Inteiro teor do voto não fornecido no registro original; ementa e dispositivo são preservados integralmente abaixo.
DIREITO CIVIL E PROCESSUAL CIVIL. RECURSO ESPECIAL E AGRAVO EM RECURSO ESPECIAL.
PLANO DE SAÚDE COLETIVO POR ADESÃO. REAJUSTES POR SINISTRALIDADE E POR FAIXA
ETÁRIA. ÍNDICES DA ANS. PROVA ATUARIAL E TRANSPARÊNCIA. SÚMULAS 5 E 7/STJ.
DIVERGÊNCIA JURISPRUDENCIAL. AGRAVO EM RECURSO ESPECIAL E RECURSO ESPECIAL DE
UMA RECORRENTE PREJUDICADOS PELA DESISTÊNCIA. RECURSO ESPECIAL DA OUTRA
RECORRENTE DESPROVIDO.
Fundamentos transcritos da ementa — itens numerados pelo STJ
- Reconheceu-se que a cláusula de reajuste por aumento de sinistralidade em
planos coletivos é, em tese, lícita, mas sua validade concreta depende de prova
efetiva do incremento da sinistralidade e do cumprimento do dever de
transparência, mediante apresentação de extrato pormenorizado que demonstre a
relação entre despesas assistenciais e receitas do plano em período determinado,
cabendo integralmente à operadora o ônus de produzir essa prova.
- O Tribunal de origem concluiu, com base na análise das provas, pela
"insuficiência de demonstração da forma utilizada para o cálculo do reajuste" e
pela ausência de justificativa atuarial idônea, de modo que a majoração por
sinistralidade foi corretamente reputada abusiva, entendimento alinhado à
jurisprudência do Superior Tribunal de Justiça; a pretensão recursal de reformar
tal conclusão esbarra nos óbices das Súmulas 5 e 7/STJ, por exigir reexame de
fatos e cláusulas contratuais.
- Não se configurou violação ao art. 20 da Resolução Normativa 195/2009 da ANS,
pois o acórdão recorrido não declarou inválida, em abstrato, a cláusula de
reajuste por sinistralidade nem instituiu percentuais diferenciados em afronta
ao regime dos planos coletivos; apenas afastou a aplicação concreta do índice
contratual pela falta de comprovação e transparência, sem infirmar o modelo
normativo da ANS.
- Quanto ao reajuste por faixa etária, aplicou-se a orientação do Tema
1.016/STJ no sentido de que ele é, em tese, válido quando haja previsão
contratual, observância das normas da ANS (como a RN 63/2003) e ausência de
percentuais desarrazoados ou aleatórios que impliquem onerosidade excessiva ou
discriminação, tendo o acórdão recorrido, com base nas circunstâncias do caso
concreto, reputado abusivo o percentual de 73,24% na última faixa etária.
- A avaliação da onerosidade excessiva e do caráter discriminatório do reajuste
de 73,24% para 59 anos ou mais, inclusive com comparação a dados de mercado e ao
"Painel de Precificação da ANS", constitui juízo eminentemente fático,
insuscetível de revisão em recurso especial.
- Em relação à substituição do reajuste por sinistralidade pelos índices anuais
da ANS para planos individuais, ressaltou-se que, embora a jurisprudência do STJ
afirme a inaplicabilidade direta desses índices aos planos coletivos, a
utilização, no caso concreto, desses parâmetros como balizador mínimo para
coibir onerosidade excessiva decorreu de valoração das provas e da omissão das
rés em comprovar a adequação atuarial do reajuste, circunstância que não pode
ser revista nesta instância especial em razão da Súmula 7/STJ.
- Assentou-se que a solução ideal, em tese, quando reconhecida a natureza
abusiva do reajuste em plano coletivo, é a apuração, em liquidação de sentença,
de índice adequado mediante perícia atuarial, de forma a restabelecer o
equilíbrio econômico-financeiro do contrato; todavia, a modificação da solução
adotada no acórdão recorrido, que optou pela referência aos índices da ANS para
planos individuais, demandaria reexame do contexto probatório e da condução da
atividade instrutória, o que é vedado.
