STJ — 2141631
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Ementa
DIREITO PROCESSUAL PENAL. AGRAVO REGIMENTAL. TRIBUNAL DO JÚRI.
PRINCÍPIO DA CONSUNÇÃO. NULIDADE DOS QUESITOS. AGRAVO REGIMENTAL
DESPROVIDO.
I. Caso em exame1. Agravo regimental interposto pelo Ministério
Público contra decisão monocrática que negou provimento ao recurso
especial, sustentando nulidade absoluta nos quesitos formulados aos
jurados e a aplicação do princípio da consunção entre o crime de
porte ilegal de arma de fogo e homicídio.
II. Questão em discussão2. A questão em discussão consiste em saber
se a ausência de quesito específico sobre a natureza autônoma ou
meio do delito de porte ilegal de arma de fogo configura nulidade
absoluta, e se o princípio da consunção deve ser aplicado,
absorvendo o crime de porte pelo homicídio.
III. Razões de decidir3. A Corte de origem constatou que havia
lastro suficiente para anular o julgamento quanto ao crime conexo,
considerando que os jurados não puderam deliberar sobre a natureza
do delito de porte de arma, devido à ausência de quesito
correspondente.
4. A jurisprudência do Superior Tribunal de Justiça estabelece que
cabe ao conselho de sentença decidir sobre a incidência do princípio
da consunção, não podendo o juiz togado afastá-lo na decisão de
pronúncia, sob pena de ofensa à soberania dos veredictos.
5. A decisão monocrática foi mantida, pois a alegação de nulidade
absoluta não foi suficiente para alterar o entendimento de que a
competência para decidir sobre a consunção é do Tribunal do Júri.
IV. Dispositivo e tese6. Agravo regimental desprovido.
Tese de julgamento: "1. Cabe ao conselho de sentença decidir sobre
a incidência do princípio da consunção entre crimes conexos. 2. A
ausência de quesito específico sobre a natureza do delito conexo não
configura nulidade absoluta se não houver impugnação no momento
oportuno".
Dispositivos relevantes citados: CPP, art. 593, III, "d".
Jurisprudência relevante citada: STJ, AgRg no REsp 2.092.564/MG,
Rel. Min. Ribeiro Dantas, Quinta Turma, julgado em 23/10/2023; STJ,
AgRg no HC 753.256/PR, Rel. Min. Messod Azulay Neto, Quinta Turma,
DJe de 20/12/2022.
Dispositivo transcrito
Vistos e relatados estes autos em que são partes as acima
indicadas, acordam os Ministros da Turma, por unanimidade, negar
provimento ao agravo regimental.
Os Srs. Ministros Reynaldo Soares da Fonseca, Joel Ilan Paciornik,
Messod Azulay Neto e Daniela Teixeira votaram com o Sr. Ministro
Relator.
Presidiu o julgamento o Sr. Ministro Messod Azulay Neto.