STJ — 968885
Proveniência: STJ — acórdãos públicos. SHA-256 da fonte preservada: 46860db99435e17d8172067f97908b3d8ede363ee3fda30f4f9119be57575c03
Registro público original completo (JSON)
Ementa
PENAL. AGRAVO REGIMENTAL EM HABEAS CORPUS. TRÁFICO. DECISÃO AGRAVADA
QUE MANTEVE A NEGATIVA DE APLICAÇÃO DO REDUTOR DO TRÁFICO
PRIVILEGIADO, MAS REDUZIU O ACRÉSCIMO DA PENA-BASE PARA 1/3.
APLICAÇÃO DO REDUTOR DO TRÁFICO PRIVILEGIADO. DESCABIMENTO.
HABITUALIDADE DELITIVA. ALTERAÇÃO. DE ENTENDIMENTO. IMPOSSIBILIDADE.
NECESSIDADE DE REEXAME DE FATOS E PROVAS. AUMENTO DA PENA-BASE.
QUANTIDADE DE DROGAS. INEXISTÊNCIA DE BIS IN IDEM. AGRAVO
REGIMENTAL NÃO PROVIDO.
1. A aplicação do redutor do art. 33, § 4º, da Lei n. 11.343/2006
demanda o preenchimento de quatro requisitos cumulativos, quais
sejam, primariedade, bons antecedentes, não se dedicar à atividades
criminosas ou integrar organização criminosa.
2. No caso, o Tribunal local concluiu pela prática do crime tráfico
de forma habitual com base nas circunstâncias fáticas da prática
delitiva, com destaque não apenas para a quantidade de drogas
apreendidas, mas também na existência de petrechos destinados ao
fracionamento e comercialização das drogas para venda. Assim, para
se desconstituir tal assertiva como pretendido, seria necessário o
revolvimento da moldura fática e probatória delineada nos autos,
inviável na via estreita do habeas corpus.
3. A quantidade e a natureza dos entorpecentes constituem fatores
que, de acordo com o art. 42 da Lei 11.343/2006, são preponderantes
para a fixação das penas no tráfico ilícito de entorpecentes.
Entretanto, entendo que a fração de 2/3 utilizada afigura-se
desproporcional, pois, embora a quantidade de droga apreendida seja
considerável (30kg de maconha), não é exorbitante, revelando-se
razoável que a pena-base seja exasperada em apenas 1/3.
4. Não ocorre bis in idem em casos como o dos autos, em que o
julgador fixa a pena-base acima do mínimo legal em razão da
quantidade e natureza das drogas apreendidas e afasta o redutor do
art. 33, § 4º, da Lei n. 11.343/2006 motivado pela habitualidade
delitiva, evidenciada pelas circunstâncias da apreensão.
5. Agravo regimental desprovido.
Dispositivo transcrito
Vistos e relatados estes autos em que são partes as acima
indicadas, acordam os Ministros da QUINTA TURMA do Superior Tribunal
de Justiça, em Sessão Virtual de 27/02/2025 a 05/03/2025, por
unanimidade, negar provimento ao recurso, nos termos do voto do Sr.
Ministro Relator.
Os Srs. Ministros Ribeiro Dantas, Joel Ilan Paciornik e Messod
Azulay Neto votaram com o Sr. Ministro Relator.
Presidiu o julgamento o Sr. Ministro Messod Azulay Neto.
Ausente, justificadamente, a Sra. Ministra Daniela Teixeira.