- No tocante à restituição de valores, registrou-se que o Tema 610/STJ prevê a
devolução das diferenças pagas a maior no período de três anos anteriores ao
ajuizamento da ação, mas a verificação da aderência, no caso concreto, ao marco
temporal e aos montantes efetivamente pagos exigiria exame de datas e
comprovantes constantes dos autos, também obstado.
- Quanto à alegada divergência jurisprudencial (art. 105, III, "c", da
CF/1988), concluiu-se que não se verifica similitude fática estrita entre o
acórdão recorrido e o paradigma indicado, pois a conclusão sobre a índole
abusiva e onerosidade excessiva dos reajustes decorreu de elementos probatórios
específicos deste litígio, o que impede o cotejo analítico sem reexame dos
fatos.
- Diante do pedido de desistência formulado por uma das recorrentes,
homologado na origem, o agravo em recurso especial e o respectivo recurso
especial dessa parte foram julgados prejudicados, por perda superveniente do
objeto, remanescendo apenas o exame do recurso especial da administradora de
benefícios, ao qual se negou provimento.
- Agravo em recurso especial e recurso especial de uma recorrente julgados
prejudicados, pela perda superveniente do objeto em razão de desistência
homologada, e recurso especial da outra recorrente desprovido, com majoração dos
honorários advocatícios sucumbenciais.
Trechos literais, sem inferência de tese ou aplicação automática ao caso de terceiros.
Ementa
DIREITO CIVIL E PROCESSUAL CIVIL. RECURSO ESPECIAL E AGRAVO EM RECURSO ESPECIAL.
PLANO DE SAÚDE COLETIVO POR ADESÃO. REAJUSTES POR SINISTRALIDADE E POR FAIXA
ETÁRIA. ÍNDICES DA ANS. PROVA ATUARIAL E TRANSPARÊNCIA. SÚMULAS 5 E 7/STJ.
DIVERGÊNCIA JURISPRUDENCIAL. AGRAVO EM RECURSO ESPECIAL E RECURSO ESPECIAL DE
UMA RECORRENTE PREJUDICADOS PELA DESISTÊNCIA. RECURSO ESPECIAL DA OUTRA
RECORRENTE DESPROVIDO.
1. Reconheceu-se que a cláusula de reajuste por aumento de sinistralidade em
planos coletivos é, em tese, lícita, mas sua validade concreta depende de prova
efetiva do incremento da sinistralidade e do cumprimento do dever de
transparência, mediante apresentação de extrato pormenorizado que demonstre a
relação entre despesas assistenciais e receitas do plano em período determinado,
cabendo integralmente à operadora o ônus de produzir essa prova.
2. O Tribunal de origem concluiu, com base na análise das provas, pela
"insuficiência de demonstração da forma utilizada para o cálculo do reajuste" e
pela ausência de justificativa atuarial idônea, de modo que a majoração por
sinistralidade foi corretamente reputada abusiva, entendimento alinhado à
jurisprudência do Superior Tribunal de Justiça; a pretensão recursal de reformar
tal conclusão esbarra nos óbices das Súmulas 5 e 7/STJ, por exigir reexame de
fatos e cláusulas contratuais.
3. Não se configurou violação ao art. 20 da Resolução Normativa 195/2009 da ANS,
pois o acórdão recorrido não declarou inválida, em abstrato, a cláusula de
reajuste por sinistralidade nem instituiu percentuais diferenciados em afronta
ao regime dos planos coletivos; apenas afastou a aplicação concreta do índice
contratual pela falta de comprovação e transparência, sem infirmar o modelo
normativo da ANS.
4. Quanto ao reajuste por faixa etária, aplicou-se a orientação do Tema
1.016/STJ no sentido de que ele é, em tese, válido quando haja previsão
contratual, observância das normas da ANS (como a RN 63/2003) e ausência de
percentuais desarrazoados ou aleatórios que impliquem onerosidade excessiva ou
discriminação, tendo o acórdão recorrido, com base nas circunstâncias do caso
concreto, reputado abusivo o percentual de 73,24% na última faixa etária.
5. A avaliação da onerosidade excessiva e do caráter discriminatório do reajuste
de 73,24% para 59 anos ou mais, inclusive com comparação a dados de mercado e ao
"Painel de Precificação da ANS", constitui juízo eminentemente fático,
insuscetível de revisão em recurso especial.
