Comprar um negócio pode significar herdar dívidas fiscais

Por · Revisão: Rafael Toledo · Atualizado em 2026-08-06 · 2 fontes oficiais verificadas

Antes de assinar o contrato de compra de um restaurante já em funcionamento, um empresário levanta o passivo trabalhista, mas esquece de verificar as certidões fiscais. Meses depois, recebe cobrança de ICMS referente a período anterior à aquisição. A regra que explica essa surpresa está no art. 133 do Código Tributário Nacional e é conhecida como sucessão tributária.

O que diz o art. 133 do CTN

Quem adquire de outra pessoa, por qualquer título, fundo de comércio ou estabelecimento comercial, industrial ou profissional e continua a respectiva exploração, sob a mesma ou outra razão social, responde pelos tributos relativos ao fundo ou estabelecimento adquirido, devidos até a data do ato. O dispositivo distingue dois graus dessa responsabilidade: integral, se o alienante cessar a exploração do comércio, indústria ou atividade; e subsidiária, se o alienante prosseguir na exploração ou iniciar, dentro de seis meses, nova atividade no mesmo ou em outro ramo.

Diferença para a responsabilidade do sócio

A sucessão tributária do art. 133 não exige nenhum ato irregular do adquirente — ele responde pelo simples fato de ter comprado o negócio e continuado a exploração, ainda que tenha agido de boa-fé e desconhecesse o débito. É uma lógica distinta da responsabilidade pessoal do sócio administrador por infração de lei: aqui, o que importa é a continuidade da atividade econômica, não a conduta de quem administra.

Como reduzir o risco antes de comprar

Levantar certidões de regularidade fiscal (federal, estadual e municipal) em nome do vendedor e do próprio estabelecimento, antes de fechar negócio, é a medida prática mais eficaz. Cláusulas contratuais de retenção de parte do preço para cobrir eventuais débitos futuros também são comuns, embora não afastem a responsabilidade do adquirente perante o Fisco — apenas organizam a relação entre comprador e vendedor. Em processos de recuperação judicial ou falência, a compra de unidade produtiva isolada tem regras próprias que podem afastar a sucessão, mas essa exceção depende de decisão judicial específica no processo concursal.

O sucessor também pode ser réu na execução fiscal

A Lei 6.830/1980 lista, entre os legitimados passivos da execução fiscal, os sucessores a qualquer título — previsão que dialoga diretamente com o art. 133 do CTN e explica por que o comprador do estabelecimento pode ser citado numa cobrança judicial referente a período anterior à sua entrada no negócio. Se a Certidão de Dívida Ativa já indicar essa qualidade, cabe ao adquirente, na defesa, demonstrar eventual excesso na cobrança ou a inaplicabilidade da sucessão ao caso concreto, por exemplo quando não houve continuidade da mesma atividade econômica.

Perguntas frequentes

A sucessão tributária vale mesmo quando o comprador desconhecia o débito?

Sim. O art. 133 do CTN não condiciona a responsabilidade do adquirente ao conhecimento prévio da dívida; por isso a due diligence fiscal antes da compra é a principal forma de prevenção.

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