STJ — 989937
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Ementa
AGRAVO REGIMENTAL NO HABEAS CORPUS. PROCESSO PENAL. TRÁFICO DE
ENTORPECENTES. NULIDADE. BUSCA VEICULAR. PRESENÇA DE FUNDADAS
SUSPEITAS. LEGALIDADE DA ABORDAGEM. POSTERIOR INGRESSO NO DOMICÍLIO.
AUTORIZAÇÃO. AUSÊNCIA DE COMPROVAÇÃO. VOLUNTARIEDADE. ÔNUS
ESTATAL. NULIDADE RECONHECIDA. AGRAVO REGIMENTAL PARCIALMENTE
PROVIDO.
1. "Exige-se, em termos de standard probatório para busca pessoal ou
veicular sem mandado judicial, a existência de fundada suspeita
(justa causa) - baseada em um juízo de probabilidade, descrita com a
maior precisão possível, aferida de modo objetivo e devidamente
justificada pelos indícios e circunstâncias do caso concreto - de
que o indivíduo esteja na posse de drogas, armas ou de outros
objetos ou papéis que constituam corpo de delito, evidenciando-se a
urgência de se executar a diligência." (RHC n. 158.580/BA, relator
Ministro Rogerio Schietti Cruz, Sexta Turma, julgado em 19/4/2022,
DJe 25/4/2022.)
2. No caso, "o que motivou a abordagem do réu não foram apenas o
fato de que havia informações sobre ele dedicar-se à prática do
tráfico, mas o fato de que algo ao menos semelhante a entorpecentes
ter sido avistado no interior de seu carro", que resultou na
apreensão de entorpecentes, estando hígida, portanto, a prova
produzida.
3. De outra parte, verifica-se ilegalidade em relação ao posterior
ingresso dos policiais na residência do acusado, uma vez que a
medida foi justificada na suposta autorização do genitor do
agravante, o que foi por ele negado, não havendo, assim, comprovação
suficiente desse consentimento.
4. "Segundo a nova orientação jurisprudencial, o ônus de comprovar a
higidez dessa autorização, com prova da voluntariedade do
consentimento, recai sobre o estado acusador" (HC n. 685.593/SP,
relator Ministro Sebastião Reis Júnior, Sexta Turma, DJe de
19/10/2021, grifei).
5. Agravo regimental parcialmente provido para reconhecer a higidez
da busca veicular e declarar a nulidade das provas decorrentes da
violação do domicílio, com determinação de retorno dos autos à
primeira instância, para que profira novo julgamento, como entender
de direito, após análise sobre a subsistência de eventuais provas
independentes e não contaminadas.
Dispositivo transcrito
Vistos e relatados estes autos em que são partes as acima
indicadas, acordam os Ministros da SEXTA TURMA do Superior Tribunal
de Justiça, em Sessão Virtual de 15/05/2025 a 21/05/2025, por
unanimidade, dar parcial provimento ao recurso, nos termos do voto
do Sr. Ministro Relator.
Os Srs. Ministros Og Fernandes, Sebastião Reis Júnior, Rogerio
Schietti Cruz e Otávio de Almeida Toledo (Desembargador Convocado do
TJSP) votaram com o Sr. Ministro Relator.
Presidiu o julgamento o Sr. Ministro Sebastião Reis Júnior.
Referências legislativas identificadas
Outras decisões e processos do mesmo assunto
Relacionados por códigos TPU ou citações LexML coincidentes, não por resultado presumido.
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