Inteiro teor do voto não fornecido no registro original; ementa e dispositivo são preservados integralmente abaixo.
Assunto e questão jurídica conforme a ementa oficial
DIREITO PROCESSUAL PENAL. ROUBO MAJORADO. HABEAS CORPUS. EVENTUAL FALHA OCORRIDA NA FASE POLICIAL NÃO MACULA A AÇÃO PENAL. RECONHECIMENTO FOTOGRÁFICO CORROBORADO POR DEMAIS PROVAS. INEXISTÊNCIA DE FLAGRANTE ILEGALIDADE. ORDEM NÃO CONHECIDA. I. CASO EM EXAME 1.Habeas corpus impetrado em favor de paciente acusada da prática do crime de roubo majorado (art. 157, § 2º, inciso II, e § 2º-A, inciso I, do Código Penal). A defesa alega nulidade no inquérito policial, por irregularidade no reconhecimento fotográfico e a insuficiência da palavra da vítima para fundamentar a condenação, requerendo a absolvição da paciente ou o afastamento da causa de au…
Ementa
DIREITO PROCESSUAL PENAL. ROUBO MAJORADO. HABEAS CORPUS. EVENTUAL
FALHA OCORRIDA NA FASE POLICIAL NÃO MACULA A AÇÃO PENAL.
RECONHECIMENTO FOTOGRÁFICO CORROBORADO POR DEMAIS PROVAS.
INEXISTÊNCIA DE FLAGRANTE ILEGALIDADE. ORDEM NÃO CONHECIDA. I. CASO
EM EXAME 1.Habeas corpus impetrado em favor de paciente acusada da
prática do crime de roubo majorado (art. 157, § 2º, inciso II, e §
2º-A, inciso I, do Código Penal). A defesa alega nulidade no
inquérito policial, por irregularidade no reconhecimento fotográfico
e a insuficiência da palavra da vítima para fundamentar a
condenação, requerendo a absolvição da paciente ou o afastamento da
causa de aumento pelo uso de arma de fogo.
II. QUESTÃO EM DISCUSSÃO 2.Há duas questões em discussão: (i) se
irregularidades no inquérito policial, especialmente no procedimento
de reconhecimento fotográfico, contaminam a ação penal; (ii) se a
palavra da vítima e os elementos probatórios são suficientes para
sustentar a condenação e a incidência da causa de aumento pela
utilização de arma de fogo.
III. RAZÕES DE DECIDIR 3.A jurisprudência consolidada desta Corte e
do Superior Tribunal de Justiça (STJ) estabelece que nulidades
ocorridas no inquérito policial, dada sua natureza inquisitiva, não
se comunicam com a ação penal subsequente, a menos que haja
comprovação de efetivo prejuízo, conforme o princípio do "pas de
nullité sans grief".
4.O reconhecimento fotográfico realizado na fase policial só é
válido se observado o art. 226 do Código de Processo Penal e
corroborado por outras provas obtidas sob o crivo do contraditório.
No caso em análise, o reconhecimento seguiu o procedimento previsto
e foi confirmado em juízo, além de estar apoiado por robusto acervo
probatório, incluindo depoimentos e registros do aplicativo de
transporte.
5.A palavra da vítima, especialmente em crimes contra o patrimônio,
tem relevante valor probatório, sendo firme e coerente, e foi
corroborada por outros elementos, como o depoimento de policiais e a
confirmação do uso do telefone da mãe da paciente para solicitar a
corrida.
6.A desconstituição da autoria demandaria aprofundamento no exame
das provas, o que é inviável na via estreita do habeas corpus.
7.Não há flagrante ilegalidade que justifique a concessão da ordem
de ofício.
8.A incidência da majorante relativa ao emprego de arma de fogo
prescinde de apreensão e perícia da arma, notadamente quando
comprovada sua utilização por outros meios de prova, tais como a
palavra da vítima IV. DISPOSITIVO 9.Habeas corpus não conhecido.
Dispositivo transcrito
Vistos e relatados estes autos em que são partes as acima
indicadas, acordam os Ministros da Turma, por unanimidade, não
conhecer do pedido.
Os Srs. Ministros Reynaldo Soares da Fonseca, Ribeiro Dantas, Joel
Ilan Paciornik e Messod Azulay Neto votaram com a Sra. Ministra
Relatora.
Presidiu o julgamento o Sr. Ministro Messod Azulay Neto.
Recortes literais da ementa, dispositivo e referências do STJ. Não substituem o voto ou inteiro teor ausente, nem constituem tese autoral.