Classe: EMBARGOS DE DECLARAÇÃO NO AGRAVO INTERNO NO AGRAVO EM RECURSO ESPECIALOrgao: QUARTA TURMARelator: JOÃO OTÁVIO DE NORONHAData Julgamento: 2026-06-01Data Publicacao: 2026-06-08
Proveniência: STJ — acórdãos públicos. SHA-256 da fonte preservada: d714af8ad5c606090f3f0eb9de767471584bb49f35ee0ee447d4c8e0d6bf0ab7
Agravo interno é o recurso cabível contra decisão proferida pelo relator, dirigido ao respectivo órgão colegiado do tribunal. Sua função é preservar o julgamento colegiado: como a lei permite ao relator decidir sozinho em várias hipóteses, é preciso um caminho para que a turma ou a câmara reveja essa decisão.
Os embargos de declaração não servem para reverter uma decisão — servem para consertá-la por dentro. Previstos no art. 1.022 do CPC, cabem contra qualquer decisão judicial que contenha obscuridade, contradição, omissão ou erro material. Quem os apresenta pede ao próprio juiz ou órgão que decidiu: esclareça este trecho confuso, resolva esta contradição
Quadro documental do acórdão — seções literais do STJ
Transcrição dos títulos e fundamentos expressamente delimitados na ementa oficial, sem síntese ou tese criada por IA.
I. CASO EM EXAME
1. Embargos de declaração opostos a acórdão que desproveu agravo
interno e manteve a inadmissão do recurso especial, em razão de
inadequação da via para exame de ato infralegal, incidência das
Súmulas n. 83 e 7 do STJ e 284 do STF, impossibilidade de
conhecimento por violação a enunciado de súmula (Súmula n. 518 do
STJ), prejudicialidade do dissídio, inexistência de negativa de
prestação jurisdicional, suficiência de cálculos aritméticos para a
liquidação (art. 509, § 2º, do CPC) e exigibilidade das astreintes.
II. QUESTÃO EM DISCUSSÃO
2. Há oito questões em discussão: (i) saber se houve omissão quanto
ao cerceamento de defesa pelo indeferimento da prova pericial
atuarial e à aplicação da Súmula n. 7 do STJ; (ii) saber se houve
omissão quanto à divergência com o REsp n. 1.248.975/ES e à
aplicação da Súmula n. 83 do STJ; (iii) saber se houve negativa de
prestação jurisdicional por ausência de enfrentamento específico das
teses de segregação patrimonial e exaurimento do fundo; (iv) saber
se houve omissão quanto à execução de astreintes em desconformidade
com precedente qualificado; (v) saber se há contradição sobre
autonomia patrimonial e exaurimento do fundo COFAVI; (vi) saber se
há omissão quanto à imprescindibilidade de perícia atuarial; (vii)
saber se há omissão quanto ao não conhecimento da tese relativa à
Resolução n. 24/2016/2016 do CNPC; e (viii) saber se são cabíveis
multa do art. 1.026, § 2º, do CPC e majoração de honorários em razão
das contrarrazões.
III. RAZÕES DE DECIDIR
3. Os embargos de declaração destinam-se a esclarecer obscuridade,
eliminar contradição, suprir omissão ou corrigir erro material
existentes no julgado.
4. Não há omissão quanto ao alegado cerceamento de defesa, pois a
liquidação demanda cálculos aritméticos (art. 509, § 2º, do CPC) e a
perícia pretendida implica reexame de provas, vedado pela Súmula n.
7 do STJ.
5. Inexiste omissão sobre a divergência com o REsp n. 1.248.975/ES e
a aplicação da Súmula n. 83 do STJ, porque o acórdão recorrido está
em conformidade com a jurisprudência quanto à responsabilidade até
a liquidação extrajudicial e ao respeito aos limites do título
executivo.
6. Não se configura negativa de prestação jurisdicional, uma vez que
o tribunal enfrentou as questões essenciais, à luz dos arts. 489 e
1.022 do CPC, sendo desnecessária a refutação pormenorizada de todos
os argumentos.
7. Não há omissão sobre as astreintes, mantidas ante a ausência de
demonstração específica de violação a precedente qualificado.
8. Inexiste contradição quanto à autonomia patrimonial e ao
exaurimento do fundo COFAVI, porquanto a segregação patrimonial não
se sobrepõe aos limites da coisa julgada.
9. Não há omissão sobre a imprescindibilidade de perícia atuarial,
já afastada pela suficiência de cálculos aritméticos e pela vedação
ao reexame de provas.
10. Não há omissão quanto ao não conhecimento da tese relativa a ato
infralegal, pois é inviável o exame de resolução e de enunciado de
súmula em recurso especial, incidindo a Súmula n. 518 do STJ e, por
deficiência de fundamentação, a Súmula n. 284 do STF, o que
prejudica o dissídio.
11. A multa do art. 1.026, § 2º, do CPC é incabível na ausência de
intuito protelatório, e não há majoração de honorários recursais
porque o agravo interno não inaugura instância e o recurso não
ultrapassou a fase de conhecimento.
