Passo a passo para cobrar de quem bateu e não tem seguro

Por · Revisão: Rafael Toledo · Atualizado em 2026-08-06 · 2 fontes oficiais verificadas

O outro motorista assumiu a culpa no local, prometeu resolver e sumiu. Não tem seguro, não atende telefone e o orçamento do conserto está parado na oficina há semanas. Daqui para frente, cobrar deixa de ser conversa e passa a ser procedimento. O roteiro tem duas etapas que muita gente confunde: primeiro se obtém um título — a decisão que reconhece a dívida —, depois se executa esse título sobre bens. Pular a primeira etapa é a razão mais comum de frustração.

Etapa 1: transformar o prejuízo em título

A responsabilidade nasce do ato ilícito e a indenização se mede pela extensão do dano, na lógica dos arts. 186, 927 e 944 do Código Civil. Traduzido: é preciso demonstrar a culpa do outro condutor e o valor do prejuízo.

Reúna boletim de ocorrência, fotografias do local e dos veículos, dados de testemunhas, três orçamentos de reparo, notas de despesas com guincho e transporte alternativo. Se houve acordo escrito e descumprido, esse documento pode até valer como título executivo, encurtando o caminho — vale conferir se ele foi assinado também por duas testemunhas.

Etapa 2: escolher o juízo certo

Causas de menor valor podem ir ao Juizado Especial Cível, onde o rito é mais rápido e a atuação de advogado é dispensável até certo limite de alçada. Acima disso, ou quando o caso exige perícia complexa, a vara cível é o caminho.

Pense também em quem processar. Se o carro pertencia a empresa e era conduzido por funcionário, ou se havia proprietário distinto do condutor, incluir todos os responsáveis amplia as chances de recebimento na fase seguinte.

Etapa 3: do trânsito em julgado ao cumprimento

Com a condenação em quantia certa, começa o cumprimento de sentença regulado pela Lei 13.105/2015. O devedor é intimado para pagar em 15 dias, acrescido de custas; não pagando, o valor recebe multa e honorários, e a expropriação de bens é liberada.

Não é preciso saber de antemão onde estão os bens. O próprio processo tem ferramentas de pesquisa patrimonial: bloqueio de valores em contas, restrição sobre veículos e consulta a declarações fiscais são requeridas ao juízo.

Etapa 4: o que a lei protege do devedor

O art. 833 do Código de Processo Civil lista os bens impenhoráveis, entre eles os móveis e utilidades domésticas que guarnecem a residência, salvo os de elevado valor, além de salários e de quantias necessárias ao sustento, com exceções previstas na própria lei.

É por isso que executar alguém sem patrimônio formal pode não resultar em recebimento. Antes de investir em processo longo, vale uma avaliação realista: existe imóvel registrado, veículo quitado, empresa ativa, vínculo de emprego? A resposta orienta a decisão.

Etapa 5: alternativas quando a execução emperra

Parcelamento negociado em audiência costuma render mais do que anos de penhora frustrada. Protesto da decisão e inscrição do débito em cadastros de inadimplentes também pressionam o pagamento.

E há uma frente esquecida: se o causador tinha seguro de responsabilidade civil, ainda que você não soubesse, essa informação aparece nos autos e muda todo o cenário. Conduzir a cobrança do levantamento de provas à pesquisa patrimonial, com pedidos bem formulados, é trabalho técnico que advogado particular executa integralmente em processo eletrônico, sem exigir deslocamentos do prejudicado.

Perguntas frequentes

Posso cobrar sem ter consertado o carro ainda?

Sim. Orçamentos idôneos servem para demonstrar o valor do dano. O conserto prévio ajuda quando há notas fiscais, mas não é condição para a cobrança.

O acordo assinado no local do acidente vale?

Vale como prova e, se assinado pelo devedor e por duas testemunhas, pode ser executado diretamente, sem necessidade de ação de conhecimento.

Proveniência

Conteúdo informativo. Não substitui a análise individual de um advogado ou da Defensoria Pública sobre o seu caso.