Embalagem e impresso personalizado não têm tributação idêntica

Por · Revisão: Rafael Toledo · Atualizado em 2026-08-06 · 3 fontes oficiais verificadas

A tributação da atividade gráfica depende do destino econômico do resultado, não apenas de ele ter sido produzido sob encomenda. A redação atual do subitem 13.05 da Lei Complementar 116/2003 mantém a composição gráfica no ISS, mas retira desse campo objetos destinados a posterior operação de comercialização ou industrialização, ainda que incorporados a mercadoria que circulará depois. A distinção ganhou forma na medida cautelar da ADI 4389, relativa a embalagens integradas à cadeia produtiva, e foi expressamente incorporada à lei pela Lei Complementar 157/2016. Por isso, a antiga frase de que todo impresso personalizado paga apenas ISS não pode ser aplicada sem conferir a destinação concreta.

Embalagem que acompanha a mercadoria integra sua circulação

Caixas, cartuchos, rótulos, etiquetas e outros invólucros produzidos para acondicionar ou identificar mercadoria destinada à venda participam do ciclo comercial ou industrial. Nessa situação, a exceção do item 13.05 afasta o ISS e direciona a operação ao campo do ICMS, desde que presentes seus requisitos.

Não importa que o cliente forneça a arte ou que cada lote tenha marca exclusiva. Personalização não elimina a função econômica da embalagem. Pedido, especificação e nota devem indicar qual produto será acondicionado e a etapa seguinte.

Composição gráfica final pode permanecer no ISS

O serviço gráfico personalizado entregue ao usuário final, sem integração a mercadoria que será industrializada ou comercializada, permanece em princípio no subitem 13.05. Convites, materiais de uso próprio e trabalhos semelhantes exigem confirmação dos fatos, pois a aparência do impresso não revela sozinha seu destino.

A Súmula 156 do STJ continua útil para a composição gráfica personalizada, mas deve ser lida com a exceção legal posterior e com a orientação da ADI 4389. Não é uma autorização para enquadrar embalagens de circulação como serviço municipal.

Bulas, manuais e etiquetas pedem análise funcional

A LC 116 cita expressamente bulas, rótulos, etiquetas, caixas, cartuchos, embalagens e manuais técnicos ou de instrução quando destinados à comercialização ou industrialização posterior. A lista não dispensa investigar o uso. O mesmo tipo físico pode acompanhar produto vendido, ser consumido internamente ou constituir material publicitário autônomo.

Registre a destinação declarada pelo encomendante e confronte-a com quantidade, formato e cadeia de fornecimento. Declaração genérica não prevalece se a operação demonstra incorporação direta à mercadoria.

Contrato misto não deve ser repartido artificialmente

Criação da arte, pré-impressão, impressão, acabamento e entrega podem formar uma prestação única ou etapas realmente autônomas. A separação fiscal precisa acompanhar autonomia econômica, contratação e entrega, não simples distribuição de valores numa planilha. Insumos relevantes e propriedade do material ajudam a compreender o negócio, mas a destinação final continua central.

Quando houver serviço criativo independente da fabricação das embalagens, documente escopo, aceite e preço próprios. Se tudo converge para fornecer o invólucro acabado, fragmentar a nota não altera a operação real.

A emissão correta começa antes da produção

Inclua no pedido campo para uso final, produto relacionado, eventual revenda e etapa industrial seguinte. Mantenha amostra ou descrição técnica, ordem de produção e vínculo com o documento de saída. Depois confira cadastro estadual ou municipal, CFOP, NCM, código de serviço e legislação do ente competente.

Cliente que muda a destinação precisa comunicar antes da emissão. Em revisão de períodos passados, separe operações por tipo e prova disponível; não use a atividade principal da gráfica para classificar todo o faturamento de uma vez.

Perguntas frequentes

Todo rótulo personalizado está sujeito ao ICMS?

Não apenas por ser rótulo. O item 13.05 exclui do ISS o objeto destinado a posterior comercialização ou industrialização. Um material de uso final pode ter outro enquadramento, conforme fatos e legislação aplicável.

A Súmula 156 ainda vale para serviços gráficos?

Sim, para a composição gráfica personalizada no recorte que permanece no ISS. Ela deve ser lida com a ADI 4389 e com a exceção introduzida na LC 116 para embalagens e impressos integrados à circulação posterior.

Proveniência

Onde buscar este serviço

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