O que sobra para o acionista na ordem de pagamentos da falência

Por · Revisão: Rafael Toledo · Atualizado em 2026-08-06 · 2 fontes oficiais verificadas

A empresa em que você tinha ações decretou falência e o preço do papel foi a zero na bolsa — a pergunta que fica é se existe qualquer chance de recuperar parte do valor investido, e a resposta depende de entender em que posição o acionista fica na fila de pagamentos.

Por que o acionista é o último a receber na falência

Na falência, o art. 83 da Lei 11.101/2005 estabelece a ordem de classificação dos créditos: primeiro trabalhistas e acidentários, depois créditos com garantia real, depois créditos tributários, e assim sucessivamente até créditos subordinados e, só então, os sócios e acionistas, que recebem o que sobrar do patrimônio, se sobrar algo, na proporção da sua participação. Isso decorre da própria natureza da ação: pelo art. 1º da Lei 6.404/1976, o acionista tem responsabilidade limitada ao preço de emissão das ações, mas é dono de fração da empresa, não credor dela.

O que muda se a falência ainda está em processamento

Enquanto o processo corre, o valor de mercado da ação tende a refletir a expectativa de recuperação de ativos, quase sempre próxima de zero. Vender a ação nesse estágio realiza a perda; manter a posição só faz sentido se houver indício concreto de que existirá algum ativo relevante a liquidar em favor dos acionistas depois de pagos os credores das classes anteriores.

Quando existe alternativa antes da falência decretada

Se a empresa está em recuperação judicial, e não em falência, a situação é diferente: o plano de recuperação pode prever conversão de dívida em ações, diluição acionária ou outras medidas que afetam o acionista sem extinguir a companhia. Acompanhar as assembleias de credores e as comunicações da própria companhia à CVM ajuda a entender se ainda há valor a preservar.

O que avaliar antes de declarar prejuízo definitivo

Vale considerar se a perda pode ser compensada fiscalmente com ganhos futuros em renda variável, conforme a legislação do imposto de renda sobre esse tipo de rendimento, e se existe indício de fraude contábil ou informação falsa prestada pela companhia antes da quebra — nesse caso, a via de responsabilização dos administradores é distinta da simples habilitação de crédito na falência.

Perguntas frequentes

Dá para vender a ação antes de a falência ser decretada?

Sim, enquanto houver negociação em bolsa; o problema é que o preço já costuma refletir o risco de quebra iminente, o que reduz bastante o valor obtido na venda.

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