STJ — 974000
Proveniência: STJ — acórdãos públicos. SHA-256 da fonte preservada: e81cd5d05a5c108e24ffd4c66a0998981900861973634d6fb9e40e3468e14993
Registro público original completo (JSON)
Quadro documental do acórdão — seções literais do STJ
Transcrição dos títulos e fundamentos expressamente delimitados na ementa oficial, sem síntese ou tese criada por IA.
I. Caso em exame
1. Agravo regimental interposto pelo Ministério
Público Federal contra decisão que não conheceu de habeas corpus,
mas concedeu a ordem, de ofício, para declarar a remição de 100 dias
de pena do agravado, pela aprovação no ENEM 2022.
2. O apenado já havia obtido remição de 133 dias pela aprovação no
ENCCEJA, nível médio, e busca nova remição pela aprovação no ENEM.
II. Questão em discussão
3. A admissibilidade do habeas corpus como
substitutivo de recurso próprio.
4. A possibilidade de remição de pena pela aprovação no ENEM, mesmo
que o apenado já tenha obtido a certificação do ensino médio pelo
ENCCEJA, sem configuração de bis in idem.
III. Razões de decidir
5. O habeas corpus não é admitido como
substitutivo de recurso próprio ou revisão criminal, conforme
jurisprudência pacífica do STJ e STF. No entanto, a ordem pode ser
concedida de ofício em casos de flagrante ilegalidade.
6. A jurisprudência desta Corte reconhece que a aprovação no ENEM,
mesmo para apenados que já tenham concluído o ensino médio, permite
a remição de pena, por se tratar de exames com níveis de dificuldade
distintos, o que demanda esforço adicional e justifica nova
remição.
7. O entendimento do Tribunal de origem, que negou a remição com
fundamento em bis in idem, está em desacordo com a jurisprudência
consolidada, que admite remição tanto pela aprovação no ENCCEJA
quanto no ENEM, desde que observada a proporcionalidade conforme o
número de matérias aprovadas.
8. No caso concreto, o apenado foi aprovado nas 5 áreas do
conhecimento do ENEM 2022, fazendo jus à remição de 100 dias, sem o
acréscimo de 1/3 previsto no art. 126, § 5º, da LEP.
IV. Dispositivo e tese
9. Agravo regimental desprovido.
Tese de julgamento: "1. A remição de pena pela aprovação no Exame
Nacional do Ensino Médio (ENEM) é possível mesmo quando o apenado já
foi beneficiado por remição em razão de aprovação no Exame Nacional
para Certificação de Competências de Jovens e Adultos (ENCCEJA),
desde que respeitada a proporcionalidade conforme o número de
matérias aprovadas."
Dispositivos relevantes citados: LEP, art. 126, § 5º; Resolução CNJ
n. 391/2021.Jurisprudência relevante citada: STJ, AgRg no HC
786.844/SP, Rel. Min. Reynaldo Soares da Fonseca, Quinta Turma,
julgado em 8/8/2023; STJ, EREsp 1.979.591/SP, Rel. Min. Messod
Azulay Neto, Terceira Seção, julgado em 8/11/2023.
Inteiro teor do voto não fornecido no registro original; ementa e dispositivo são preservados integralmente abaixo.
Ementa
DIREITO PROCESSUAL PENAL. EXECUÇÃO PENAL. AGRAVO REGIMENTAL. HABEAS
CORPUS. REMIÇÃO DE PENA. APROVAÇÃO NO ENEM E ENCCEJA. AGRAVO
DESPROVIDO.
I. Caso em exame
1. Agravo regimental interposto pelo Ministério
Público Federal contra decisão que não conheceu de habeas corpus,
mas concedeu a ordem, de ofício, para declarar a remição de 100 dias
de pena do agravado, pela aprovação no ENEM 2022.
2. O apenado já havia obtido remição de 133 dias pela aprovação no
ENCCEJA, nível médio, e busca nova remição pela aprovação no ENEM.
II. Questão em discussão
3. A admissibilidade do habeas corpus como
substitutivo de recurso próprio.
4. A possibilidade de remição de pena pela aprovação no ENEM, mesmo
que o apenado já tenha obtido a certificação do ensino médio pelo
ENCCEJA, sem configuração de bis in idem.
III. Razões de decidir
5. O habeas corpus não é admitido como
substitutivo de recurso próprio ou revisão criminal, conforme
jurisprudência pacífica do STJ e STF. No entanto, a ordem pode ser
concedida de ofício em casos de flagrante ilegalidade.
6. A jurisprudência desta Corte reconhece que a aprovação no ENEM,
mesmo para apenados que já tenham concluído o ensino médio, permite
a remição de pena, por se tratar de exames com níveis de dificuldade
distintos, o que demanda esforço adicional e justifica nova
remição.
7. O entendimento do Tribunal de origem, que negou a remição com
fundamento em bis in idem, está em desacordo com a jurisprudência
consolidada, que admite remição tanto pela aprovação no ENCCEJA
quanto no ENEM, desde que observada a proporcionalidade conforme o
número de matérias aprovadas.
8. No caso concreto, o apenado foi aprovado nas 5 áreas do
conhecimento do ENEM 2022, fazendo jus à remição de 100 dias, sem o
acréscimo de 1/3 previsto no art. 126, § 5º, da LEP.
IV. Dispositivo e tese
9. Agravo regimental desprovido.
Tese de julgamento: "1. A remição de pena pela aprovação no Exame
Nacional do Ensino Médio (ENEM) é possível mesmo quando o apenado já
foi beneficiado por remição em razão de aprovação no Exame Nacional
para Certificação de Competências de Jovens e Adultos (ENCCEJA),
desde que respeitada a proporcionalidade conforme o número de
matérias aprovadas."
Dispositivos relevantes citados: LEP, art. 126, § 5º; Resolução CNJ
n. 391/2021.Jurisprudência relevante citada: STJ, AgRg no HC
786.844/SP, Rel. Min. Reynaldo Soares da Fonseca, Quinta Turma,
julgado em 8/8/2023; STJ, EREsp 1.979.591/SP, Rel. Min. Messod
Azulay Neto, Terceira Seção, julgado em 8/11/2023.
Dispositivo transcrito
Vistos e relatados estes autos em que são partes as acima
indicadas, acordam os Ministros da Turma, por unanimidade, negar
provimento ao agravo regimental.
Os Srs. Ministros Reynaldo Soares da Fonseca e Carlos Cini
Marchionatti (Desembargador Convocado TJRS) votaram com o Sr.
Ministro Relator.
Presidiu o julgamento o Sr. Ministro Messod Azulay Neto.
Ausentes, justificadamente, os Srs. Ministros Ribeiro Dantas e Joel
Ilan Paciornik.
Recortes literais da ementa, dispositivo e referências do STJ. Não substituem o voto ou inteiro teor ausente, nem constituem tese autoral.