Inteiro teor do voto não fornecido no registro original; ementa e dispositivo são preservados integralmente abaixo.
AGRAVO INTERNO EM AGRAVO EM RECURSO ESPECIAL. PROCESSUAL CIVIL.
TRIBUTÁRIO. IRPJ E CSLL. LUCRO REAL. APURAÇÃO ANUAL COM PAGAMENTO
POR ESTIMATIVA MENSAL. UTILIZAÇÃO DE BALANCETES DE SUSPENSÃO OU
REDUÇÃO. COMPENSAÇÃO "NÃO DECLARADA". VIGÊNCIA DO ART. 74, §3º, IX,
C/C §12, I, DA LEI N. 9.430/96. "TEMPUS REGIT ACTUM". QUESTIONAMENTO
DA CONSTITUCIONALIDADE DE LEI QUE ALTERA REGIME DE TRIBUTAÇÃO CUJA
OPÇÃO É IRRETRATÁVEL PELO CONTRIBUINTE POR UM DETERMINADO PERÍODO.
TEMA CONSTITUCIONAL INSUCETÍVEL DE EXAME EM SEDE DE RECURSO
ESPECIAL.
Fundamentos transcritos da ementa — itens numerados pelo STJ
- Este Superior Tribunal de Justiça tem precedentes firmados em
sede de recurso repetitivo no sentido de que a compensação deve
obedecer ao regime jurídico vigente à época em que pleiteada a
realização do encontro de contas: REsp. n. 1.164.452 - MG, Primeira
Seção, Rel. Min. Teori Albino Zavascki, julgado em 25.08.2010; REsp.
n. 1.137.738 - SP, Primeira Seção, Rel. Min. Luiz Fux, julgado em
9.12.2009.
- Sendo assim, é perfeitamente aplicável a determinação expressa de
04.12.2008 a 28.05.2009 na Medida Provisória n. 449/2008 (c/c art.
62, §11, da CF/88) e, a partir de 30.5.2018, pela Lei n.
13.670/2018, no art. 74, §3º, IX, c/c §12, I, da Lei n. 9.430/96,
onde se considera "não declarada" a compensação feita para quitar os
débitos relativos ao recolhimento mensal por estimativa do Imposto
sobre a Renda das Pessoas Jurídicas - IRPJ e da Contribuição Social
sobre o Lucro Líquido - CSLL. Precedentes: AgInt no REsp. n.
1.929.158 / PR, Primeira Turma, Rel. Min. Benedito Gonçalves,
julgado em 19.10.2021; AgInt no REsp. n. 1.927.254 / RS, Segunda
Turma, Rel. Min. Herman Benjamin, julgado em 16.08.2021.
- A menção legal à "irretratabilidade" de opção por regime de
tributação (no caso, o art. 3º, da Lei n. 9.430/96, nos precedentes,
o art. 9º, §13, da Lei n. 12.546/2011) vincula apenas o contribuinte
e não o legislador, que pode sim alterar as regras do regime durante
o seu curso, submetendo-se apenas aos limites constitucionais. Daí
que essa alteração legislativa somente pode ser afastada se
declarada sua inconstitucionalidade por violação às regras
constitucionais concernentes à segurança jurídica, sendo tal matéria
insindicável por este Superior Tribunal de Justiça em sede de
recurso especial. Precedentes: AgInt no REsp. n. 1.843.421 / SC,
Segunda Turma, Rel. Min. Mauro Campbell Marques, julgado em
19.10.2020; REsp. n. 1.928.107 / RS, Segunda Turma, Rel. Min. Herman
Benjamin, julgado em 03.08.2021; AgInt no REsp. n. 1.886.323 / RJ,
Segunda Turma, Rel. Min. Herman Benjamin, julgado em 12.04.2021;
REsp. n. 1.877.075 / PR, Segunda Turma, Rel. Min. Herman Benjamin,
julgado em 04.08.2020.
- Não é possível em sede de recurso especial afastar a exigência
prevista no artigo 74, §3º, inciso IX, da Lei n° 9.430/96 à luz de
preceitos constitucionais supostamente violados.
- Agravo interno não provido.
Trechos literais, sem inferência de tese ou aplicação automática ao caso de terceiros.
Ementa
AGRAVO INTERNO EM AGRAVO EM RECURSO ESPECIAL. PROCESSUAL CIVIL.
TRIBUTÁRIO. IRPJ E CSLL. LUCRO REAL. APURAÇÃO ANUAL COM PAGAMENTO
POR ESTIMATIVA MENSAL. UTILIZAÇÃO DE BALANCETES DE SUSPENSÃO OU
REDUÇÃO. COMPENSAÇÃO "NÃO DECLARADA". VIGÊNCIA DO ART. 74, §3º, IX,
C/C §12, I, DA LEI N. 9.430/96. "TEMPUS REGIT ACTUM". QUESTIONAMENTO
DA CONSTITUCIONALIDADE DE LEI QUE ALTERA REGIME DE TRIBUTAÇÃO CUJA
OPÇÃO É IRRETRATÁVEL PELO CONTRIBUINTE POR UM DETERMINADO PERÍODO.
TEMA CONSTITUCIONAL INSUCETÍVEL DE EXAME EM SEDE DE RECURSO
ESPECIAL.
