STJ — 910581
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Ementa
AGRAVO REGIMENTAL NO HABEAS CORPUS. HOMICÍDIO QUALIFICADO
CONSUMADO. DOSIMETRIA. REANÁLISE DA PENA PELO TRIBUNAL DE ORIGEM EM
RECURSO EXCLUSIVO DA DEFESA. CIRCUNSTÂNCIA JUDICIAL JÁ CONSIDERADA
DESFAVORÁVEL NA SENTENÇA. PENA-BASE REDUZIDA. AUSÊNCIA DE REFORMATIO
IN PEJUS. ALEGAÇÃO DE BIS IN IDEM. NÃO OCORRÊNCIA. DESLOCAMENTO DE
QUALIFICADORAS REMANESCENTES. POSSIBILIDADE. AUSÊNCIA DE
CONSTRANGIMENTO ILEGAL. AGRAVO REGIMENTAL DESPROVIDO.
1. O refazimento da dosimetria da pena em habeas corpus tem caráter
excepcional, somente sendo admitido quando se verificar de plano e
sem a necessidade de incursão probatória, a existência de manifesta
ilegalidade ou abuso de poder.
2. É possível a reanálise da dosimetria pelo Tribunal de origem, não
se configurando reformatio in pejus quando, em recurso exclusivo da
defesa, houve readequação dos fundamentos adotados para sopesar uma
circunstância judicial já considerada desfavorável na sentença, sem
aumento da pena-base.
3. Não se constata bis in idem na valoração negativa das
circunstâncias judiciais, pois, embora os aspectos ressaltados pelos
julgadores pareçam semelhantes, o acórdão mencionou o sofrimento
desnecessário da vítima a fim de sopesar a culpabilidade, enquanto a
forma de execução do delito foi ponderada a fim de analisar as
circunstâncias do crime.
4. Diante da pluralidade de qualificadoras reconhecidas pelo
conselho de sentença, uma delas indicou o tipo qualificado e as
remanescentes foram utilizadas para exasperar a pena-base. Esse
entendimento encontra respaldo na jurisprudência desta Corte, razão
pela qual inexiste qualquer ilegalidade a ser sanada. Precedentes.
5. Agravo regimental desprovido.
Dispositivo transcrito
Vistos e relatados estes autos em que são partes as acima
indicadas, acordam os Ministros da QUINTA TURMA do Superior Tribunal
de Justiça, em Sessão Virtual de 24/04/2025 a 30/04/2025, por
unanimidade, negar provimento ao recurso, nos termos do voto do Sr.
Ministro Relator.
Os Srs. Ministros Reynaldo Soares da Fonseca, Ribeiro Dantas, Messod
Azulay Neto e Carlos Cini Marchionatti (Desembargador Convocado
TJRS) votaram com o Sr. Ministro Relator.
Presidiu o julgamento o Sr. Ministro Messod Azulay Neto.