STJ — 808672
Proveniência: STJ — acórdãos públicos. SHA-256 da fonte preservada: eefce979dc522ad3b925cfb9eaa9d624fecfcd4881fe6cb1f137bf8657c440b4
Registro público original completo (JSON)
Ementa
AGRAVO REGIMENTAL EM HABEAS CORPUS. ESTATUTO DA CRIANÇA E DO
ADOLESCENTE - ECA. PRÁTICA DE ATO INFRACIONAL ANÁLOGO AO CRIME DE
PORTE ILEGAL DE ARMA DE FOGO DE USO PERMITIDO (LEI 10.826/2003, ART.
14, CAPUT, NA FORMA DO ART. 103 DA LEI N. 8.069/1990). MEDIDA
SOCIOEDUCATIVA DE INTERNAÇÃO. POSSIBILIDADE. GRAVIDADE DA
TRANSGRESSÃO E REITERAÇÃO INFRACIONAL. PRECEDENTES DESTA CORTE.
AGRAVO DESPROVIDO.
1. A medida socioeducativa de internação impõe-se nas hipóteses
taxativamente arroladas no art. 122 do Estatuto da Criança e do
Adolescente, assim redigido: "Art. 122. A medida de internação só
poderá ser aplicada quando: I - tratar-se de ato infracional
cometido mediante grave ameaça ou violência a pessoa; II - por
reiteração no cometimento de outras infrações graves; III - por
descumprimento reiterado e injustificável da medida anteriormente
imposta. § 1º O prazo de internação na hipótese do inciso III deste
artigo não poderá ser superior a três meses. § 2º Em nenhuma
hipótese será aplicada a internação, havendo outra medida adequada".
2. No caso "o representado registra a prática de outros atos
infracionais recentes, inclusive encontra-se internado
provisoriamente nos autos n. 5007715-50.2022.8.24.0080, pela prática
dos atos infracionais definidos como crimes nos arts. 33, caput, e
35, caput, ambos da Lei n. 11.343/06" (cf. sentença, e-STJ, fl. 39),
restando configurada a reiteração em atos infracionais, o que
justifica a imposição da medida socioeducativa de internação.
3. É de ser considerada ainda a gravidade objetiva do ato
infracional praticado pelo agravante, na medida em que o porte de
arma de fogo revela seu comprometimento com o mundo da delinquência,
especialmente no que se refere ao envolvimento com a
narcotraficância.
4. Depois, não se exige trânsito em julgado de eventual medida
socioeducativa anteriormente aplicada para configurar a reiteração
de ato infracional previsto no art. 122, inciso II, do Estatuto da
Criança e do Adolescente ECA. Isso porque não é possível estender ao
âmbito do ECA o conceito de reincidência, tal como previsto na lei
penal. (AgRg no HC 661.820/SC, Rel. Ministro JOEL ILAN PACIORNIK,
QUINTA TURMA, julgado em 8/6/2021, DJe 15/ 6/2021)
5. Agravo regimental desprovido.
Dispositivo transcrito
Vistos e relatados estes autos em que são partes as acima
indicadas, acordam os Ministros da QUINTA TURMA do Superior Tribunal
de Justiça, em sessão virtual de 15/08/2023 a 21/08/2023, por
unanimidade, negar provimento ao recurso, nos termos do voto do Sr.
Ministro Relator.
Os Srs. Ministros Reynaldo Soares da Fonseca, Joel Ilan Paciornik,
Messod Azulay Neto e João Batista Moreira (Desembargador convocado
do TRF1) votaram com o Sr. Ministro Relator.
Presidiu o julgamento o Sr. Ministro Messod Azulay Neto.
Referências legislativas identificadas
Outras decisões e processos do mesmo assunto
Relacionados por códigos TPU ou citações LexML coincidentes, não por resultado presumido.
- STJ — 848930 — HABEAS CORPUS · 2025-03-10 · 1 referência(s) em comum
- STJ — 829663 — HABEAS CORPUS · 2024-11-11 · 1 referência(s) em comum
- STJ — 870236 — HABEAS CORPUS · 2024-11-12 · 1 referência(s) em comum