Quando cabe relaxamento de prisão

Por · Revisão: Rafael Toledo · Atualizado em 2026-08-06 · 2 fontes oficiais verificadas

Uma prisão pode ser tecnicamente legal em sua origem, mas se tornar ilegal por vício no procedimento — prazo estourado, ausência de comunicação ao juiz, formalidade não cumprida. Para essas situações, existe o relaxamento de prisão, que se distingue de outros mecanismos de soltura por atacar diretamente a ilegalidade do ato prisional em si.

Imediatamente relaxada pela autoridade judiciária: é assim que o art. 5º, inciso LXV, da Constituição Federal determina que seja tratada a prisão ilegal. No mesmo sentido, ao receber a comunicação de prisão em flagrante, o art. 310, I, do Código de Processo Penal exige que o juiz relaxe a prisão quando constatar ilegalidade — por exemplo, flagrante forjado, falta de nota de culpa no prazo ou ausência de comunicação à família do preso.

Relaxamento não se confunde com liberdade provisória

Vício formal na prisão — ela nunca deveria ter existido daquele jeito — é o que o relaxamento pressupõe. Já a liberdade provisória parte de uma prisão legalmente válida, mas dispensável naquele momento processual, concedida mediante condições. São remédios diferentes para diagnósticos diferentes, ainda que ambos resultem, ao final, em soltura do investigado ou réu.

Onde e como pedir

Diretamente ao juiz do caso, ou por meio de habeas corpus perante o tribunal competente, quando o juiz de primeiro grau já tiver se manifestado ou quando houver urgência incompatível com o trâmite ordinário, pode a defesa requerer o relaxamento. A análise do pedido se concentra na regularidade formal da prisão, e não no mérito da acusação que eventualmente já tramite em paralelo.

Perguntas frequentes

Relaxar a prisão significa que o processo acaba?

Não. O relaxamento ataca apenas a ilegalidade do ato prisional; o processo criminal, se já em curso, continua tramitando normalmente, apenas sem a prisão irregular.

Depois do relaxamento, é possível uma nova prisão pelo mesmo fato?

Sim, desde que a nova prisão seja formalizada de maneira regular, sem repetir o vício que motivou o relaxamento anterior; o vício reconhecido é do ato prisional em si, não do direito de investigar o fato.

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