Como a Justiça calcula a indenização por violação de marca

Por · Revisão: Rafael Toledo · Atualizado em 2026-08-06 · 3 fontes oficiais verificadas

Provar que houve uso indevido da marca é só metade do caminho: a outra metade é quantificar quanto isso vale em dinheiro. A Lei 9.279/1996 não deixa esse cálculo à imaginação do juiz; ela fixa critérios objetivos no art. 210, e cabe ao titular lesado escolher, entre eles, o que melhor reflete o prejuízo sofrido.

Os três critérios do art. 210 da LPI

O dispositivo determina que os lucros cessantes sejam apurados pelo critério mais favorável ao prejudicado entre: os benefícios que ele teria obtido sem a violação; os benefícios auferidos pelo infrator; ou a remuneração de uma licença hipotética. Cada rota exige prova compatível. O critério dos benefícios do infrator pode ser útil quando os dados do titular são insuficientes, mas ainda demanda acesso contábil e delimitação do ganho atribuível ao uso indevido, por exibição de documentos ou perícia.

Como pedir o critério mais favorável sem dispensar a prova

O autor pode indicar o critério que considera mais favorável, formular pedidos compatíveis e requerer a prova necessária. Isso não transforma a opção em escolha unilateral imune ao contraditório: o juízo aplica o art. 210 aos fatos demonstrados e pode deixar a quantificação para liquidação. A petição deve explicar por que o critério se ajusta à violação e quais documentos permitirão calcular o valor.

O que pode reduzir o valor reconhecido

O valor depende do período, do alcance da infração e do critério aplicado. A ausência de lucro do infrator pode enfraquecer o inciso II, mas não elimina automaticamente a remuneração de licença hipotética do inciso III. Da mesma forma, falta de queda contábil do titular não encerra a análise quando a jurisprudência reconhece dano material decorrente de contrafação apta a gerar confusão. Pedidos genéricos continuam sujeitos ao contraditório e à prova na liquidação.

Perguntas frequentes

É preciso provar prejuízo financeiro exato para pedir indenização?

Não é necessário apresentar valor fechado na petição. Em casos de uso ilícito de marca apto a gerar confusão, o STJ admite a existência do dano material e a apuração do montante em liquidação; ainda assim, o autor deve provar a própria infração, seu período e os elementos necessários ao critério de cálculo.

A indenização inclui dano moral, além do material?

O pedido extrapatrimonial pode ser cumulado. Em precedentes específicos de contrafação marcária, o STJ reconhece dano moral decorrente do ilícito, mas primeiro é indispensável caracterizar uso indevido capaz de atingir a exclusividade, o nome, a reputação ou a imagem; mera citação ou semelhança lícita não basta.

Proveniência

Conteúdos relacionados

Conteúdo informativo. Não substitui a análise individual de um advogado ou da Defensoria Pública sobre o seu caso.