Sobreaviso: à disposição da empresa fora da jornada

Por · Revisão: Rafael Toledo · Atualizado em 2026-08-06 · 2 fontes oficiais verificadas

Ficar de celular ligado, esperando ser chamado a qualquer momento pela empresa, sem poder se ausentar de casa ou de determinado raio de deslocamento, é situação que a CLT batizou de sobreaviso desde as ferrovias, e que hoje se discute também em outras categorias por analogia.

A origem no artigo 244 e a extensão por analogia

O art. 244, §2º, da CLT trata do sobreaviso originalmente para empregados de estradas de ferro, prevendo que o tempo à disposição em plantão fora da empresa é remunerado à razão de um terço do salário-hora normal. Categorias fora do setor ferroviário passaram a invocar essa regra por analogia sempre que o empregador exige disponibilidade equivalente fora do horário de trabalho.

O que caracteriza a disponibilidade que gera sobreaviso

Não é qualquer contato eventual fora do expediente que configura sobreaviso; a caracterização depende de o trabalhador ficar de fato restrito em sua liberdade de locomoção e disponível para atender a chamado a qualquer momento, geralmente por meio de aparelho como celular corporativo ou bipe, aguardando ordem de comparecimento.

Sobreaviso não é a mesma coisa que hora extra

O tempo em sobreaviso é pago a um terço da hora normal justamente porque o trabalhador não está efetivamente prestando serviço, apenas disponível; quando o chamado se concretiza e o empregado precisa efetivamente atender, executar tarefa ou comparecer ao trabalho, esse período passa a ser hora extra, remunerada de forma integral e com o adicional respectivo.

Quando o simples porte do celular não configura sobreaviso

A jurisprudência trabalhista tende a afastar o sobreaviso quando o empregado apenas mantém o telefone ligado para eventual contato esporádico, sem restrição real de ir e vir nem obrigação de resposta imediata; a linha entre disponibilidade genérica e sobreaviso de fato depende das provas sobre a rotina concreta imposta pela empresa.

Perguntas frequentes

Motorista de aplicativo ou entregador pode pedir sobreaviso?

Depende do vínculo reconhecido: se houver reconhecimento de vínculo de emprego e comprovação de disponibilidade restrita fora da jornada, a discussão pode surgir, mas trabalhadores sem vínculo empregatício reconhecido não se enquadram no regime celetista de sobreaviso.

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