Quadro documental do acórdão — seções literais do STJ
Transcrição dos títulos e fundamentos expressamente delimitados na ementa oficial, sem síntese ou tese criada por IA.
I. CASO EM EXAME
1. Agravo regimental interposto contra decisão monocrática que
conheceu do agravo para conhecer em parte do recurso especial e,
nessa extensão, negar-lhe provimento.
2. O agravante sustenta: (i) indevida aplicação da Súmula 284/STF,
afirmando que as razões do recurso especial impugnaram diretamente a
dosimetria e a valoração das circunstâncias judiciais do art. 59 do
Código Penal; (ii) ocorrência de bis in idem por "tríplice
valoração" da reincidência na segunda fase da dosimetria, na fixação
do regime e no afastamento da substituição da pena; (iii) cabimento
do regime inicial aberto e da substituição da pena, defendendo a
relativização da vedação do art. 44 do Código Penal; e (iv)
possibilidade de reconhecimento da semi-imputabilidade do art. 26,
parágrafo único, do Código Penal, alegando indevida aplicação da
Súmula 7/STJ.
II. QUESTÃO EM DISCUSSÃO
3. A questão em discussão consiste em saber se a decisão monocrática
aplicou corretamente a Súmula 284/STF, por deficiência na
delimitação da controvérsia diante de razões recursais dissociadas
do acórdão recorrido.
4. A questão em discussão consiste, ainda, em saber: (i) se há bis
in idem na utilização da reincidência na segunda fase da dosimetria,
na escolha do regime inicial e no afastamento da substituição da
pena; (ii) se é cabível a substituição da pena privativa de
liberdade por restritivas de direitos em cenário de reincidência com
fundamentação concreta; e (iii) se o reconhecimento da
semi-imputabilidade demanda revolvimento do conjunto
fático-probatório, atraindo o óbice da Súmula 7/STJ.
III. RAZÕES DE DECIDIR
5. A incidência da Súmula 284/STF está justificada porque as razões
do recurso especial invocaram a negativação de vetoriais do art. 59
do Código Penal, quando o acórdão recorrido fixou as penas-base nos
mínimos legais, sem valoração desfavorável das circunstâncias
judiciais, denotando dissociação das razões em relação ao conteúdo
decidido.
6. A utilização da reincidência na segunda fase da dosimetria (art.
68 do Código Penal) e, autonomamente, como critério legal para a
escolha do regime inicial (art. 33 do Código Penal) e para afastar a
substituição da pena (art. 44 do Código Penal) não configura bis in
idem, por se tratar de consequências jurídicas distintas previstas
em dispositivos diversos.
7. O afastamento da substituição da pena privativa de liberdade por
restritivas de direitos é legítimo, à luz do art. 44 do Código
Penal, diante da reincidência e de fundamentação concreta baseada
nas circunstâncias pessoais do condenado.
8. O reconhecimento da semi-imputabilidade, com base no art. 26,
parágrafo único, do Código Penal, esbarra na Súmula 7/STJ, porque o
acórdão recorrido, examinando o laudo pericial, concluiu pela
preservação das capacidades de entendimento e autodeterminação, e a
pretensão demanda reexame de premissas fáticas.
IV. DISPOSITIVO E TESE
9. Resultado do Julgamento: Agravo regimental improvido.
Tese de julgamento:
1. É correta a aplicação da Súmula 284/STF quando as razões do
recurso especial se mostram dissociadas do acórdão recorrido. 2.
Utilizar a reincidência na segunda fase da dosimetria, na definição
do regime inicial e para afastar a substituição da pena não
configura bis in idem, por se tratar de análises jurídicas
autônomas. 3. O reconhecimento da semi-imputabilidade, quando o
acórdão afirma preservadas as capacidades de entendimento e
autodeterminação, é inviável em recurso especial, pelo óbice da
Súmula 7/STJ.Dispositivos relevantes citados:
CP, art. 59; CP, art. 68; CP, art. 33, §§ 2º e 3º, e § 2º, alínea b;
CP, art. 44; CP, art. 26, parágrafo único.
Inteiro teor do voto não fornecido no registro original; ementa e dispositivo são preservados integralmente abaixo.
Ementa
DIREITO PROCESSUAL PENAL. AGRAVO REGIMENTAL. DEFICIÊNCIA RECURSAL.
SÚMULA 284/STF. REGIME INICIAL FECHADO. REINCIDÊNCIA. SUBSTITUIÇÃO
DA PENA. SEMI-IMPUTABILIDADE. AGRAVO IMPROVIDO.
