STJ — 204135
Proveniência: STJ — acórdãos públicos. SHA-256 da fonte preservada: 0f8adc33c7ef9a9ee4a6aeea1eed8091767d2a4c099e6ffc9c824b7c7821cc12
Registro público original completo (JSON)
Quadro documental do acórdão — seções literais do STJ
Transcrição dos títulos e fundamentos expressamente delimitados na ementa oficial, sem síntese ou tese criada por IA.
I. Caso em exame
1. Recurso ordinário interposto contra o acórdão do
Tribunal de Justiça de São Paulo que denegou habeas corpus impetrado
em favor do recorrente, denunciado pela suposta prática do crime de
receptação, previsto no art. 180, caput, do Código Penal.
2. O recorrente alega nulidade das declarações prestadas na fase
policial, por não ter sido advertido sobre seu direito ao silêncio,
em violação do princípio da não autoincriminação.
3. O Tribunal de Justiça de São Paulo entendeu que a ausência de
advertência sobre o direito ao silêncio constitui nulidade relativa,
que exige demonstração de prejuízo, o qual não foi comprovado.
II. Questão em discussão
4. A questão em discussão consiste em saber
se a ausência de advertência sobre o direito ao silêncio no
depoimento prestado na fase policial gera a nulidade absoluta do
ato.
5. A questão também envolve a análise de eventual violação do
princípio nemo tenetur se detegere, que assegura que ninguém é
obrigado a produzir provas contra si mesmo.
III. Razões de decidir
6. O direito ao silêncio é uma garantia
fundamental prevista na Constituição Federal e no Pacto de San José
da Costa Rica, mas a sua inobservância na fase do inquérito policial
constitui nulidade relativa, que exige a demonstração de prejuízo.
7. No caso concreto, o recorrente não se autoincriminou em suas
declarações, tendo negado conhecimento sobre a origem ilícita dos
bens e apresentado sua própria versão defensiva, o que afasta a
alegação de prejuízo.
8. A denúncia não se baseou nas declarações prestadas pelo
recorrente em sede policial, mas em outras provas colhidas durante a
investigação.
9. Eventuais irregularidades na fase investigatória não contaminam
necessariamente o processo criminal, onde as provas são renovadas
sob o crivo do contraditório e da ampla defesa.
IV. Dispositivo e tese
10. Recurso desprovido.
Tese de julgamento: "1. A ausência de advertência sobre o direito
ao silêncio na fase do inquérito policial constitui nulidade
relativa, que exige a demonstração de prejuízo efetivo. 2. A não
autoincriminação do recorrente em suas declarações afasta a alegação
de prejuízo. 3. Irregularidades na fase investigatória não
contaminam necessariamente o processo criminal, onde as provas são
renovadas sob o crivo do contraditório e da ampla defesa".
Dispositivos relevantes citados: CF/1988, art. 5º, LXIII; Decreto
n. 678/92, art. 8º, item 1; Código Penal, art. 180.Jurisprudência
relevante citada: STJ, AgRg nos EDcl no RHC n. 174.915/RS, Rel.
Min. Reynaldo Soares da Fonseca, Quinta Turma, DJe 25/6/2024; STJ,
AgRg no RHC n. 204.246/DF, Rel. Min. Ribeiro Dantas, Quinta Turma,
DJEN 3/12/2024; e STJ, HC n. 381.186/DF, Rel. Min. Ribeiro Dantas,
Quinta Turma, DJe 6/10/2017.
Inteiro teor do voto não fornecido no registro original; ementa e dispositivo são preservados integralmente abaixo.
Ementa
DIREITO PROCESSUAL PENAL. RECURSO ORDINÁRIO EM HABEAS CORPUS.
RECEPTAÇÃO. ADVERTÊNCIA DO ACUSADO DO DIREITO AO SILÊNCIO. AUSÊNCIA.
