Ganho de capital na venda de imóvel: cálculo, isenções e DARF

Por · Revisão: Rafael Toledo · Atualizado em 2026-08-06 · 5 fontes oficiais verificadas

A venda de imóvel por valor superior ao custo de aquisição pode gerar ganho de capital tributável no próprio ano da operação. A apuração é feita no GCAP correspondente ao ano-calendário, e não apenas na declaração anual do exercício seguinte. Antes de emitir o DARF, verifique as isenções legais: as regras do único imóvel de até R$ 440.000,00 e do reinvestimento do produto da venda em imóvel residencial têm requisitos diferentes e devem ser informadas no programa.

Como formar o custo sem atualização automática

No GCAP, informe valor e data da venda, custo de aquisição e despesas admitidas e comprovadas. Não se atualiza o imóvel simplesmente pelo preço de mercado ou pela inflação. Em regra, parte-se do valor declarado e dos acréscimos legalmente incorporáveis, como determinadas benfeitorias documentadas e despesas de aquisição; eventos especiais de atualização previstos em lei exigem a opção, o pagamento e os registros próprios. Corretagem suportada pelo vendedor pode repercutir no valor de alienação conforme as instruções do programa.

Isenção do único imóvel de até R$ 440 mil

O art. 23 da Lei 9.250/1995 isenta o ganho na alienação do único imóvel que o titular possua quando o valor de venda não ultrapassa R$ 440.000,00 e não houve qualquer outra alienação de imóvel nos cinco anos anteriores. O teto recai sobre o valor de alienação, não sobre o ganho. A análise de copropriedade, venda de fração, bens comuns e operações anteriores deve seguir os fatos e as orientações do GCAP; chamar o imóvel de residência principal não substitui o requisito de ser o único.

Reinvestimento residencial em 180 dias

O art. 39 da Lei 11.196/2005 isenta o ganho quando pessoa física residente no Brasil vende imóvel residencial e, em até 180 dias contados do contrato, aplica o produto da venda na aquisição, em seu nome, de imóvel residencial localizado no País. A orientação de 2026 inclui a aquisição de unidade residencial em construção ou na planta e o uso do produto para quitar, total ou parcialmente, saldo diretamente ligado à aquisição a prazo ou à prestação de imóvel residencial que o vendedor já possuía. A aplicação parcial gera tributação proporcional da parcela não aplicada, e a opção só pode ser usada uma vez a cada cinco anos. Não se enquadram a venda ou compra de terreno, a aquisição de imóvel comercial ou apenas de vaga de garagem, nem gastos para construir, continuar obra, reformar ou fazer benfeitorias em imóvel próprio.

Ano do GCAP, vencimento e importação para a DIRPF

Use o GCAP do ano em que a alienação ocorreu. O programa calcula o imposto e gera o DARF; as informações são importadas para a DIRPF do ano seguinte. Na venda à vista não isenta, o vendedor residente paga até o último dia útil do mês seguinte ao da alienação. Se o preço for recebido em parcelas, o ganho total é apurado como venda à vista, mas o imposto incide proporcionalmente sobre cada parcela e vence no último dia útil do mês seguinte ao respectivo recebimento; eventual reajuste contratual recebe tratamento separado de juros. Não espere a declaração anual para apurar a operação, porque o atraso gera multa e juros.

Documentos que sustentam a apuração

Guarde escritura ou contrato de aquisição e venda, comprovantes de pagamento, corretagem, tributos e emolumentos, notas de benfeitorias e documentos do novo imóvel usado no reinvestimento. Para a regra dos 180 dias, preserve datas e fluxo financeiro que demonstrem quanto do produto foi aplicado. Se houver mais de um vendedor, cada contribuinte deve apurar sua participação e verificar os próprios requisitos; um único GCAP genérico para o casal pode ocultar diferenças de titularidade e de uso anterior da isenção.

Perguntas frequentes

A isenção de 180 dias vale para comprar terreno ou reformar imóvel próprio?

Não para terreno, gasto de construção, reforma ou benfeitoria em imóvel próprio. A orientação distingue essas despesas da aquisição de imóvel residencial em construção ou na planta, que pode ser abrangida se os demais requisitos forem cumpridos.

O limite de R$ 440 mil corresponde ao lucro da venda?

Não. Na isenção do único imóvel, o limite legal se refere ao valor de alienação, além da exigência de não ter ocorrido outra alienação nos cinco anos anteriores.

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