IV. DISPOSITIVO E TESE
5. Embargos de declaração rejeitados.
Tese de julgamento: "1. Não cabem embargos de declaração quando o
acórdão embargado afasta, de forma fundamentada, o cerceamento de
defesa em liquidação por cálculos e aplica a Súmula n. 7 do STJ. 2.
Não há omissão quando o acórdão embargado reconhece a harmonia do
julgado com a jurisprudência e aplica a Súmula n. 83 do STJ. 3.
Inexiste negativa de prestação jurisdicional quando as questões
essenciais são enfrentadas nos termos dos arts. 489 e 1.022 do CPC.
4. Não há omissão sobre astreintes quando mantida sua exigibilidade
por ausência de violação específica a precedente qualificado. 5. Não
há contradição quanto à autonomia patrimonial e ao exaurimento do
fundo quando prevalecem os limites da coisa julgada. 6. Não há
omissão sobre a imprescindibilidade de perícia atuarial quando
bastam cálculos aritméticos e é vedado o reexame de provas. 7. Não
cabem embargos de declaração quando o acórdão embargado aponta a
impossibilidade de conhecimento de ato infralegal e de enunciado de
súmula, incidindo as Súmulas n. 518 do STJ e 284 do STF. 8. Não é
cabível multa do art. 1.026, § 2º, do CPC na ausência de intuito
protelatório, nem majoração de honorários no julgamento de agravo
interno e embargos de declaração desprovidos."
Dispositivos relevantes citados: CPC, arts. 1.022, 489, 509, § 2º,
1.026, § 2º; CF, art. 105, III, a.
Jurisprudência relevante citada: STJ, Súmulas n. 7, 83, 518; STF,
Súmula n. 284; STJ, EDcl no AgInt nos EAREsp n. 2.157.279/RS,
relator Ministro Marco Aurélio Bellizze, Segunda Seção, julgados em
14/11/2023; STJ, EDcl no AgInt no AREsp n. 437.263/MS, relatora
Ministra Maria Isabel Gallotti, Quarta Turma, julgados em 3/4/2018;
STJ, AgInt no AREsp n. 1.223.865/SP, relator Ministro Marco Aurélio
Bellizze, Terceira Turma, julgado em 22/3/2018; STJ, AgInt no REsp
n. 1.842.930/ES, relator Ministro Marco Aurélio Bellizze, Terceira
Turma, julgado em 18/5/2020; STJ, AgInt no AgInt no REsp n.
1.705.942/ES, relator Ministro Ricardo Villas Bôas Cueva, Terceira
Turma, julgado em 2/8/2019.
Inteiro teor do voto não fornecido no registro original; ementa e dispositivo são preservados integralmente abaixo.
Ementa
DIREITO PROCESSUAL CIVIL. EMBARGOS DE DECLARAÇÃO NO AGRAVO INTERNO
NO AGRAVO EM RECURSO ESPECIAL. CUMPRIMENTO DE SENTENÇA. EMBARGOS DE
DECLARAÇÃO REJEITADOS.
I. CASO EM EXAME
1. Embargos de declaração opostos a acórdão que desproveu agravo
interno e manteve a inadmissão do recurso especial, em razão de
inadequação da via para exame de ato infralegal, incidência das
Súmulas n. 83 e 7 do STJ e 284 do STF, impossibilidade de
conhecimento por violação a enunciado de súmula (Súmula n. 518 do
STJ), prejudicialidade do dissídio, inexistência de negativa de
prestação jurisdicional, suficiência de cálculos aritméticos para a
liquidação (art. 509, § 2º, do CPC) e exigibilidade das astreintes.
II. QUESTÃO EM DISCUSSÃO
2. Há oito questões em discussão: (i) saber se houve omissão quanto
ao cerceamento de defesa pelo indeferimento da prova pericial
atuarial e à aplicação da Súmula n. 7 do STJ; (ii) saber se houve
omissão quanto à divergência com o REsp n. 1.248.975/ES e à
aplicação da Súmula n. 83 do STJ; (iii) saber se houve negativa de
prestação jurisdicional por ausência de enfrentamento específico das
teses de segregação patrimonial e exaurimento do fundo; (iv) saber
se houve omissão quanto à execução de astreintes em desconformidade
com precedente qualificado; (v) saber se há contradição sobre
autonomia patrimonial e exaurimento do fundo COFAVI; (vi) saber se
há omissão quanto à imprescindibilidade de perícia atuarial; (vii)
saber se há omissão quanto ao não conhecimento da tese relativa à
Resolução n. 24/2016/2016 do CNPC; e (viii) saber se são cabíveis
multa do art. 1.026, § 2º, do CPC e majoração de honorários em razão
das contrarrazões.
III. RAZÕES DE DECIDIR
3. Os embargos de declaração destinam-se a esclarecer obscuridade,
eliminar contradição, suprir omissão ou corrigir erro material
existentes no julgado.
4. Não há omissão quanto ao alegado cerceamento de defesa, pois a
liquidação demanda cálculos aritméticos (art. 509, § 2º, do CPC) e a
perícia pretendida implica reexame de provas, vedado pela Súmula n.
