Publicidade dirigida a crianças: os limites da abusividade

Por · Revisão: Rafael Toledo · Atualizado em 2026-08-06 · 2 fontes oficiais verificadas

Publicidade voltada ao público infantil não é proibida em si, mas o CDC trata esse tipo de comunicação com régua mais rígida do que a publicidade comum, justamente porque reconhece que a criança tem menos capacidade de discernir entre conteúdo comercial e conteúdo neutro.

O art. 37, §2º, do Código de Defesa do Consumidor define como abusiva, entre outras hipóteses, a publicidade que se aproveita da deficiência de julgamento e experiência da criança. Esse dispositivo cria uma categoria própria de abusividade, distinta da publicidade enganosa: não é preciso que a informação seja falsa para a publicidade ser proibida — basta que ela explore a menor capacidade da criança de entender que está diante de uma tentativa de venda, para induzi-la a pressionar a compra.

O que costuma caracterizar exploração da hipervulnerabilidade infantil

A avaliação passa por elementos como: linguagem, tom e recursos visuais dirigidos especificamente à criança (personagens, humor infantil, promessas de diversão associadas ao produto); indução a pedir insistentemente aos pais para comprar ("peça para seus pais comprarem já"); associação do produto a status social entre colegas; e uso de personagens ou celebridades admiradas por crianças de forma a confundir entretenimento com anúncio comercial. Essa análise mais rigorosa decorre também do art. 4º, I, do Código de Defesa do Consumidor, que elege o reconhecimento da vulnerabilidade do consumidor como princípio da Política Nacional das Relações de Consumo — a criança é tratada como consumidora hipervulnerável dentro desse princípio geral.

Diferença entre publicidade dirigida ao adulto e à criança

Um anúncio de brinquedo veiculado em horário e canal claramente destinados ao público adulto, sem apelo direto à criança enquanto decisora da compra, tende a receber tratamento diferente de um anúncio inserido dentro de conteúdo infantil, com linguagem e apelo dirigidos à própria criança como se ela fosse a consumidora que decide. A régua de abusividade é mais rígida quando a criança é tratada como alvo direto da persuasão comercial, não apenas como espectadora eventual.

A idade e o grau de discernimento também pesam na análise: quanto menor a criança, menor a capacidade de distinguir entretenimento de propaganda, e mais rigorosa tende a ser a interpretação sobre o que conta como exploração da hipervulnerabilidade.

Perguntas frequentes

Quem fiscaliza a publicidade dirigida a crianças no Brasil?

O Ministério Público, o Procon e o Poder Judiciário podem atuar diante de denúncias de publicidade abusiva dirigida a crianças, com base no art. 37, §2º, do CDC, além de órgãos de autorregulamentação publicitária que analisam campanhas sob esse enfoque.

Publicidade abusiva dirigida a criança precisa causar prejuízo financeiro para ser questionada?

Não. A abusividade do art. 37, §2º, é apurada pela exploração da hipervulnerabilidade infantil em si, independentemente de a compra ter se concretizado ou de ter havido prejuízo econômico direto ao consumidor.

Proveniência

Onde buscar este serviço

O caminho descrito nesta página é público e não depende de contratação particular. Estes são os canais oficiais de atendimento:

Conteúdos relacionados

Conteúdo informativo. Não substitui a análise individual de um advogado ou da Defensoria Pública sobre o seu caso.