O que o marco legal do saneamento alterou na prática

Por · Revisão: Rafael Toledo · Atualizado em 2026-08-06 · 2 fontes oficiais verificadas

Desde 2020, contratos de água e esgoto que antes eram renovados sem disputa entre municípios e companhias estaduais passaram a exigir licitação, e cada concessão ganhou uma meta de cobertura com prazo definido. Para quem paga a conta todo mês, essas mudanças parecem distantes, mas afetam diretamente a qualidade e a expansão do serviço na própria rua.

O fim dos contratos sem disputa entre poder público e prestador

A Lei 14.026/2020 alterou a Lei 11.445/2007 para exigir licitação, nos termos do art. 175 da Constituição Federal, vedando que a prestação de serviços de saneamento continue disciplinada por contrato de programa, convênio ou instrumento de natureza precária firmado sem disputa entre municípios e companhias estaduais. A regra vale para novos contratos e renovações, forçando concorrência entre prestadores públicos e privados.

As metas de 99% de água e 90% de esgoto até 2033

O novo marco vinculou a licitação à comprovação de capacidade econômico-financeira do prestador para viabilizar a universalização até 31 de dezembro de 2033, com metas de 99% de atendimento com água potável e 90% de cobertura de coleta e tratamento de esgotos. Esse horizonte concreto é o que sustenta, na prática, boa parte das obras de expansão de rede que passaram a aparecer em bairros historicamente sem atendimento.

O que isso significa como direito do usuário

Para o consumidor, a mudança se traduz em três efeitos diretos: prazo definido para cobrar expansão de rede onde ela ainda não chega, possibilidade de fiscalizar o cumprimento das metas contratuais junto à agência reguladora e maior formalização da relação entre titular do serviço, prestador e usuário, o que fortalece reclamações administrativas fundamentadas em descumprimento de meta, e não apenas em insatisfação genérica com o serviço.

Perguntas frequentes

O marco do saneamento acabou com as companhias estaduais de água e esgoto?

Não; ele mudou a forma de contratação, exigindo licitação, mas companhias estaduais continuam podendo prestar o serviço, inclusive vencendo processos licitatórios.

Se a meta de 2033 não for cumprida, o consumidor pode reclamar?

Sim; o descumprimento de metas contratuais de universalização pode ser objeto de reclamação à agência reguladora responsável pela fiscalização do contrato de concessão na região.

Proveniência

Onde buscar este serviço

O caminho descrito nesta página é público e não depende de contratação particular. Estes são os canais oficiais de atendimento:

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