7 do STJ.
5. Inexiste omissão sobre a divergência com o REsp n. 1.248.975/ES e
a aplicação da Súmula n. 83 do STJ, porque o acórdão recorrido está
em conformidade com a jurisprudência quanto à responsabilidade até
a liquidação extrajudicial e ao respeito aos limites do título
executivo.
6. Não se configura negativa de prestação jurisdicional, uma vez que
o tribunal enfrentou as questões essenciais, à luz dos arts. 489 e
1.022 do CPC, sendo desnecessária a refutação pormenorizada de todos
os argumentos.
7. Não há omissão sobre as astreintes, mantidas ante a ausência de
demonstração específica de violação a precedente qualificado.
8. Inexiste contradição quanto à autonomia patrimonial e ao
exaurimento do fundo COFAVI, porquanto a segregação patrimonial não
se sobrepõe aos limites da coisa julgada.
9. Não há omissão sobre a imprescindibilidade de perícia atuarial,
já afastada pela suficiência de cálculos aritméticos e pela vedação
ao reexame de provas.
10. Não há omissão quanto ao não conhecimento da tese relativa a ato
infralegal, pois é inviável o exame de resolução e de enunciado de
súmula em recurso especial, incidindo a Súmula n. 518 do STJ e, por
deficiência de fundamentação, a Súmula n. 284 do STF, o que
prejudica o dissídio.
11. A multa do art. 1.026, § 2º, do CPC é incabível na ausência de
intuito protelatório, e não há majoração de honorários recursais
porque o agravo interno não inaugura instância e o recurso não
ultrapassou a fase de conhecimento.
IV. DISPOSITIVO E TESE
5. Embargos de declaração rejeitados.
Tese de julgamento: "1. Não cabem embargos de declaração quando o
acórdão embargado afasta, de forma fundamentada, o cerceamento de
defesa em liquidação por cálculos e aplica a Súmula n. 7 do STJ. 2.
Não há omissão quando o acórdão embargado reconhece a harmonia do
julgado com a jurisprudência e aplica a Súmula n. 83 do STJ. 3.
Inexiste negativa de prestação jurisdicional quando as questões
essenciais são enfrentadas nos termos dos arts. 489 e 1.022 do CPC.
4. Não há omissão sobre astreintes quando mantida sua exigibilidade
por ausência de violação específica a precedente qualificado. 5. Não
há contradição quanto à autonomia patrimonial e ao exaurimento do
fundo quando prevalecem os limites da coisa julgada. 6. Não há
omissão sobre a imprescindibilidade de perícia atuarial quando
bastam cálculos aritméticos e é vedado o reexame de provas. 7. Não
cabem embargos de declaração quando o acórdão embargado aponta a
impossibilidade de conhecimento de ato infralegal e de enunciado de
súmula, incidindo as Súmulas n. 518 do STJ e 284 do STF. 8. Não é
cabível multa do art. 1.026, § 2º, do CPC na ausência de intuito
protelatório, nem majoração de honorários no julgamento de agravo
interno e embargos de declaração desprovidos."
Dispositivos relevantes citados: CPC, arts. 1.022, 489, 509, § 2º,
1.026, § 2º; CF, art. 105, III, a.
Jurisprudência relevante citada: STJ, Súmulas n. 7, 83, 518; STF,
Súmula n. 284; STJ, EDcl no AgInt nos EAREsp n. 2.157.279/RS,
relator Ministro Marco Aurélio Bellizze, Segunda Seção, julgados em
14/11/2023; STJ, EDcl no AgInt no AREsp n. 437.263/MS, relatora
Ministra Maria Isabel Gallotti, Quarta Turma, julgados em 3/4/2018;
STJ, AgInt no AREsp n. 1.223.865/SP, relator Ministro Marco Aurélio
Bellizze, Terceira Turma, julgado em 22/3/2018; STJ, AgInt no REsp
n. 1.842.930/ES, relator Ministro Marco Aurélio Bellizze, Terceira
Turma, julgado em 18/5/2020; STJ, AgInt no AgInt no REsp n.
1.705.942/ES, relator Ministro Ricardo Villas Bôas Cueva, Terceira
Turma, julgado em 2/8/2019.
Dispositivo transcrito
Vistos e relatados estes autos em que são partes as acima indicadas,
acordam os Ministros da QUARTA TURMA do Superior Tribunal de
Justiça, em Sessão Virtual de 26/05/2026 a 01/06/2026, por
unanimidade, rejeitar os embargos de declaração, nos termos do voto
do Sr. Ministro Relator.
Os Srs. Ministros Raul Araújo, Maria Isabel Gallotti, Antonio Carlos
Ferreira e Luís Carlos Gambogi (Desembargador Convocado do TJMG)
votaram com o Sr. Ministro Relator.
Presidiu o julgamento o Sr. Ministro João Otávio de Noronha.
Recortes literais da ementa, dispositivo e referências do STJ. Não substituem o voto ou inteiro teor ausente, nem constituem tese autoral.