Ligações diárias oferecendo consignado: como parar e quando cabe indenização

Por · Revisão: Rafael Toledo · Atualizado em 2026-08-06 · 2 fontes oficiais verificadas

O telefone toca de manhã, de tarde, às vezes mais de uma vez no mesmo dia, sempre com a mesma oferta de crédito consignado. Para muitos aposentados, esse volume de contato deixou de ser publicidade e virou assédio, especialmente quando a insistência continua mesmo depois de o beneficiário pedir, claramente, para não ser mais contatado.

Quando a insistência deixa de ser publicidade legítima e vira assédio

Contato comercial pontual, respeitando a recusa do consumidor, é prática normal de mercado. O problema surge com a repetição excessiva, o contato em horários inadequados, a insistência mesmo após pedido expresso de não ser mais procurado, ou o uso de informações pessoais do beneficiário — como o valor do benefício ou a margem disponível — de forma a pressionar a contratação. O Código de Defesa do Consumidor veda a prática abusiva que se aproveita da vulnerabilidade do consumidor, o que inclui o idoso pressionado repetidamente por telefone.

Como registrar a reclamação e formalizar o pedido de parar o contato

O primeiro passo é, sempre que possível, pedir expressamente ao atendente, de forma clara e registrada (se a ligação for gravada pelo próprio consumidor, melhor ainda), que a instituição pare de contatá-lo. Persistindo os contatos, a reclamação pode ser registrada na plataforma consumidor.gov.br, que encaminha a demanda diretamente à instituição financeira e exige resposta em prazo determinado, servindo também como histórico documentado da insistência.

Quando cabe indenização pelo assédio

O simples recebimento de algumas ligações de oferta não costuma gerar indenização por si só. O que sustenta o pedido é a documentação de um padrão: múltiplos contatos por dia, insistência após pedido expresso de interrupção, ou constrangimento causado ao beneficiário — por exemplo, ligações em horários que perturbam o descanso ou pressão psicológica sobre uma pessoa idosa. Reunir prints de chamadas, protocolos de reclamação e testemunhas (familiares que presenciaram os contatos) fortalece o pedido de reparação por dano moral.

O papel da regulação sobre correspondentes bancários

Bancos costumam terceirizar a oferta de consignado a correspondentes bancários, que atuam sob supervisão regulatória do Banco Central. Quando o assédio vem de um correspondente, a instituição financeira que o contratou responde também pela conduta, já que se beneficia da venda realizada por esse canal — o que amplia as opções de quem responsabilizar na reclamação.

Quando o pedido de indenização não prospera

Contatos esporádicos, mesmo que incômodos, dificilmente sustentam pedido de indenização isoladamente; é preciso o padrão de insistência e, de preferência, a prova de que a instituição foi avisada e mesmo assim continuou. Reunir o histórico de contatos e as reclamações já registradas e levar o caso a um advogado particular ajuda a avaliar se o volume documentado é suficiente para sustentar uma ação, análise que pode ser feita remotamente, com o material enviado por WhatsApp.

Um exemplo de padrão que sustenta a reclamação

Um aposentado passa a receber, durante três semanas seguidas, entre duas e quatro ligações por dia oferecendo consignado, de números diferentes que se identificam como parceiros do mesmo banco. Ele registra cada chamada em um caderno com data e horário, pede expressamente a um dos atendentes que pare de ligar e, mesmo assim, os contatos continuam. Com esse registro detalhado e o protocolo de uma reclamação formalizada no consumidor.gov.br sem resposta satisfatória do banco, ele reúne elementos suficientes para sustentar tanto o pedido de cessação definitiva dos contatos quanto uma eventual reparação pelo desgaste causado.

Perguntas frequentes

Existe algum cadastro para bloquear ligações de oferta de crédito?

Há iniciativas de bloqueio de telemarketing operadas por entidades do setor de telecomunicações; para reclamações específicas contra bancos e correspondentes, o canal mais direto continua sendo consumidor.gov.br e o próprio Banco Central.

Recusar a oferta por telefone impede novas ligações do mesmo banco?

Não necessariamente de forma imediata; por isso é importante registrar formalmente o pedido de não contato e, se a insistência continuar, documentar cada nova ligação para reforçar a reclamação.

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Conteúdo informativo. Não substitui a análise individual de um advogado ou da Defensoria Pública sobre o seu caso.