O que é latrocínio e por que a pena é tão alta

Por · Revisão: Rafael Toledo · Atualizado em 2026-08-06 · 3 fontes oficiais verificadas

O termo latrocínio aparece muito no noticiário, quase sempre ligado a um roubo que terminou em morte. Apesar de envolver uma vítima morta, ele não é uma modalidade de homicídio, e essa distinção tem consequências importantes, inclusive sobre quem julga o caso. Este verbete explica o que é o latrocínio, a razão de sua pena severa e onde ele se diferencia do homicídio.

Latrocínio é roubo qualificado pela morte (art. 157, §3º)

O latrocínio não tem esse nome no texto da lei; ele é o roubo com resultado morte, previsto no art. 157, § 3º, inciso II, do Código Penal. Quando, da violência empregada no roubo, resulta a morte da vítima, a pena é de reclusão de vinte e quatro a trinta anos, e multa.

A lógica do crime é que a subtração de bens mediante violência é tão grave que, se dela decorre a morte de alguém, a resposta penal se aproxima das penas máximas do sistema. O bem jurídico central continua sendo o patrimônio, mas a morte da vítima eleva o crime a um dos mais punidos do Código.

Por que o latrocínio não é julgado pelo júri

Aqui está a diferença que mais confunde. O homicídio é crime doloso contra a vida e, por isso, é julgado pelo tribunal do júri, conforme o art. 5º, inciso XXXVIII, da Constituição. O latrocínio, ao contrário, é crime contra o patrimônio porque a morte guarda nexo com a violência empregada para subtrair, assegurar a subtração ou a impunidade do roubo. Essa classificação não depende de a morte ter sido desejada: o agente pode responder por latrocínio mesmo quando mata intencionalmente, desde que o resultado esteja ligado ao contexto patrimonial.

Por essa razão, o latrocínio não vai a júri: é julgado pelo juiz singular. O ponto decisivo não é ausência de intenção de matar, mas o vínculo entre a morte e o roubo. Esse entendimento explica por que dois casos com vítima morta podem seguir caminhos processuais diferentes.

A consumação e o limite do crime

Outro ponto relevante é quando o latrocínio se considera consumado. O entendimento tradicional, refletido na Súmula 610 do Supremo Tribunal Federal, é de que há latrocínio consumado ainda que não se realize a subtração dos bens, desde que ocorra a morte da vítima. Ou seja, é a morte, e não o sucesso do roubo, que marca a consumação.

Cada caso exige a análise de como a violência e a morte se ligaram ao roubo, o que define o enquadramento e a pena. Diante de uma acusação dessa natureza, o acompanhamento por advogado é indispensável, e a Defensoria Pública atua para quem não pode contratar.

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