Inteiro teor do voto não fornecido no registro original; ementa e dispositivo são preservados integralmente abaixo.
RECURSO DE AGRAVO REGIMENTAL NO RECURSO ORDINÁRIO EM HABEAS CORPUS. PROVA ORIUNDA DE ESTADO ESTRANGEIRO. COOPERAÇÃO JURÍDICA INTERNACIONAL. TESE DE VALIDADE DAS PROVAS NÃO DEBATIDA. INDEVIDA SUPRESSÃO DE INSTÂNCIA. PREJUÍZO NÃO COMPROVADO. JUNTADA DE PROVAS SUPOSTAMENTE ESTRANGEIRAS. NULIDADE DE ALGIBEIRA. PERDA DA OPORTUNIDADE DE IMPUGNAR. ALEGAÇÕES FINAIS. INÉRCIA DEFENSIVA. PRECLUSÃO. CONSTRANGIMENTO ILEGAL NÃO EVIDENCIADO. FEITO CONEXO: RHC 141.171/RN. SÚMULA 182/STJ. PRINCÍPIO DA COLEGIALIDADE. OFENSA NÃO CONFIGURADA. AGRAVO DESPROVIDO. I - O RISTJ, no seu art. 34, "b", dispõe que o Relator pode decidir monocraticamente quando contrário…
Ementa
RECURSO DE AGRAVO REGIMENTAL NO RECURSO ORDINÁRIO EM HABEAS CORPUS.
PROVA ORIUNDA DE ESTADO ESTRANGEIRO. COOPERAÇÃO JURÍDICA
INTERNACIONAL. TESE DE VALIDADE DAS PROVAS NÃO DEBATIDA. INDEVIDA
SUPRESSÃO DE INSTÂNCIA. PREJUÍZO NÃO COMPROVADO. JUNTADA DE PROVAS
SUPOSTAMENTE ESTRANGEIRAS. NULIDADE DE ALGIBEIRA. PERDA DA
OPORTUNIDADE DE IMPUGNAR. ALEGAÇÕES FINAIS. INÉRCIA DEFENSIVA.
PRECLUSÃO. CONSTRANGIMENTO ILEGAL NÃO EVIDENCIADO. FEITO CONEXO: RHC
141.171/RN. SÚMULA 182/STJ. PRINCÍPIO DA COLEGIALIDADE. OFENSA NÃO
CONFIGURADA. AGRAVO DESPROVIDO.
I - O RISTJ, no seu art. 34, "b", dispõe que o Relator pode decidir
monocraticamente quando contrário à jurisprudência dominante acerca
do tema.
II - A Corte Especial deste eg. Superior Tribunal de Justiça editou
a Súmula n. 568, segundo a qual "O relator, monocraticamente e no
Superior Tribunal de Justiça, poderá dar ou negar provimento ao
recurso quando houver entendimento dominante acerca do tema."
III - A decisão monocrática proferida por Relator não afronta o
princípio da colegialidade, sendo certo que a possibilidade de
interposição de agravo regimental contra a respectiva decisão, como
ocorre na espécie, permite que a matéria seja apreciada pela Turma,
afastando eventual vício.
IV - Nos termos da jurisprudência consolidada nesta eg. Corte,
cumpre ao agravante impugnar especificamente os fundamentos
estabelecidos na decisão agravada.
V - Na decisão recorrida, consignou-se que o efetivo debate sobre a
validade ou não da prova oriunda de Estado Estrangeiro não ocorreu
na origem, de modo que, se a eg. Corte a quo não se pronunciou sobre
o tema, este Tribunal Superior fica impedido de se debruçar sobre a
matéria, sob pena de incorrer em indevida supressão de instância.
