Como funciona a extradição de quem cometeu crime

Por · Revisão: Rafael Toledo · Atualizado em 2026-08-06 · 4 fontes oficiais verificadas

Extradição é o ato pelo qual o Brasil entrega a outro país uma pessoa procurada por crime, para que ela seja julgada ou cumpra pena lá fora. Não é uma decisão livre do governo: a Constituição e a Lei de Migração traçam limites rígidos, e há situações em que a entrega é simplesmente proibida. A dúvida mais comum é sobre brasileiros. A resposta muda conforme a pessoa seja brasileira nata ou naturalizada, e conforme o tipo de crime imputado.

Brasileiro nato nunca é extraditado (art. 5º, LI)

O art. 5º, inciso LI, da Constituição, é categórico: nenhum brasileiro será extraditado, com uma única ressalva. O brasileiro naturalizado pode ser entregue em caso de crime comum praticado antes da naturalização ou de comprovado envolvimento com tráfico ilícito de entorpecentes, a qualquer tempo.

Já o brasileiro nato está totalmente fora do alcance da extradição, sem exceção. Isso não significa impunidade: o país pode processá-lo aqui, inclusive por fatos ocorridos no exterior, dentro das regras de extraterritorialidade.

Crime político e de opinião: a vedação do inciso LII

O art. 5º, inciso LII, veda a extradição de estrangeiro por crime político ou de opinião. Essa proteção reflete uma escolha histórica de não usar a cooperação penal para perseguir dissidentes. A classificação do que é crime político, contudo, costuma gerar debate, e cabe ao Supremo Tribunal Federal analisá-la caso a caso.

Quando o crime tem caráter comum, mesmo que envolva alguma motivação política, a vedação pode não se aplicar. Essa é uma das análises mais delicadas do processo de extradição.

As hipóteses que impedem a entrega no art. 82 da Lei de Migração

A Lei de Migração, no art. 82, lista situações em que a extradição não será concedida. Entre elas estão: o fato que motiva o pedido não ser considerado crime no Brasil, a pessoa reclamada ser brasileira nata, o crime ser político, já ter ocorrido prescrição segundo a lei brasileira ou a do Estado requerente, e a existência de tribunal ou juízo de exceção no país que pede a entrega.

Além disso, costuma-se exigir compromissos do Estado requerente, como não aplicar pena de morte nem prisão perpétua incompatível com a ordem brasileira. Sem esses requisitos, o pedido não avança.

Quem decide o pedido de extradição

No modelo brasileiro, a extradição passiva, requerida por outro país, é submetida ao Supremo Tribunal Federal, competente para julgá-la conforme o art. 102 da Constituição. O tribunal examina a legalidade e o cumprimento dos requisitos.

Mesmo autorizada pelo Supremo, a entrega não é automática: cabe ao Poder Executivo a decisão final sobre efetivá-la, dentro dos limites fixados pela Corte. Assim, o processo combina controle judicial e ato de governo.

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