STJ — 2340402
Proveniência: STJ — acórdãos públicos. SHA-256 da fonte preservada: c7ea0d03f242c18eedee5acee5c8aad5ee7a6ad9c9e4f6f8e37df1972266bb38
Registro público original completo (JSON)
Quadro documental do acórdão — seções literais do STJ
Transcrição dos títulos e fundamentos expressamente delimitados na ementa oficial, sem síntese ou tese criada por IA.
I. Caso em exame
1. Agravo em recurso especial interposto contra decisão do Tribunal
de Justiça do Estado de Alagoas que não admitiu recurso especial. O
recorrente foi condenado por dois crimes de lesão corporal e dois
crimes de ameaça, em continuidade delitiva, em contexto de violência
doméstica.
2. O juízo de primeira instância aplicou as regras do crime
continuado, considerando que os crimes ocorreram em contextos
fáticos distintos. A sentença foi parcialmente mantida pelo Tribunal
de Justiça, que decotou a vetorial "culpabilidade" e retificou a
pena em razão disso, mantidos os demais capítulos da sentença.
II. Questão em discussão
3. A questão em discussão consiste em saber se a condenação por dois
crimes de lesão corporal configura bis in idem, considerando que os
fatos ocorreram em contextos fáticos distintos, e se a negativação
da vetorial "conduta social" foi devidamente fundamentada.
4. Outra questão em discussão é se houve violação ao art. 617 do
CPP, em razão da manutenção da agravante na dosimetria da pena pelo
Tribunal de Justiça, em julgamento de recurso exclusivo da defesa.
III. Razões de decidir
5. As instâncias ordinárias concluíram que os crimes de lesão
corporal ocorreram em contextos fáticos distintos, justificando a
aplicação do crime continuado, não havendo bis in idem.
6. A negativação da conduta social foi fundamentada no comportamento
violento do réu. Ficou provado que réu tinha comportamento violento
no âmbito doméstico, que ele desacreditava perante as vítimas as
instituições do Estado, que a prisão seria, para ele, como um hotel,
e que ele atentaria contra a vida de todos assim que fosse solto.
Isso significa que ele atemorizava as vítimas de forma consistente,
causando terror psicológico, visando desestimular que elas levassem
a situação de violência doméstica por elas vivenciada ao
conhecimento das autoridades policiais, o que, certamente, indica
uma conduta social degenerada, violenta e que extrapola o ordinário,
autorizando a exacerbação da pena-base.
7. A manutenção de agravante na dosimetria da pena pelo Tribunal de
Justiça, em julgamento de recurso exclusivo da defesa, não configura
reformatio in pejus, pois a situação do recorrente não foi
agravada. A agravante do art. 61, II, "f", do Código Penal já tinha
sido aplicada pela sentença de primeiro grau, limitando-se o acórdão
recorrido a manter sua incidência na segunda fase da dosimetria da
pena, o que não configura reformatio in pejus, uma vez que a
situação do recorrente não foi agravada.
IV. Dispositivo e tese
8. Recurso de agravo conhecido e provido para conhecer e negar
provimento ao recurso especial.
Inteiro teor do voto não fornecido no registro original; ementa e dispositivo são preservados integralmente abaixo.
Ementa
DIREITO PENAL. AGRAVO EM RECURSO ESPECIAL. LESÃO CORPORAL E AMEAÇA
EM CONTEXTO DE VIOLÊNCIA DOMÉSTICA. CRIME CONTINUADO. LESÕES
CORPORAIS PRATICADAS EM CONTEXTOS FÁTICOS DISTINTOS. AUSÊNCIA DE
CRIME ÚNICO. DOSIMETRIA DA PENA. CONDUTA SOCIAL. TERROR PSICOLÓGICO
FAMILIAR. MOTIVAÇÃO IDÔNEA. MANUTENÇÃO DE AGRAVANTE EM RECURSO
EXCLUSIVO DA DEFESA. NÃO CONFIGURAÇÃO DE REFORMATIO IN PEJUS.
RECURSO ESPECIAL NÃO PROVIDO.
I. Caso em exame
1. Agravo em recurso especial interposto contra decisão do Tribunal
de Justiça do Estado de Alagoas que não admitiu recurso especial. O
recorrente foi condenado por dois crimes de lesão corporal e dois
crimes de ameaça, em continuidade delitiva, em contexto de violência
doméstica.
2. O juízo de primeira instância aplicou as regras do crime
continuado, considerando que os crimes ocorreram em contextos
fáticos distintos. A sentença foi parcialmente mantida pelo Tribunal
de Justiça, que decotou a vetorial "culpabilidade" e retificou a
pena em razão disso, mantidos os demais capítulos da sentença.
II. Questão em discussão
3. A questão em discussão consiste em saber se a condenação por dois
crimes de lesão corporal configura bis in idem, considerando que os
fatos ocorreram em contextos fáticos distintos, e se a negativação
da vetorial "conduta social" foi devidamente fundamentada.
4. Outra questão em discussão é se houve violação ao art. 617 do
CPP, em razão da manutenção da agravante na dosimetria da pena pelo
Tribunal de Justiça, em julgamento de recurso exclusivo da defesa.
III. Razões de decidir
5. As instâncias ordinárias concluíram que os crimes de lesão
corporal ocorreram em contextos fáticos distintos, justificando a
aplicação do crime continuado, não havendo bis in idem.
6. A negativação da conduta social foi fundamentada no comportamento
violento do réu. Ficou provado que réu tinha comportamento violento
no âmbito doméstico, que ele desacreditava perante as vítimas as
instituições do Estado, que a prisão seria, para ele, como um hotel,
e que ele atentaria contra a vida de todos assim que fosse solto.
Isso significa que ele atemorizava as vítimas de forma consistente,
causando terror psicológico, visando desestimular que elas levassem
a situação de violência doméstica por elas vivenciada ao
conhecimento das autoridades policiais, o que, certamente, indica
uma conduta social degenerada, violenta e que extrapola o ordinário,
autorizando a exacerbação da pena-base.
7. A manutenção de agravante na dosimetria da pena pelo Tribunal de
Justiça, em julgamento de recurso exclusivo da defesa, não configura
reformatio in pejus, pois a situação do recorrente não foi
agravada. A agravante do art. 61, II, "f", do Código Penal já tinha
sido aplicada pela sentença de primeiro grau, limitando-se o acórdão
recorrido a manter sua incidência na segunda fase da dosimetria da
pena, o que não configura reformatio in pejus, uma vez que a
situação do recorrente não foi agravada.
IV. Dispositivo e tese
8. Recurso de agravo conhecido e provido para conhecer e negar
provimento ao recurso especial.
Dispositivo transcrito
Vistos e relatados estes autos em que são partes as acima
indicadas, acordam os Ministros da Turma, por unanimidade, dar
provimento ao agravo para negar provimento ao recurso especial .
Os Srs. Ministros Reynaldo Soares da Fonseca, Ribeiro Dantas, Joel
Ilan Paciornik e Messod Azulay Neto votaram com a Sra. Ministra
Relatora.
Presidiu o julgamento o Sr. Ministro Messod Azulay Neto.
Recortes literais da ementa, dispositivo e referências do STJ. Não substituem o voto ou inteiro teor ausente, nem constituem tese autoral.