Renúncia à garantia de emprego pós-acidente para aderir a plano de desligamento

Por · Revisão: Rafael Toledo · Atualizado em 2026-08-06 · 1 fonte oficial verificada

A proposta parece boa: valor à vista, alguns meses de plano de saúde e o fim de uma situação desconfortável na empresa. Só que quem está no período de garantia de emprego após acidente de trabalho tem uma proteção que não nasceu de negociação individual — e por isso não se desfaz apenas com uma assinatura.

A garantia do art. 118

A Lei nº 8.213/1991 assegura, no art. 118, ao segurado que sofreu acidente do trabalho a manutenção do contrato de trabalho na empresa pelo prazo mínimo de doze meses após a cessação do auxílio-doença acidentário, independentemente da percepção de auxílio-acidente.

O Tribunal Superior do Trabalho fixou em verbete os pressupostos dessa garantia: o afastamento superior a quinze dias e a consequente percepção do benefício acidentário, salvo constatação, após a despedida, de doença profissional relacionada à execução do contrato. A proteção, portanto, tem contornos objetivos.

Por que a renúncia é problemática

A garantia de emprego pós-acidente é norma de ordem pública, ligada à saúde e à reinserção do trabalhador. Direitos dessa natureza não são livremente disponíveis pelo empregado, sobretudo quando a renúncia ocorre dentro da relação de subordinação, com o emprego já ameaçado.

O ponto não é que qualquer acordo seja nulo. É que a validade depende de circunstâncias verificáveis: quitação de valores efetivamente devidos, ausência de pressão, informação completa sobre o direito renunciado e compensação real e proporcional. Adesão obtida com informação incompleta tende a ser desconstituída.

As formas de acordo e seus efeitos diferentes

Plano de desligamento voluntário instituído por norma coletiva, com adesão livre e cláusula expressa de quitação, tem maior chance de ser respeitado, porque conta com a participação sindical.

A rescisão por acordo entre empregado e empregador tem regras próprias na CLT, com metade do aviso prévio e da indenização sobre o FGTS e movimentação limitada da conta vinculada. Já o acordo homologado em juízo, com assistência de advogado, é o que oferece maior segurança jurídica para ambos os lados — e é comum que a empresa prefira esse caminho justamente por isso.

O que conferir antes de assinar

O risco de assinar sem avaliar

Cláusula ampla de quitação, assinada sem assistência, costuma ser invocada depois para barrar não apenas a discussão sobre a garantia de emprego, mas também o pedido de indenização por danos materiais, morais e estéticos decorrentes do acidente — que é, muitas vezes, o direito de maior expressão econômica.

Do outro lado, é legítimo querer encerrar o vínculo: nem todo trabalhador deseja permanecer no ambiente onde se acidentou. A questão é fazer essa escolha com informação.

Por isso, submeter a minuta do acordo, o histórico do benefício e os laudos a um advogado particular antes da assinatura — com envio dos documentos por canal digital, o que resolve bem para quem ainda está em recuperação — é o passo que separa uma decisão consciente de uma renúncia involuntária.

Perguntas frequentes

Se eu assinar e depois me arrepender, dá para reverter?

É possível discutir a validade do acordo, especialmente quando há vício de consentimento ou informação incompleta, mas a reversão depende de prova e é sempre mais difícil do que a avaliação prévia.

A garantia de doze meses impede qualquer forma de saída?

Não. Ela protege contra a dispensa imotivada. O pedido de demissão, o acordo válido e a dispensa por justa causa comprovada seguem regimes próprios.

Proveniência

Conteúdo informativo. Não substitui a análise individual de um advogado ou da Defensoria Pública sobre o seu caso.