso próprio
ou revisão criminal, conforme entendimento consolidado do STJ e
STF, exceto em casos de flagrante ilegalidade, o que não se verifica
no presente caso.
4. A jurisprudência do STJ e STF é firme no sentido de que o prazo
depurador de 5 anos, previsto no art. 64, I, do Código Penal, não
impede a consideração de maus antecedentes, desde que a condenação
anterior esteja transitada em julgado.
5. A tese do direito ao esquecimento só pode ser excepcionalmente
aplicada quando transcorridos mais de 10 anos entre a extinção da
pena anterior e a prática do novo delito, o que não se observa no
caso dos autos, dado que não há comprovação da data de cumprimento
da pena anterior.
IV. AGRAVO REGIMENTAL DESPROVIDO.
Dispositivo transcrito
Vistos e relatados estes autos em que são partes as acima
indicadas, acordam os Ministros da QUINTA TURMA, por unanimidade,
negar provimento ao recurso, nos termos do voto da Sra. Ministra
Relatora.
Os Srs. Ministros Reynaldo Soares da Fonseca, Ribeiro Dantas, Joel
Ilan Paciornik e Messod Azulay Neto votaram com a Sra. Ministra
Relatora.
Presidiu o julgamento o Sr. Ministro Messod Azulay Neto.