6. Em relação à substituição do reajuste por sinistralidade pelos índices anuais
da ANS para planos individuais, ressaltou-se que, embora a jurisprudência do STJ
afirme a inaplicabilidade direta desses índices aos planos coletivos, a
utilização, no caso concreto, desses parâmetros como balizador mínimo para
coibir onerosidade excessiva decorreu de valoração das provas e da omissão das
rés em comprovar a adequação atuarial do reajuste, circunstância que não pode
ser revista nesta instância especial em razão da Súmula 7/STJ.
7. Assentou-se que a solução ideal, em tese, quando reconhecida a natureza
abusiva do reajuste em plano coletivo, é a apuração, em liquidação de sentença,
de índice adequado mediante perícia atuarial, de forma a restabelecer o
equilíbrio econômico-financeiro do contrato; todavia, a modificação da solução
adotada no acórdão recorrido, que optou pela referência aos índices da ANS para
planos individuais, demandaria reexame do contexto probatório e da condução da
atividade instrutória, o que é vedado.
8. No tocante à restituição de valores, registrou-se que o Tema 610/STJ prevê a
devolução das diferenças pagas a maior no período de três anos anteriores ao
ajuizamento da ação, mas a verificação da aderência, no caso concreto, ao marco
temporal e aos montantes efetivamente pagos exigiria exame de datas e
comprovantes constantes dos autos, também obstado.
9. Quanto à alegada divergência jurisprudencial (art. 105, III, "c", da
CF/1988), concluiu-se que não se verifica similitude fática estrita entre o
acórdão recorrido e o paradigma indicado, pois a conclusão sobre a índole
abusiva e onerosidade excessiva dos reajustes decorreu de elementos probatórios
específicos deste litígio, o que impede o cotejo analítico sem reexame dos
fatos.
10. Diante do pedido de desistência formulado por uma das recorrentes,
homologado na origem, o agravo em recurso especial e o respectivo recurso
especial dessa parte foram julgados prejudicados, por perda superveniente do
objeto, remanescendo apenas o exame do recurso especial da administradora de
benefícios, ao qual se negou provimento.
11. Agravo em recurso especial e recurso especial de uma recorrente julgados
prejudicados, pela perda superveniente do objeto em razão de desistência
homologada, e recurso especial da outra recorrente desprovido, com majoração dos
honorários advocatícios sucumbenciais.
Dispositivo transcrito
Vistos e relatados estes autos em que são partes as acima indicadas, acordam os
Ministros da QUARTA TURMA do Superior Tribunal de Justiça, em Sessão Virtual de
12/05/2026 a 18/05/2026, por unanimidade, conhecer do recurso mas lhe negar
provimento, nos termos do voto do Sr. Ministro Relator.
Os Srs. Ministros Maria Isabel Gallotti, Antonio Carlos Ferreira, Luís Carlos
Gambogi (Desembargador Convocado do TJMG) e João Otávio de Noronha votaram com o
Sr. Ministro Relator.
Presidiu o julgamento o Sr. Ministro João Otávio de Noronha.
Recortes literais da ementa, dispositivo e referências do STJ. Não substituem o voto ou inteiro teor ausente, nem constituem tese autoral.
Comentário de Rafael Toledo
Análise autoral de leitura documental, separada do teor oficial.
Neste registro, o processo 2105235 no STJ está identificado por “RECURSO ESPECIAL”. Esse é o dado documental disponível para orientar a leitura. O campo de assunto não está informado nesta representação, de modo que não o completo por aproximação com outros processos.
O órgão indicado é “QUARTA TURMA”. Esse vínculo permite localizar a unidade registrada e acompanhar seus atos. A identificação do órgão não informa, por si, o conteúdo de uma decisão ou o acolhimento de um pedido.
Neste acórdão, a análise deve relacionar a ementa ao dispositivo preservado. A ementa apresenta a questão e a fundamentação resumida; o dispositivo registra a deliberação textual. Uma expressão retirada de um deles não substitui a leitura conjunta do documento.
O registro disponível não contém o inteiro teor do voto. Por isso, este comentário se limita à organização da fonte publicada; argumentos, fatos ou ressalvas ausentes não são reconstruídos como se fossem afirmações do tribunal.
Fonte oficial que sustenta este comentário
Identidade e proveniência do comentário
Autoria: Rafael Toledo. Versão: 2026-10-22.1. SHA-256 da fonte:
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