1. Este Superior Tribunal de Justiça tem precedentes firmados em
sede de recurso repetitivo no sentido de que a compensação deve
obedecer ao regime jurídico vigente à época em que pleiteada a
realização do encontro de contas: REsp. n. 1.164.452 - MG, Primeira
Seção, Rel. Min. Teori Albino Zavascki, julgado em 25.08.2010; REsp.
n. 1.137.738 - SP, Primeira Seção, Rel. Min. Luiz Fux, julgado em
9.12.2009.
2. Sendo assim, é perfeitamente aplicável a determinação expressa de
04.12.2008 a 28.05.2009 na Medida Provisória n. 449/2008 (c/c art.
62, §11, da CF/88) e, a partir de 30.5.2018, pela Lei n.
13.670/2018, no art. 74, §3º, IX, c/c §12, I, da Lei n. 9.430/96,
onde se considera "não declarada" a compensação feita para quitar os
débitos relativos ao recolhimento mensal por estimativa do Imposto
sobre a Renda das Pessoas Jurídicas - IRPJ e da Contribuição Social
sobre o Lucro Líquido - CSLL. Precedentes: AgInt no REsp. n.
1.929.158 / PR, Primeira Turma, Rel. Min. Benedito Gonçalves,
julgado em 19.10.2021; AgInt no REsp. n. 1.927.254 / RS, Segunda
Turma, Rel. Min. Herman Benjamin, julgado em 16.08.2021.
3. A menção legal à "irretratabilidade" de opção por regime de
tributação (no caso, o art. 3º, da Lei n. 9.430/96, nos precedentes,
o art. 9º, §13, da Lei n. 12.546/2011) vincula apenas o contribuinte
e não o legislador, que pode sim alterar as regras do regime durante
o seu curso, submetendo-se apenas aos limites constitucionais. Daí
que essa alteração legislativa somente pode ser afastada se
declarada sua inconstitucionalidade por violação às regras
constitucionais concernentes à segurança jurídica, sendo tal matéria
insindicável por este Superior Tribunal de Justiça em sede de
recurso especial. Precedentes: AgInt no REsp. n. 1.843.421 / SC,
Segunda Turma, Rel. Min. Mauro Campbell Marques, julgado em
19.10.2020; REsp. n. 1.928.107 / RS, Segunda Turma, Rel. Min. Herman
Benjamin, julgado em 03.08.2021; AgInt no REsp. n. 1.886.323 / RJ,
Segunda Turma, Rel. Min. Herman Benjamin, julgado em 12.04.2021;
REsp. n. 1.877.075 / PR, Segunda Turma, Rel. Min. Herman Benjamin,
julgado em 04.08.2020.
4. Não é possível em sede de recurso especial afastar a exigência
prevista no artigo 74, §3º, inciso IX, da Lei n° 9.430/96 à luz de
preceitos constitucionais supostamente violados.
5. Agravo interno não provido.
Dispositivo transcrito
Vistos e relatados estes autos em que são partes as acima indicadas,
acordam os Ministros da SEGUNDA TURMA do Superior Tribunal de
Justiça, em sessão virtual de 06/09/2022 a 12/09/2022, por
unanimidade, negar provimento ao recurso, nos termos do voto do Sr.
Ministro Relator.
Os Srs. Ministros Francisco Falcão, Herman Benjamin e Assusete
Magalhães votaram com o Sr. Ministro Relator.
Não participou do julgamento o Sr. Ministro Humberto Martins.
Presidiu o julgamento o Sr. Ministro Mauro Campbell Marques.
Jurisprudência citada no registro do STJ
(COMPENSAÇÃO TRIBUTÁRIA - LEGISLAÇÃO APLICÁVEL)
STJ - <<REsp 1164452>>-MG (RECURSO REPETITIVO - TEMA(s) 345),
<<REsp 1137738>>-SP (RECURSO REPETITIVO - TEMA(s) 265)
(DIREITO ADQUIRIDO - REGIME JURÍDICO DE COMPENSAÇÃO TRIBUTÁRIA)
STJ - <<AgInt no REsp 1929158>>-PR,
<<AgInt no REsp 1927254>>-RS
(REGIME DE TRIBUTAÇÃO - IRRETRATABILIDADE - VINCULAÇÃO APENAS DO
CONTRIBUINTE)
STJ - <<REsp 1928107>>-RS,
<<REsp 1877075>>-PR,
<<AgInt no REsp 1843421>>-SC,
<<AgInt no REsp 1886323>>-RJ
Referências legislativas textuais na fonte
- LEG:FED MPR:000449 ANO:2008
- LEG:FED LEI:009430 ANO:1996
ART:00003 ART:00074 PAR:00003 INC:00009 PAR:00012
INC:00001
(ART. 74, § 3º, IX, COM A REDAÇÃO DADA PELA LEI 13.670/2018)
- LEG:FED LEI:013670 ANO:2018
ART:00006
- LEG:FED CFB:****** ANO:1988
***** CF-1988 CONSTITUIÇÃO FEDERAL DE 1988
ART:00062 PAR:00011
- LEG:FED LEI:012546 ANO:2011
ART:00009 PAR:00013
Recortes literais da ementa, dispositivo e referências do STJ. Não substituem o voto ou inteiro teor ausente, nem constituem tese autoral.