STJ — 2082671
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Ementa
DIREITO PENAL E EXECUÇÃO PENAL. RECURSO ESPECIAL. PRESCRIÇÃO DA PENA
DE MULTA. ART. 51 DO CÓDIGO PENAL. NATUREZA PENAL DA SANÇÃO
PECUNIÁRIA. INCIDÊNCIA DO ART. 114, II, DO CÓDIGO PENAL PARA O
CÁLCULO DO PRAZO PRESCRICIONAL. CAUSAS INTERRUPTIVAS E SUSPENSIVAS
DA PRESCRIÇÃO. APLICAÇÃO DA LEGISLAÇÃO RELATIVA À DÍVIDA ATIVA DA
FAZENDA PÚBLICA (LEIS N. 6.680/1980 E 5.172/1966). PLEITO DE
CUMULAÇÃO. DESCABIMENTO. RECURSO DESPROVIDO.
I. CASO EM EXAME
1. Recurso especial interposto pelo MINISTÉRIO PÚBLICO DO ESTADO DE
SÃO PAULO contra acórdão que negou provimento a agravo em execução,
sustentando violação dos arts. 51, 52, 115, 116 e 117, V, do Código
Penal. Pretende o recorrente o reconhecimento da possibilidade de
cumulação das normas do Código Penal e da legislação relativa à
dívida ativa da Fazenda Pública para disciplinar a contagem,
suspensão e interrupção dos prazos prescricionais da pena de multa.
II. QUESTÃO EM DISCUSSÃO
2. Há duas questões em discussão: (i) determinar se o prazo
prescricional da pena de multa é regido pelo Código Penal ou pela
legislação tributária; e (ii) estabelecer a possibilidade de
aplicação cumulativa das causas interruptivas e suspensivas da
prescrição previstas no Código Penal e na legislação tributária.
III. RAZÕES DE DECIDIR
3. A pena de multa, mesmo considerada dívida de valor nos termos do
art. 51 do Código Penal, não perde sua natureza penal, conforme
reconhecido pelo Supremo Tribunal Federal e reiterado pelo Superior
Tribunal de Justiça.
4. O prazo prescricional da pena de multa continua sendo regido pelo
art. 114, incisos I e II, do Código Penal, dependendo da cominação
da pena privativa de liberdade, conforme o caráter penal da sanção
pecuniária.
5. As causas interruptivas e suspensivas da prescrição da pena de
multa, por expressa previsão do art. 51 do Código Penal, seguem as
normas previstas na Lei n. 6.830/1980 e as causas interruptivas
disciplinadas no art. 174 do Código Tributário Nacional.
6. É inviável a aplicação cumulativa das causas de prescrição
previstas no Código Penal e na legislação tributária, dado o
expresso direcionamento legal e o risco de violação aos princípios
da legalidade e da proporcionalidade.
7. O entendimento do Tribunal de origem, que aplicou o art. 114, II,
do Código Penal ao cálculo do prazo prescricional, está em
conformidade com a jurisprudência desta Corte e não afronta
garantias constitucionais.
IV. RECURSO ESPECIAL DESPROVIDO.
Dispositivo transcrito
Vistos e relatados estes autos em que são partes as acima
indicadas, acordam os Ministros da Turma, por unanimidade, negar
provimento ao recurso especial.
Os Srs. Ministros Reynaldo Soares da Fonseca, Ribeiro Dantas, Joel
Ilan Paciornik e Messod Azulay Neto votaram com a Sra. Ministra
Relatora.
Presidiu o julgamento o Sr. Ministro Messod Azulay Neto.