Por que o caso acabou: decadência ou prescrição

Por · Revisão: Rafael Toledo · Atualizado em 2026-08-06 · 2 fontes oficiais verificadas

Quem descobre que um processo penal não vai adiante por causa de prazo costuma ouvir duas palavras parecidas: decadência e prescrição. As duas extinguem a punibilidade, ou seja, encerram a possibilidade de punir o fato. Mas elas atingem coisas diferentes e correm de formas diferentes. Entender qual das duas incidiu ajuda a saber por que o direito se perdeu e se havia algo a fazer antes de o prazo terminar.

Decadência: os 6 meses para oferecer queixa ou representação

A decadência atinge o direito da vítima de dar início ao caso nos crimes de ação privada e nos de ação pública condicionada. Pelo art. 103 do Código Penal, salvo disposição em contrário, o ofendido decai do direito de queixa ou de representação se não o exerce dentro de seis meses, contados do dia em que veio a saber quem é o autor do crime.

Esse prazo é fixo: não muda conforme a gravidade do crime. Uma exceção recente vale para crimes de violência doméstica e familiar contra a mulher, em que o prazo passou a ser de doze meses. Perdido o prazo da decadência, a vítima não pode mais provocar a apuração daquele fato.

Prescrição: a perda da pretensão de punir pelo tempo

A prescrição é mais ampla e atinge todos os tipos de ação penal, inclusive a pública incondicionada. Ela não trata do direito de iniciar o caso, e sim da pretensão do Estado de punir o fato, que se perde com a passagem do tempo. Diferente da decadência, seu prazo varia conforme a pena do crime, segundo a tabela que a lei fixa.

Outra distinção importante é que a prescrição pode ser interrompida por atos do processo, recomeçando a contagem, enquanto a decadência corre de forma contínua e não se interrompe pela mesma lógica.

Onde as duas se encontram: a extinção da punibilidade

Apesar das diferenças, decadência e prescrição chegam ao mesmo ponto de chegada. O art. 107 do Código Penal lista ambas entre as causas que extinguem a punibilidade. Reconhecida qualquer uma, o Estado não pode mais punir aquele fato.

Um exemplo ajuda a separar: se a vítima de um crime de ação privada demora mais de seis meses para oferecer queixa depois de saber quem foi o autor, ocorre decadência; se o processo já tramitava e o tempo previsto na lei se esgota sem julgamento definitivo, ocorre prescrição. A causa é distinta, mas o efeito de encerrar o caso é o mesmo.

Perguntas frequentes

Decadência e prescrição podem ser reconhecidas de ofício pelo juiz?

Sim. Por serem causas de extinção da punibilidade, o juiz deve reconhecê-las a qualquer tempo, mesmo sem pedido da parte, tão logo verifique que o prazo se esgotou.

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