Para que serve a resposta à acusação no processo penal

Por · Revisão: Rafael Toledo · Atualizado em 2026-08-06 · 3 fontes oficiais verificadas

A resposta à acusação é a primeira peça de defesa depois que o réu é citado. Ela não é uma formalidade: é o momento em que a defesa fala pela primeira vez nos autos e pode, em alguns casos, encerrar o processo antes da audiência. Entender o que ela alcança evita tratá-la como mera burocracia.

O que a defesa apresenta na resposta do art. 396-A

O art. 396-A do Código de Processo Penal define o conteúdo dessa peça. Nela a defesa pode arguir tudo o que interessa ao réu: questões preliminares, como a incompetência do juízo ou a inépcia da denúncia, e o mérito, negando o fato ou a autoria.

É também o momento de juntar documentos, especificar as provas que se pretende produzir e, sobretudo, arrolar as testemunhas de defesa. Testemunha não indicada aqui, em regra, não poderá ser ouvida depois. Por isso a resposta exige preparo: é uma peça técnica, e não um simples desabafo do acusado.

O prazo de dez dias contado da citação válida

O prazo para a resposta é de dez dias, contados da citação. A contagem começa quando o réu é efetivamente chamado ao processo, normalmente pela entrega do mandado por oficial de justiça.

A resposta é obrigatória. Se o réu citado não constituir advogado e não apresentar a peça, o juiz nomeia defensor para oferecê-la, porque a ampla defesa, garantida pelo art. 5º, LV, da Constituição, não pode ser dispensada. Ainda assim, o réu que se organiza no prazo aproveita melhor esse primeiro espaço de defesa.

Como a resposta pode levar à absolvição sumária

O maior alcance da resposta é abrir caminho para a absolvição sumária do art. 397. Se a defesa demonstrar, já nessa fase, que houve legítima defesa, que o fato não é crime, que falta prova do dolo ou que a punição está extinta pela prescrição, o juiz pode absolver sem levar o caso à instrução.

Imagine alguém denunciado por furto de um objeto que, na verdade, era seu e estava documentado em nota fiscal juntada à resposta. Demonstrada de plano a ausência de crime, o juiz pode encerrar o caso ali. Isso nem sempre acontece: quando a questão depende de esclarecer fatos em audiência, o processo segue. Mas mesmo sem encerrar o caso, uma boa resposta fixa desde cedo a tese de defesa e delimita as provas que serão discutidas.

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