STJ — 961353
Proveniência: STJ — acórdãos públicos. SHA-256 da fonte preservada: 276c7a523b6feaa000fa89e82814b79f6f0c3c0d9f01860771b4b1b9804e7853
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Ementa
DIREITO PROCESSUAL PENAL. AGRAVO REGIMENTAL EM HABEAS CORPUS.
HOMICÍDIO QUALIFICADO. DOSIMETRIA DA PENA. NEGATIVAÇÃO DO VETOR
CONSEQUÊNCIAS DO CRIME. CRIANÇA QUE VIU MORRER O PAI EM SEUS BRAÇOS.
FUNDAMENTAÇÃO IDÔNEA. INEXISTÊNCIA DE FLAGRANTE ILEGALIDADE. AGRAVO
REGIMENTAL DESPROVIDO.
I. CASO EM EXAME
1. Agravo regimental interposto contra decisão que não conheceu de
habeas corpus substitutivo de recurso próprio, no qual a defesa
alegava ilegalidade na dosimetria da pena aplicada ao paciente,
condenado a 6 anos e 5 meses de reclusão, em regime fechado, pela
prática do crime de homicídio (art. 121, caput, do Código Penal).
Requeria a exclusão da valoração negativa do vetor "consequências do
crime" e a fixação da pena no mínimo legal, com alteração do regime
prisional para o semiaberto.
II. QUESTÃO EM DISCUSSÃO
2. Há duas questões em discussão: (i) definir se é cabível o habeas
corpus como substitutivo de recurso próprio para revisão da
dosimetria da pena; e (ii) verificar se a negativação do vetor
"consequências do crime", em razão da presença de criança no local
do delito, é idônea para justificar a exasperação da pena-base.
III. RAZÕES DE DECIDIR
3. O habeas corpus não é cabível como substitutivo de recurso
próprio ou revisão criminal, conforme jurisprudência consolidada do
STJ e do STF, ressalvando-se hipóteses de flagrante ilegalidade
aptas a gerar constrangimento ilegal.
4. A negativação do vetor "consequências do crime" foi fundamentada
de forma concreta e idônea, com base no fato de que o delito foi
cometido na presença do filho da vítima, de 9 anos de idade, que
presenciou a morte do pai em seus braços, o que extrapola as
circunstâncias ordinárias do tipo penal.
5. A jurisprudência do STJ reconhece como legítima a valoração
negativa de circunstâncias que evidenciem maior reprovabilidade da
conduta, como a prática de homicídio na presença de crianças, sendo
este fator apto a justificar a exasperação da pena-base.
6. Não se verifica, nos autos, qualquer violação ao ordenamento
jurídico ou flagrante ilegalidade que autorize a concessão de habeas
corpus de ofício, nos termos da Lei nº 14.836/2024.
IV. DISPOSITIVO E TESE
7. Agravo regimental desprovido.
Dispositivo transcrito
Vistos e relatados estes autos em que são partes as acima
indicadas, acordam os Ministros da QUINTA TURMA do Superior Tribunal
de Justiça, em Sessão Virtual de 20/02/2025 a 26/02/2025, por
unanimidade, negar provimento ao recurso, nos termos do voto da Sra.
Ministra Relatora.
Os Srs. Ministros Reynaldo Soares da Fonseca, Ribeiro Dantas, Joel
Ilan Paciornik e Messod Azulay Neto votaram com a Sra. Ministra
Relatora.
Presidiu o julgamento o Sr. Ministro Messod Azulay Neto.