Recebeu um Pix por engano: o que a lei manda fazer

Por · Revisão: Rafael Toledo · Atualizado em 2026-08-06 · 2 fontes oficiais verificadas

Um valor desconhecido aparece na conta, sem explicação. A tentação de simplesmente usar o dinheiro é compreensível, mas a resposta jurídica é direta: quem recebe o que não lhe pertence tem o dever de devolver. Ficar com o valor pode trazer consequências civis e até criminais, e há ainda o risco de que o suposto engano seja, na verdade, um golpe.

O dever de devolver o que caiu na sua conta por engano

O Código Civil é claro ao tratar do pagamento indevido: aquele que recebe o que não lhe era devido fica obrigado a restituir (art. 876). Um Pix que cai por engano na sua conta não vira seu por acaso; ele pertence a quem o enviou por erro. A devolução, portanto, não é um favor, é uma obrigação legal.

O caminho correto é não movimentar o valor e procurar o seu banco para comunicar o recebimento indevido e organizar a devolução pelo canal oficial, preservando o registro do que foi feito.

O risco penal de gastar o valor recebido por erro

Gastar de propósito um dinheiro que você sabe não ser seu pode configurar apropriação de coisa havida por erro, prevista no caput do art. 169 do Código Penal. Não se trata de qualquer distração momentânea, mas da conduta de reter e usar o valor consciente de que ele pertence a outra pessoa. Por isso a orientação é agir de boa-fé e devolver assim que possível.

Comunicar o banco e manter o valor intacto até a devolução demonstra exatamente essa boa-fé e afasta a leitura de que houve intenção de se apropriar do que não era seu.

Como devolver sem cair no golpe da falsa devolução

Aqui mora um perigo. Golpistas simulam um Pix por engano, ou enviam comprovante falso, e pressionam a vítima a devolver na hora para uma chave diferente. Se você transferir de volta para essa outra chave, pode estar entregando o seu próprio dinheiro. A regra de ouro é conferir no extrato se o valor realmente entrou e devolver somente pelo mesmo caminho da origem, de preferência com apoio do banco.

Na dúvida, não devolva sob pressão nem para conta diversa. Diante de cobrança insistente ou de ameaça, procure o seu banco pelos canais oficiais e, se for o caso, registre ocorrência policial.

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Onde buscar este serviço

O caminho descrito nesta página é público e não depende de contratação particular. Estes são os canais oficiais de atendimento:

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