Depois de quanto tempo o banco perde o direito de cobrar na Justiça

Por · Revisão: Rafael Toledo · Atualizado em 2026-08-06 · 2 fontes oficiais verificadas

Dívida velha não desaparece automaticamente, mas o direito do credor de exigi-la pela via judicial tem prazo. Passado esse período sem cobrança e sem qualquer ato que o interrompa, o devedor pode alegar prescrição e afastar a exigibilidade judicial da dívida — mesmo que ela continue existindo do ponto de vista contábil. Saber contar esse prazo corretamente evita tanto o erro de pagar uma dívida já prescrita por medo, quanto o erro de ignorar uma cobrança que ainda está dentro do prazo legal.

O prazo de cinco anos para dívidas líquidas em instrumento particular

Contratos bancários formalizados por instrumento particular, como contratos de empréstimo, financiamento ou cédula de crédito bancário, seguem a regra do art. 206, § 5º, I, do Código Civil, que fixa em cinco anos a prescrição da pretensão de cobrança de dívidas líquidas constantes de instrumento público ou particular. O prazo conta, em regra, do vencimento da obrigação ou de cada parcela vencida, quando o pagamento é parcelado.

O que interrompe o prazo e reinicia a contagem

A prescrição se interrompe, entre outras hipóteses previstas no art. 202 do Código Civil, por despacho do juiz que ordena a citação, por protesto do título, ou por qualquer ato inequívoco do devedor que reconheça a dívida, ainda que extrajudicial — o que inclui, por exemplo, assinar uma proposta de renegociação ou pagar parte do débito. A interrupção só pode ocorrer uma vez, e o prazo recomeça a correr por inteiro a partir do ato que interrompeu.

Por que reconhecer a dívida pode reativar um prazo já quase vencido

Um dos erros mais comuns é responder a uma cobrança antiga admitindo o débito ou propondo pagamento parcial sem perceber que esse gesto reinicia a contagem da prescrição, mesmo quando faltavam poucos meses para ela se consumar. Antes de negociar uma dívida bancária muito antiga, vale checar a data do último pagamento ou de qualquer contato formal com o banco, porque essa verificação pode indicar que a cobrança já não é mais exigível judicialmente.

Perguntas frequentes

Dívida prescrita some do meu nome automaticamente?

Não necessariamente; a prescrição afasta a cobrança judicial, mas a permanência do nome em cadastro de inadimplentes tem regra própria, geralmente limitada a cinco anos contados do vencimento da obrigação.

O banco pode continuar cobrando por telefone dívida prescrita?

A cobrança extrajudicial em si não é automaticamente proibida, mas o devedor pode opor a prescrição como defesa se o banco tentar cobrar judicialmente depois do prazo.

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