Mudança de dono da empresa e o destino dos contratos de trabalho
Sucessão trabalhista é a transferência da titularidade da empresa ou do estabelecimento sem ruptura dos contratos de trabalho em curso. Quem compra, incorpora, arrenda ou recebe o negócio assume a posição de empregador — e, com ela, as obrigações trabalhistas, inclusive as anteriores à transferência.
Os dois artigos que sustentam a regra
A CLT resolve o tema em poucas linhas. Um dispositivo afirma que a mudança na propriedade ou na estrutura jurídica da empresa não afeta os direitos adquiridos por seus empregados; o outro garante que essa mudança não afeta os contratos de trabalho respectivos.
A reforma de 2017 acrescentou dispositivo que explicita a responsabilidade do sucessor pelas obrigações contraídas na época em que os empregados trabalhavam para a empresa sucedida, e prevê a responsabilidade solidária da sucedida quando comprovada fraude na transferência.
O que continua igual para o empregado
Para quem trabalha, a sucessão idealmente passa despercebida. Continuam intactos:
- a data de admissão original, com todo o tempo de serviço somado;
- o salário e as vantagens já incorporadas ao contrato;
- as férias adquiridas e o período aquisitivo em curso;
- as estabilidades provisórias em vigor.
A troca de razão social na folha e a assinatura de novo contrato não zeram nada. Se houve pedido de demissão seguido de recontratação pela nova empresa nos mesmos moldes, a fraude é discutível e o tempo tende a ser unificado.
Quando o comprador não herda o passivo
A regra tem uma exceção relevante, e ela está fora da CLT. A Lei 11.101/2005 estabelece que, na alienação judicial de filial ou de unidade produtiva isolada dentro de recuperação judicial, o objeto vai livre de ônus e não há sucessão do arrematante nas obrigações do devedor, inclusive as trabalhistas. Regra semelhante vale para a alienação de ativos na falência.
A finalidade é permitir que empresas em crise vendam ativos por preço razoável, preservando postos de trabalho. Fora dessas hipóteses judiciais, cláusula de contrato particular que exclua a sucessão vale apenas entre comprador e vendedor: ela não é oponível ao empregado.
Trocas que não configuram sucessão
Nem toda mudança societária transfere contratos. Alteração de quadro societário sem transferência da unidade econômica, mudança de nome fantasia e substituição de prestadora de serviço em uma licitação não caracterizam, por si sós, sucessão.
No último caso, a nova prestadora só sucede se receber a estrutura material e os empregados da anterior. Recontratar pessoas em licitação nova, sem receber o estabelecimento, gera contrato novo.
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