I. CASO EM EXAME
1. Agravo regimental interposto contra decisão monocrática que
conheceu do agravo para conhecer em parte do recurso especial e,
nessa extensão, negar-lhe provimento.
2. O agravante sustenta: (i) indevida aplicação da Súmula 284/STF,
afirmando que as razões do recurso especial impugnaram diretamente a
dosimetria e a valoração das circunstâncias judiciais do art. 59 do
Código Penal; (ii) ocorrência de bis in idem por "tríplice
valoração" da reincidência na segunda fase da dosimetria, na fixação
do regime e no afastamento da substituição da pena; (iii) cabimento
do regime inicial aberto e da substituição da pena, defendendo a
relativização da vedação do art. 44 do Código Penal; e (iv)
possibilidade de reconhecimento da semi-imputabilidade do art. 26,
parágrafo único, do Código Penal, alegando indevida aplicação da
Súmula 7/STJ.
II. QUESTÃO EM DISCUSSÃO
3. A questão em discussão consiste em saber se a decisão monocrática
aplicou corretamente a Súmula 284/STF, por deficiência na
delimitação da controvérsia diante de razões recursais dissociadas
do acórdão recorrido.
4. A questão em discussão consiste, ainda, em saber: (i) se há bis
in idem na utilização da reincidência na segunda fase da dosimetria,
na escolha do regime inicial e no afastamento da substituição da
pena; (ii) se é cabível a substituição da pena privativa de
liberdade por restritivas de direitos em cenário de reincidência com
fundamentação concreta; e (iii) se o reconhecimento da
semi-imputabilidade demanda revolvimento do conjunto
fático-probatório, atraindo o óbice da Súmula 7/STJ.
III. RAZÕES DE DECIDIR
5. A incidência da Súmula 284/STF está justificada porque as razões
do recurso especial invocaram a negativação de vetoriais do art. 59
do Código Penal, quando o acórdão recorrido fixou as penas-base nos
mínimos legais, sem valoração desfavorável das circunstâncias
judiciais, denotando dissociação das razões em relação ao conteúdo
decidido.
6. A utilização da reincidência na segunda fase da dosimetria (art.
68 do Código Penal) e, autonomamente, como critério legal para a
escolha do regime inicial (art. 33 do Código Penal) e para afastar a
substituição da pena (art. 44 do Código Penal) não configura bis in
idem, por se tratar de consequências jurídicas distintas previstas
em dispositivos diversos.
7. O afastamento da substituição da pena privativa de liberdade por
restritivas de direitos é legítimo, à luz do art. 44 do Código
Penal, diante da reincidência e de fundamentação concreta baseada
nas circunstâncias pessoais do condenado.
8. O reconhecimento da semi-imputabilidade, com base no art. 26,
parágrafo único, do Código Penal, esbarra na Súmula 7/STJ, porque o
acórdão recorrido, examinando o laudo pericial, concluiu pela
preservação das capacidades de entendimento e autodeterminação, e a
pretensão demanda reexame de premissas fáticas.
IV. DISPOSITIVO E TESE
9. Resultado do Julgamento: Agravo regimental improvido.
Tese de julgamento:
1. É correta a aplicação da Súmula 284/STF quando as razões do
recurso especial se mostram dissociadas do acórdão recorrido. 2.
Utilizar a reincidência na segunda fase da dosimetria, na definição
do regime inicial e para afastar a substituição da pena não
configura bis in idem, por se tratar de análises jurídicas
autônomas. 3. O reconhecimento da semi-imputabilidade, quando o
acórdão afirma preservadas as capacidades de entendimento e
autodeterminação, é inviável em recurso especial, pelo óbice da
Súmula 7/STJ.Dispositivos relevantes citados:
CP, art. 59; CP, art. 68; CP, art. 33, §§ 2º e 3º, e § 2º, alínea b;
CP, art. 44; CP, art. 26, parágrafo único.
Dispositivo transcrito
Vistos e relatados estes autos em que são partes as acima indicadas,
acordam os Ministros da Turma, por unanimidade, negar provimento ao
agravo regimental.
Os Srs. Ministros Joel Ilan Paciornik, Messod Azulay Neto, Maria
Marluce Caldas e Reynaldo Soares da Fonseca votaram com o Sr.
Ministro Relator.
Presidiu o julgamento o Sr. Ministro Reynaldo Soares da Fonseca.
Recortes literais da ementa, dispositivo e referências do STJ. Não substituem o voto ou inteiro teor ausente, nem constituem tese autoral.