STJ — 2170521

Classe: RECURSO ESPECIALÓrgão: QUINTA TURMARelator: DANIELA TEIXEIRAData do julgamento: 2024-12-17Data da publicação: 2024-12-26

Proveniência: STJ — acórdãos públicos. SHA-256 da fonte preservada: 412591a8ee993355225b3e8b5ae812dac47a8660f1bb65ef6a1feaf7e9ba6aa4

Origem do registro no STJ

Conjunto de dados oficial do STJ

Identificador na fonte
000897370
Número de registro na fonte
202403495894
Coleta informada no registro
2026-09-18T12:46:26Z

Registro público original completo (JSON)

Quadro documental do acórdão — seções literais do STJ

Transcrição dos títulos e fundamentos expressamente delimitados na ementa oficial, sem síntese ou tese criada por IA.

I. CASO EM EXAME

1. Recurso especial interposto contra acórdão do Tribunal de Justiça do Estado do Paraná que julgou improcedente revisão criminal e manteve a condenação do réu pelo crime de tráfico de drogas majorado, nos termos do art. 33, caput, c/c art. 40, III, da Lei n. 11.343/2006, c/c art. 29 do Código Penal. 2. Fato relevante: O recorrente foi condenado por solicitar a entrega de drogas em estabelecimento prisional, sem que houvesse a efetiva entrega do entorpecente, que foi interceptado por agentes prisionais. 3. As decisões anteriores: A sentença condenou o réu nos termos da denúncia, e o acórdão de apelação manteve a condenação, destacando a comprovação do tráfico de drogas. A revisão criminal foi julgada improcedente pelo Tribunal de origem.

II. QUESTÃO EM DISCUSSÃO

4. A questão em discussão consiste em saber se a mera solicitação de entrega de drogas em estabelecimento prisional, sem a efetiva entrega do entorpecente, configura ato preparatório impunível, caracterizando atipicidade da conduta.

III. RAZÕES DE DECIDIR

5. No caso, o Tribunal de origem julgou improcedente a revisão criminal ajuizada e manteve a condenação do réu pelo crime de tráfico de drogas, destacando que a corré transportou drogas dentro de uma caixa de cigarros até o estabelecimento prisional, as quais seriam destinadas ao recorrente, tendo sido elas interceptadas pelo agente prisional. 6. A jurisprudência do Superior Tribunal de Justiça entende que a mera solicitação de entorpecente, sem a efetiva entrega, configura ato preparatório e, portanto, é impunível, não caracterizando o crime de tráfico de drogas. 7. A interceptação da droga antes de sua entrega ao destinatário impede a ocorrência da conduta típica prevista no art. 33, caput, da Lei n. 11.343/2006. 7. A revaloração jurídica dos fatos incontroversos, amplamente delineados e debatidos pelas instâncias ordinárias, não configura revolvimento do conjunto probatório. IV. RECURSO ESPECIAL PROVIDO PARA ABSOLVER O RECORRENTE DA PRÁTICA DO CRIME DE TRÁFICO DE DROGAS.

Inteiro teor do voto não fornecido no registro original; ementa e dispositivo são preservados integralmente abaixo.

Ementa

DIREITO PENAL. RECURSO ESPECIAL. TRÁFICO DE DROGAS. ABSOLVIÇÃO. MERA SOLICITAÇÃO DE ENTORPECENTE. ATIPICIDADE DA CONDUTA. RECURSO PROVIDO. I. CASO EM EXAME 1. Recurso especial interposto contra acórdão do Tribunal de Justiça do Estado do Paraná que julgou improcedente revisão criminal e manteve a condenação do réu pelo crime de tráfico de drogas majorado, nos termos do art. 33, caput, c/c art. 40, III, da Lei n. 11.343/2006, c/c art. 29 do Código Penal. 2. Fato relevante: O recorrente foi condenado por solicitar a entrega de drogas em estabelecimento prisional, sem que houvesse a efetiva entrega do entorpecente, que foi interceptado por agentes prisionais. 3. As decisões anteriores: A sentença condenou o réu nos termos da denúncia, e o acórdão de apelação manteve a condenação, destacando a comprovação do tráfico de drogas. A revisão criminal foi julgada improcedente pelo Tribunal de origem. II. QUESTÃO EM DISCUSSÃO 4. A questão em discussão consiste em saber se a mera solicitação de entrega de drogas em estabelecimento prisional, sem a efetiva entrega do entorpecente, configura ato preparatório impunível, caracterizando atipicidade da conduta. III. RAZÕES DE DECIDIR 5. No caso, o Tribunal de origem julgou improcedente a revisão criminal ajuizada e manteve a condenação do réu pelo crime de tráfico de drogas, destacando que a corré transportou drogas dentro de uma caixa de cigarros até o estabelecimento prisional, as quais seriam destinadas ao recorrente, tendo sido elas interceptadas pelo agente prisional. 6. A jurisprudência do Superior Tribunal de Justiça entende que a mera solicitação de entorpecente, sem a efetiva entrega, configura ato preparatório e, portanto, é impunível, não caracterizando o crime de tráfico de drogas. 7. A interceptação da droga antes de sua entrega ao destinatário impede a ocorrência da conduta típica prevista no art. 33, caput, da Lei n. 11.343/2006. 7. A revaloração jurídica dos fatos incontroversos, amplamente delineados e debatidos pelas instâncias ordinárias, não configura revolvimento do conjunto probatório. IV. RECURSO ESPECIAL PROVIDO PARA ABSOLVER O RECORRENTE DA PRÁTICA DO CRIME DE TRÁFICO DE DROGAS.

Dispositivo transcrito

Vistos e relatados estes autos em que são partes as acima indicadas, acordam os Ministros da Turma, por unanimidade, conhecer do recurso e lhe dar provimento, nos termos do voto da Sra. Ministra Relatora. Os Srs. Ministros Reynaldo Soares da Fonseca, Ribeiro Dantas, Joel Ilan Paciornik e Messod Azulay Neto votaram com a Sra. Ministra Relatora. Presidiu o julgamento o Sr. Ministro Messod Azulay Neto.

Recortes literais da ementa, dispositivo e referências do STJ. Não substituem o voto ou inteiro teor ausente, nem constituem tese autoral.