Taxa de orçamento em assistência técnica: quando é legal?

Por · Revisão: Rafael Toledo · Atualizado em 2026-08-06 · 3 fontes oficiais verificadas

Você levou o aparelho para avaliação, recusou o conserto porque o valor não compensou, e na hora de retirar apareceu uma cobrança pela "taxa de orçamento" que ninguém tinha mencionado antes. A pergunta certa não é se a assistência pode cobrar por elaborar um orçamento — pode —, mas se ela avisou isso antes de começar o serviço. É esse detalhe que separa cobrança legítima de cobrança abusiva.

O que o artigo 40 do CDC exige do fornecedor

Antes de executar qualquer conserto, a assistência técnica precisa apresentar ao cliente, por força do artigo 40 do Código de Defesa do Consumidor, um orçamento por escrito que separe quanto custa a mão de obra, quanto custam peças e equipamentos, a forma de pagamento e as datas em que o serviço começa e termina. O parágrafo 1º fixa que, salvo estipulação em contrário, o orçamento aprovado tem validade de dez dias contados do recebimento pelo consumidor, e o parágrafo 2º estabelece que, uma vez aprovado, ele vincula tanto o cliente quanto a assistência, de modo que qualquer mudança de valor depois disso depende de nova negociação entre as duas partes.

O ponto central para a taxa de orçamento está no artigo 31: a oferta e a apresentação do serviço devem assegurar informações corretas, claras e precisas sobre suas características e condições, entre outros dados. Cobrar por um orçamento sem ter informado essa cobrança antes de o consumidor autorizar a avaliação viola exatamente essa exigência de informação prévia e clara.

Quando a taxa é devida

Se a assistência técnica afixa aviso visível no balcão, informa verbalmente e faz o consumidor assinar ordem de serviço mencionando expressamente o valor cobrado caso o orçamento seja recusado, a cobrança tende a ser válida — o consumidor teve a informação antes de autorizar a avaliação e decidiu mesmo assim prosseguir. A taxa também costuma ser legítima quando o diagnóstico exige abertura do equipamento, testes específicos ou substituição de peça para teste, gerando custo real e informado previamente para a empresa.

Quando a cobrança não pode ser exigida

Se não houve qualquer aviso prévio sobre a existência dessa taxa — nem no balcão, nem verbalmente, nem na ordem de serviço assinada — a cobrança surpreende o consumidor depois que o serviço já foi realizado, o que contraria a exigência de informação clara do artigo 31 combinada com a lógica do artigo 40. Nesse caso, o consumidor pode recusar o pagamento e, se a assistência reter o aparelho por isso, a questão passa a envolver também a retenção indevida do bem, que é discussão distinta e ainda mais grave.

Perguntas frequentes

Preciso pagar a taxa se recusei o orçamento?

Só se a cobrança foi informada antes de você autorizar a avaliação, de forma clara, por aviso no local ou na ordem de serviço assinada. Sem esse aviso prévio, a taxa não pode ser exigida.

A assistência pode recusar minha entrada se eu não aceitar pagar a taxa?

Ela pode informar a cobrança antes e você decidir não deixar o aparelho; o problema surge quando a taxa só é revelada depois do serviço já feito, sem ter sido combinada previamente.

Proveniência

Onde buscar este serviço

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