FASE INQUISITIVA. NULIDADE RELATIVA. AUSÊNCIA DE PREJUÍZO. RECURSO
DESPROVIDO.
I. Caso em exame
1. Recurso ordinário interposto contra o acórdão do
Tribunal de Justiça de São Paulo que denegou habeas corpus impetrado
em favor do recorrente, denunciado pela suposta prática do crime de
receptação, previsto no art. 180, caput, do Código Penal.
2. O recorrente alega nulidade das declarações prestadas na fase
policial, por não ter sido advertido sobre seu direito ao silêncio,
em violação do princípio da não autoincriminação.
3. O Tribunal de Justiça de São Paulo entendeu que a ausência de
advertência sobre o direito ao silêncio constitui nulidade relativa,
que exige demonstração de prejuízo, o qual não foi comprovado.
II. Questão em discussão
4. A questão em discussão consiste em saber
se a ausência de advertência sobre o direito ao silêncio no
depoimento prestado na fase policial gera a nulidade absoluta do
ato.
5. A questão também envolve a análise de eventual violação do
princípio nemo tenetur se detegere, que assegura que ninguém é
obrigado a produzir provas contra si mesmo.
III. Razões de decidir
6. O direito ao silêncio é uma garantia
fundamental prevista na Constituição Federal e no Pacto de San José
da Costa Rica, mas a sua inobservância na fase do inquérito policial
constitui nulidade relativa, que exige a demonstração de prejuízo.
7. No caso concreto, o recorrente não se autoincriminou em suas
declarações, tendo negado conhecimento sobre a origem ilícita dos
bens e apresentado sua própria versão defensiva, o que afasta a
alegação de prejuízo.
8. A denúncia não se baseou nas declarações prestadas pelo
recorrente em sede policial, mas em outras provas colhidas durante a
investigação.
9. Eventuais irregularidades na fase investigatória não contaminam
necessariamente o processo criminal, onde as provas são renovadas
sob o crivo do contraditório e da ampla defesa.
IV. Dispositivo e tese
10. Recurso desprovido.
Tese de julgamento: "1. A ausência de advertência sobre o direito
ao silêncio na fase do inquérito policial constitui nulidade
relativa, que exige a demonstração de prejuízo efetivo. 2. A não
autoincriminação do recorrente em suas declarações afasta a alegação
de prejuízo. 3. Irregularidades na fase investigatória não
contaminam necessariamente o processo criminal, onde as provas são
renovadas sob o crivo do contraditório e da ampla defesa".
Dispositivos relevantes citados: CF/1988, art. 5º, LXIII; Decreto
n. 678/92, art. 8º, item 1; Código Penal, art. 180.Jurisprudência
relevante citada: STJ, AgRg nos EDcl no RHC n. 174.915/RS, Rel.
Min. Reynaldo Soares da Fonseca, Quinta Turma, DJe 25/6/2024; STJ,
AgRg no RHC n. 204.246/DF, Rel. Min. Ribeiro Dantas, Quinta Turma,
DJEN 3/12/2024; e STJ, HC n. 381.186/DF, Rel. Min. Ribeiro Dantas,
Quinta Turma, DJe 6/10/2017.
Dispositivo transcrito
Vistos e relatados estes autos em que são partes as acima
indicadas, acordam os Ministros da SEXTA TURMA do Superior Tribunal
de Justiça, em Sessão Virtual de 03/04/2025 a 09/04/2025, por
unanimidade, negar provimento ao recurso, nos termos do voto do Sr.
Ministro Relator.
Os Srs. Ministros Og Fernandes, Rogerio Schietti Cruz, Antonio
Saldanha Palheiro e Otávio de Almeida Toledo (Desembargador
Convocado do TJSP) votaram com o Sr. Ministro Relator.
Presidiu o julgamento o Sr. Ministro Sebastião Reis Júnior.
Recortes literais da ementa, dispositivo e referências do STJ. Não substituem o voto ou inteiro teor ausente, nem constituem tese autoral.