STJ — 2171550

Classe: RECURSO ESPECIALOrgao: QUINTA TURMARelator: DANIELA TEIXEIRAData Julgamento: 2024-12-17Data Publicacao: 2024-12-26

Proveniência: STJ — acórdãos públicos. SHA-256 da fonte preservada: 5483dfd467622923e96c88da43f95e260006c1757ee1639e9b9f96862df89702

Registro público original completo (JSON)

Quadro documental do acórdão — seções literais do STJ

Transcrição dos títulos e fundamentos expressamente delimitados na ementa oficial, sem síntese ou tese criada por IA.

I. CASO EM EXAME

1. Recurso especial interposto por condenado pelo crime de tráfico de drogas (art. 33, caput, da Lei nº 11.343/2006), que sustenta nulidade decorrente de suposta ilicitude na abordagem realizada por seguranças do aeroporto e busca a desclassificação do delito para o crime de posse para consumo pessoal (art. 28 da Lei nº 11.343/2006).

II. QUESTÃO EM DISCUSSÃO

2. Há duas questões em discussão: (i) analisar a licitude da abordagem inicial realizada por seguranças e a posterior busca pessoal; e (ii) definir se a conduta pela qual o recorrente foi condenado amolda-se ao tipo penal de tráfico de drogas ou ao crime de posse para consumo próprio.

III. RAZÕES DE DECIDIR

3. A abordagem inicial realizada por seguranças do aeroporto, seguida da condução do recorrente à autoridade policial, não configura ilegalidade, pois a conduta de solicitar documentos e conduzir o suspeito foi amparada pelo art. 301 do CPP, sendo facultada a qualquer cidadão. A busca pessoal foi efetivada apenas pela autoridade policial, o que não viola o procedimento legal. 4. A condenação pelo crime de tráfico de drogas não encontra lastro probatório suficiente, uma vez que a quantidade de droga apreendida (48,6g de maconha) não evidencia, por si só, destinação à traficância. 5. A análise das circunstâncias fáticas, considerando o art. 28, § 2º, da Lei nº 11.343/2006, como a pequena quantidade da substância e a ausência de outros elementos caracterizadores do tráfico, corrobora a alegação de uso pessoal. 6. Nos termos da jurisprudência desta Corte, o princípio do in dubio pro reo impõe a desclassificação do crime de tráfico para o delito de posse para consumo próprio quando não há elementos inequívocos que demonstrem a intenção de comercialização. IV. RECURSO ESPECIAL DESPROVIDO. ORDEM CONCEDIDA DE OFÍCIO PARA DESCLASSIFICAR A CONDUTA DO RECORRIDO PARA O CRIME DO ART. 28 DA LEI Nº 11.343/2006, DETERMINANDO QUE AS SANÇÕES ADMINISTRATIVAS PREVISTAS NO REFERIDO DISPOSITIVO SEJAM APLICADAS PELO JUÍZO DE ORIGEM. CASO O RECORRIDO ESTEJA PRESO, DEVERÁ SER POSTO EM LIBERDADE, SALVO SE HOUVER OUTRA CAUSA IMPEDITIVA.

Inteiro teor do voto não fornecido no registro original; ementa e dispositivo são preservados integralmente abaixo.

Ementa

DIREITO PENAL E PROCESSUAL PENAL. RECURSO ESPECIAL. TRÁFICO DE DROGAS. ALEGAÇÃO DE ILICITUDE NA ABORDAGEM. INOCORRÊNCIA. JUSTCA CAUSA PARA ABORDAGEM. APRESENTAÇÃO DE DOCUMENTAÇÃO FALSA. DESCLASSIFICAÇÃO PARA O CRIME DE POSSE PARA CONSUMO PRÓPRIO. PRINCÍPIO DO IN DUBIO PRO REO. RECURSO NÃO PROVIDO. HABEAS CORPUS CONCEDIDO DE OFÍCIO. I. CASO EM EXAME 1. Recurso especial interposto por condenado pelo crime de tráfico de drogas (art. 33, caput, da Lei nº 11.343/2006), que sustenta nulidade decorrente de suposta ilicitude na abordagem realizada por seguranças do aeroporto e busca a desclassificação do delito para o crime de posse para consumo pessoal (art. 28 da Lei nº 11.343/2006). II. QUESTÃO EM DISCUSSÃO 2. Há duas questões em discussão: (i) analisar a licitude da abordagem inicial realizada por seguranças e a posterior busca pessoal; e (ii) definir se a conduta pela qual o recorrente foi condenado amolda-se ao tipo penal de tráfico de drogas ou ao crime de posse para consumo próprio. III. RAZÕES DE DECIDIR 3. A abordagem inicial realizada por seguranças do aeroporto, seguida da condução do recorrente à autoridade policial, não configura ilegalidade, pois a conduta de solicitar documentos e conduzir o suspeito foi amparada pelo art. 301 do CPP, sendo facultada a qualquer cidadão. A busca pessoal foi efetivada apenas pela autoridade policial, o que não viola o procedimento legal. 4. A condenação pelo crime de tráfico de drogas não encontra lastro probatório suficiente, uma vez que a quantidade de droga apreendida (48,6g de maconha) não evidencia, por si só, destinação à traficância. 5. A análise das circunstâncias fáticas, considerando o art. 28, § 2º, da Lei nº 11.343/2006, como a pequena quantidade da substância e a ausência de outros elementos caracterizadores do tráfico, corrobora a alegação de uso pessoal. 6. Nos termos da jurisprudência desta Corte, o princípio do in dubio pro reo impõe a desclassificação do crime de tráfico para o delito de posse para consumo próprio quando não há elementos inequívocos que demonstrem a intenção de comercialização. IV. RECURSO ESPECIAL DESPROVIDO. ORDEM CONCEDIDA DE OFÍCIO PARA DESCLASSIFICAR A CONDUTA DO RECORRIDO PARA O CRIME DO ART. 28 DA LEI Nº 11.343/2006, DETERMINANDO QUE AS SANÇÕES ADMINISTRATIVAS PREVISTAS NO REFERIDO DISPOSITIVO SEJAM APLICADAS PELO JUÍZO DE ORIGEM. CASO O RECORRIDO ESTEJA PRESO, DEVERÁ SER POSTO EM LIBERDADE, SALVO SE HOUVER OUTRA CAUSA IMPEDITIVA.

Dispositivo transcrito

Vistos e relatados estes autos em que são partes as acima indicadas, acordam os Ministros da Turma, por unanimidade, negar provimento ao recurso, mas conceder habeas corpus de ofício, nos termos do voto da Sra. Ministra Relatora. Os Srs. Ministros Reynaldo Soares da Fonseca, Ribeiro Dantas, Joel Ilan Paciornik e Messod Azulay Neto votaram com a Sra. Ministra Relatora. Presidiu o julgamento o Sr. Ministro Messod Azulay Neto.

Recortes literais da ementa, dispositivo e referências do STJ. Não substituem o voto ou inteiro teor ausente, nem constituem tese autoral.