VI - Sobre a nulidade, além de a própria defesa ter juntado outras
supostas provas da mesma origem estrangeira questionada, ela ainda
teve a oportunidade de se insurgir sobre a questão, inclusive em
sede de alegações finais, mas não se pronunciou (preclusão). Veja-se
que "Vige no sistema processual penal o princípio da lealdade, da
boa-fé objetiva e da cooperação entre os sujeitos processuais, não
sendo lícito à parte arguir vício para o qual concorreu em sua
produção, sob pena de se violar o princípio de que ninguém pode se
beneficiar da própria torpeza" (AgRg no HC n. 477.933/RN, Quinta
Turma, Rel. Min. Félix Fischer, DJe de 10/5/2019).
VII - De qualquer forma, sobre a ausência de cooperação
internacional, a d. Defesa não demonstrou qual foi a tese jurídica
ou a atuação defensiva que teria sido prejudicada. Assente nesta
Corte Superior que, "Em matéria de nulidade, no processo penal, como
cediço, há de ser demonstrado prejuízo, ausente na espécie" (HC n.
410.161/PR, Sexta Turma, Relª. Minª. Maria Thereza de Assis Moura,
DJe de 27/4/2018).
VIII - Ainda, tem-se que já houve a análise das provas dos autos de
origem por esta Corte Superior no feito conexo, o RHC n. 141.171/RN,
julgado em 25/5/2022 e que já se encontra transitado. Verbis:
"Nota-se assim que os indícios de autoria e materialidade mostram-se
suficientes para dar prosseguimento ao curso processual. Inclusive,
observa-se que, no Ofício n. 0048/2020, de 21/1/2020, o reitor da
UNITEPC, em resposta ao Ofício n. 1.131/2019 - GAB do reitor da
UFRN, reafirmou ser falso o diploma da recorrente, assim como é
falso o Ofício n. 099/2019, no qual afirmava que o diploma seria
verdadeiro, retratando indícios de autoria e materialidade
necessários ao prosseguimento do feito. Portanto, a ação penal
encontra-se lastreada em materialidade delitiva inconteste e em
indícios suficientes de autoria em relação à recorrente, tudo em
conformidade com o art. 41 do Código de Processo Penal, viabilizando
assim a ampla defesa e o contraditório, não havendo que se falar em
inexistência de justa causa, certo que as questões de fato deverão
ser examinadas e decididas no curso da instrução processual."
IX - No mais, os argumentos atraem a Súmula n. 182 desta Corte
Superior.
Agravo regimental desprovido.
Dispositivo transcrito
Vistos e relatados estes autos em que são partes as acima indicadas,
acordam os Ministros da QUINTA TURMA do Superior Tribunal de
Justiça, em sessão virtual de 28/02/2023 a 06/03/2023, por
unanimidade, negar provimento ao recurso, nos termos do voto do Sr.
Ministro Relator.
Os Srs. Ministros Reynaldo Soares da Fonseca, Ribeiro Dantas, Joel
Ilan Paciornik e João Batista Moreira (Desembargador convocado do
TRF1) votaram com o Sr. Ministro Relator.
Presidiu o julgamento o Sr. Ministro Joel Ilan Paciornik.
Jurisprudência citada no registro do STJ
(NULIDADE - DEMONSTRAÇÃO DE PREJUÍZO)
STJ - <<AgRg no AREsp 1191112>>-AL, <<HC 365684>>-PB,
<<HC 410161>>-PR, <<AgRg no AREsp 378353>>-PR,
<<AgInt no AREsp 442923>>-SP, <<AgRg no REsp 1687421>>-TO,
<<EDcl nos EDcl no AgRg no AREsp 1382353>>-SP
(NULIDADE DE ALGIBEIRA)
STJ - <<EDcl nos EDcl no AgRg no AREsp 1382353>>-SP
(LEALDADE, COOPERAÇÃO E BOA-FÉ NOS ATOS PROCESSUAIS)
STJ - <<AgRg no HC 477933>>-RN
Recortes literais da ementa, dispositivo e referências do STJ. Não substituem o voto ou inteiro teor ausente, nem constituem tese autoral.