Recebi uma ameaça por mensagem: o que fazer agora

Por · Revisão: Rafael Toledo · Atualizado em 2026-08-06 · 2 fontes oficiais verificadas

Uma frase basta: "você vai se arrepender", "cuidado quando sair de casa", "vou fazer você pagar por isso". Não importa se veio por aplicativo de mensagens, rede social ou e-mail — o medo instalado é real, e a lei trata esse tipo de mensagem como crime específico, distinto de um xingamento ou de uma discussão inflamada.

O que caracteriza o crime de ameaça

O art. 147 do Código Penal alcança a comunicação, por mensagem, palavra, gesto ou outro meio simbólico, de um mal injusto e grave dirigido a alguém. No tipo básico, a sanção é multa ou detenção de um a seis meses. Se a vítima é mulher e o delito decorre de razões da condição do sexo feminino, o § 1º duplica a pena. O mal anunciado precisa ser sério e concreto o bastante para gerar temor real — uma crítica dura ou um desabafo raivoso, sem menção a dano futuro específico, normalmente não configura ameaça, mas uma mensagem que descreve o que vai acontecer com a vítima, mesmo sem data marcada, pode preencher o tipo penal.

Preservando a prova certa

A mensagem de ameaça é, ao mesmo tempo, a prova do crime e algo que pode ser apagado pelo remetente. Por isso:

Representação e ação penal

Em regra, a apuração da ameaça depende de representação da vítima. O art. 147, § 2º, dispensa essa manifestação quando incide a forma do § 1º: a vítima é mulher e a motivação da ameaça se liga à condição feminina. O simples vínculo doméstico, sem esse elemento, não torna automaticamente a ação penal incondicionada. Fora da exceção legal, a vítima precisa declarar formalmente que deseja o prosseguimento da persecução, e o boletim de ocorrência deve registrar essa vontade de modo expresso.

Medida protetiva quando o medo é imediato

Quando a ameaça vem de parceiro, ex-parceiro ou familiar, e a vítima é mulher, cabe pedido de medida protetiva de urgência com base na Lei Maria da Penha. A providência pode ser analisada de imediato conforme o risco demonstrado e, entre outras medidas cabíveis, determinar o afastamento do agressor ou restringir contato e aproximação. Fora desse contexto, é possível buscar tutela de urgência na esfera cível para impedir novo contato, sobretudo quando a ameaça se soma a outros atos, como perseguição reiterada.

Quando a ameaça não se sustenta

Frases genéricas de raiva, sem descrição de mal concreto ("vai ver só", sem mais detalhes), tendem a não configurar o crime por ausência de gravidade determinada. A defesa costuma alegar também que a mensagem foi mal interpretada ou dita em contexto de brincadeira entre conhecidos — por isso o histórico da relação entre as partes e o teor exato da mensagem pesam na avaliação da autoridade.

Onde registrar e o que levar

O boletim de ocorrência pode ser feito presencialmente em qualquer delegacia ou, em muitos estados, pela delegacia eletrônica, quando o fato não exigir prisão em flagrante. Leve o aparelho com a mensagem original disponível, os prints já organizados por data e, se houver, o contato de testemunhas que viram a mensagem antes de eventual exclusão pelo remetente. Quanto mais objetiva a narrativa do que foi dito e de quando, mais rápido o delegado consegue enquadrar o fato e decidir sobre eventual pedido de medida protetiva ainda no mesmo atendimento.

Um caso ilustrativo

Uma pessoa recebe, após terminar uma parceria de trabalho, uma mensagem detalhando onde mora e afirmando que "vai aparecer lá para acertar as contas". Com o print preservado e testemunha do recebimento, ela registra ocorrência no mesmo dia, formaliza representação e, orientada remotamente por um advogado, avalia também pedido de medida protetiva quando o histórico de contatos indicar risco continuado.

Perguntas frequentes

Ameaça feita em grupo de mensagens também é crime?

Sim, o meio usado não importa; o que caracteriza o crime é o anúncio de mal injusto e grave contra a vítima, seja em conversa privada ou em grupo.

Proveniência

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Conteúdo informativo. Não substitui a análise individual de um advogado ou da Defensoria Pública sobre o seu caso.